terça-feira, 18 de novembro de 2014

SÃO ROQUE GONZÁLEZ E COMPANHEIROS - 19 DE NOVEMBRO









São Roque González e seus companheiros Santo Afonso Rodríguez e São João del Castillo foram Jesuítas que deram a vida pela fé, amor e esperança em Jesus Cristo,




  

Roque González nasceu em Assunção do Paraguai, em 1576, e estudou com os Padres Jesuítas, que muito ajudaram-no a desenvolver seus dotes humanos e espirituais.

O coração de Roque González sempre se compadeceu com a realidade dos indígenas oprimidos, por isso ao se formar e ser ordenado Sacerdote do Senhor, aos 22 anos de idade, foi logo trabalhar como padre diocesano numa aldeia carente. 










São Roque, sempre obediente à vontade do Pai do Céu, entrou no noviciado da Companhia de Jesus, com 33 anos, e acompanhado com outros ousados missionários, aceitou a missão de pacificar terríveis indígenas, os guaranis.

São Roque González fez de tudo para ganhar a todos para Cristo, portanto aprendeu além das línguas indígenas, aprofundou-se em técnicas agrícolas, manejo dos bois e vários outros costumes da terra. Os Jesuítas – bem ao contrário do que muitos contam de forma injusta – tinham como meta a salvação das almas, mas também a promoção humana, a qual era e é a consequência lógica de toda completa evangelização.

Como religioso, sua primeira missão foi junto a uma comunidade indígena ao norte de Assunção, onde chamou a atenção para as condições de vida do povo e pelas críticas que fazia à elite espanhola - o que lhe rendeu alguns inimigos.

Certa vez numa dessas reduções que levavam os indígenas para a vida em aldeias bem estruturadas e protegidas dos colonizadores, Roque González com seus companheiros foram atacados, dilacerados e martirizados por índios ferozes fechados ao Evangelho e submissos a um feiticeiro, que matou o corpo mas não a alma destes que, desde 1628, estão na Glória Celeste.






 Pe. Roque Gonzales e Pe. Afonso Rodrigues foram mortos na recém fundada redução de Caaró, no dia 15 de novembro de 1628, e o Pe. João del Castilho dois dias mais tarde, em Assunção do Ijuí. 
Um índio ainda catecúmeno que se opôs aos assassinos também foi trucidado junto aos missionários em Caaró: é Cacique Adauto, que um dia talvez poderá ter seu nome acrescentado aos dos nossos mártires canonizados.




Arma com que assassinaram São Roque





Em Caaró, município de Caibaté, se encontra o principal Santuário de veneração dos Santos Mártires, visitado permanentemente por caravanas de romeiros. Ali se realiza cada ano uma grande romaria, no 3º domingo de novembro.







Relíquia com o coração de São Roque na mesa do altar.


Coração incorrupto de São Roque González










Aos 28 de janeiro de 1934 o Papa Pio XI beatificou os Missionários Mártires, e aos 16 de maio de 1988, em visita ao Paraguai, em Assunção, o Papa João Paulo II os canonizou, isto é, declarou Santos!



Canonização dos Mártires


São Roque González e companheiros mártires, rogai por nós!









ORAÇÃO:


Deus, nosso Pai, o bem-aventurado Roque González e seus companheiros opuseram-se corajosamente à escravidão e à exploração dos índios pelos conquistadores. 
Olhai com bondade para todos os homens que andam como ovelhas sem um pastor que os ame, os procure e os salve.
Será que foram inúteis para nós o vosso sangue e as vossas dores no Calvário? 
Intercedei por nós para que os injustiçados sejam libertos, os pecadores se convertam, os fracos se fortaleçam, os aflitos sejam confortados.
 Vós bem sabeis como é o mundo em que vivemos, como são numerosos os inimigos que nos atacam e sabeis também o quanto somos fracos.
 Olhai com bondade para nós e caminhai conosco.
 Amém.




















SANTO ODON - ABADE DE CLUNY - INVOCADO PARA CHUVAS - 18 DE NOVEMBRO

St. Odo of Cluny



Odon de Cluny (em latim: Odo Cluniacensis; em francês: Odon) foi o segundo abade de Cluny, responsável por várias reformas no sistema cluniacense no Reino da França e no Reino Itálico. É venerado como santo pela Igreja Católica.

Existe apenas uma única biografia contemporânea sobre ele, a "Vita Odonis" de João de Salerno.

Vida

Odon era filho de um senhor feudal de Déols, perto de Le Mans, e foi educado desde cedo na corte de Guilherme, o Piedoso, duque da Aquitânia. Depois de se juntar à Abadia de São Martinho de Tréveris, estudou em Paris com Remígio de Auxerre.

 Por volta de 909, tornou-se monge, padre e, finalmente, superior da escola da Abadia de Baume, cujo abade, Berno, foi o fundador e primeiro abade da Abadia de Cluny em 910. 



Abadia de Cluny - grande fachada do séc. XIII voltada para o parque








Odon o seguiu levando junto sua biblioteca e tornou-se abade com a morte de Berno em 927.

Autorizado por um privilégio do papa João XI em 931, Odon reformou os mosteiros da Aquitânia, norte da França e Itália. O privilégio deu-lhe poderes para unir diversas abadias sob sua supervisão e para receber em Cluny monges de abadias beneditinas ainda não reformadas. 

Porém, a maior parte dos mosteiros reformados permaneceu independente e diversos se transformaram também em pólos de reforma. Odon se tornou o grande reformador de Cluny, uma abadia que se tornou o modelo de monasticismo por mais de um século e transformou o papel da piedade na vida diária europeia.





Entre 936 e 942, Odon visitou a Itália diversas vezes, fundando em Roma o mosteiro de Nossa Senhora no Aventino e reformando outros tantos conventos, como em Subíaco e Monte Cassino. 

Odon era também, por vezes, encarregado com importantes missões políticas, como, por exemplo, quando a paz foi firmada entre Hugo de Arles e Alberico I de Spoleto.

 Estando em Roma, grave doença fez-lhe pressentir que seu fim estava próximo. Odon pediu então muito a seu patrono, São Martinho, que lhe fosse concedido morrer junto a seu túmulo, tendo este Santo lhe restituído a saúde. Depois dos muitos sofrimentos e fadigas de tão longa viagem em lombo de burro e a pé até Tours, lá chegou no próprio dia da festa de São Martinho.

Santo Odon celebrou a Missa com um fervor extraordinário, oferecendo-se a Deus como vítima imolada à Justiça Divina. Três dias depois, caiu novamente de cama, e começou a preparar seus filhos espirituais para prosseguirem sua obra em meio a lamentações e preces de milhares deles provenientes de várias casas. Assim entregou sua alma de fogo ao Criador.





Cluny

Cluny










Santo Odon selecionara e formara os discípulos na escola que criara. Cluny continuaria por mais de um século a ser dirigida por discípulos que deram origem à famosa série dos "Santos Abades de Cluny". Esta começa por seu sucessor direto, Beato Aimar, substituído por São Maiolo, elevando-se depois Santo Odilon, para culminar com aquele que talvez foi o maior de todos eles: São Hugo, que levou Cluny a seu apogeu.











Nascimento de Odon, fruto da oração paterna

O sábio Abon, pertencente à nobreza militar franca e ligado a muitas das casas reinantes da época, mais nobre ainda pela virtude do que pelo brasão de armas, via os anos escoarem-se sem ter filhos. Numa véspera de Natal, cheio de fervor, suplicou com lágrimas ao Divino Salvador que, pela virtude de Seu nascimento temporal e pela fecundidade de Sua Santa Mãe, tornasse fecunda sua esposa, estéril e já passando à maturidade.

No ano seguinte, 879, seus votos foram ouvidos, dando sua mulher à luz um menino, que recebeu o nome de Odon, que ele se apressou em consagrar a São Martinho de Tours, um dos Santos mais populares da época. Quando Odon atingiu a idade da razão, Abon deu-lhe como preceptor um piedoso sacerdote, que o formou na virtude e no rudimento das letras.

Na puberdade, Odon transformara-se em um belo rapaz, cheio de encanto e boa disposição. O pai, por apego, em vez de cumprir o voto que fizera a São Martinho, destinou-o à carreira das armas, enviando-o para a corte de Foulques II, Conde d’Anjou, e depois para a de Guilherme, o Piedoso, Duque da Aquitânia.

Não é de estranhar que, na vida de corte, o jovem Odon, cada vez mais entusiasmado com caçadas, aprendizado das armas e jogos, fosse deixando seus exercícios de piedade. Mas Deus, que o queria para Si, fazia com que, por mais que procurasse, ele não encontrasse nisso senão desgostos. Ao mesmo tempo, sonhos terríveis -- nos quais via a punição de uma vida tíbia e relaxada -- o aterravam. Angustiado com esse estado de coisas, o adolescente recorreu à Santíssima Virgem: numa noite de Natal suplicou-Lhe instantemente que se apiedasse dele, e o conduzisse pela reta via da santificação.

No dia seguinte, Odon, então com 16 anos, amanheceu com terrível dor de cabeça, incapaz de manter-se de pé. O estranho mal, que durou três anos, foi se agravando de modo a temer-se por sua vida. Foi só então que o pai, assustado e vendo nisso uma punição de São Martinho, narrou ao filho a consagração feita, aconselhando-o a renová-la por si mesmo. Odon o fez, prometendo servir o Santo até o fim da vida. A cura foi instantânea!







Grande músico, Odon compôs 12 antífonas a São Martinho, um hino ao Santíssimo Sacramento, uma antífona a Santa Maria Madalena, tendo escrito também um trabalho teórico sobre música. Conta-se que nas viagens o santo Abade ensinava os pastores a cantar suas antífonas, presenteando-os quando o faziam bem.













Migalhas de pão transformadas em pérolas

Um milagre que ocorreu nessa época evidencia quanto Odon era dileto ao Criador. Segundo os hábitos do mosteiro, era de regra que os monges pegassem toda migalha de pão que sobrasse ao redor do prato e a pusessem na boca antes de terminada a leitura.

Ora, Odon as havia recolhido, mas absorto com o que era lido, não as levara à boca a tempo. Como, pela regra, não podia comê-las nem deixá-las, não sabendo o que fazer, esperou o término da oração de ação de graças, foi ao meio do refeitório e, prosternando-se diante do Abade, acusou sua falta. Como este não entendeu o que dissera, Odon abriu a mão para mostrar-lhe as migalhas. Estas tinham se transformado em pérolas de especial valor, que foram depois empregadas nos ornamentos da igreja.

Com permissão do Abade, Odon foi à casa paterna dar assistência religiosa a seus idosos pais. Falou-lhes com tanta unção do desapego deste mundo, que ambos, apesar da idade, renunciaram a tudo e entraram num mosteiro para terminar seus dias.

À sua volta o monge, apesar de sua relutância, recebeu o sublime Sacramento da Ordem, tornando-se sacerdote eternamente.







Ó Deus, 
pela intercesão de Santo Odon, concedei-nos
perseverar na oração e na prática das virtudes
para alcançarmos um dia a graça da vida eterna.
Por Cristo Senhor nosso.
Amém




Statue of the Blessed Virgin Mary with the Christ Child, from the Abbey of Cluny. Photo by Harmonia Armand.

Imagem da Virgem Maria da abadia de Cluny,


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

SANTO ALBERTO MAGNO, DOUTOR DA IGREJA - PADROEIRO DOS CIENTISTAS, FILÓSOFOS, TÉCNICOS MÉDICOS - 15 DE NOVEMBRO






Alberto Magno, O.P. (em latim: Albertus Magnus), conhecido também como Alberto, o Grande, e Alberto de Colônia, é um filósofo, escritor e teólogo católico que é venerado com santo. Ele era um frade dominicano alemão e bispo. Ainda em vida era conhecido como doctor universalis e doctor expertus e, já idoso, ganhou o epíteto "Magnus" ("o Grande").

 Estudiosos como James A. Weisheipl e Joachim R. Söder defendem que Alberto foi o maior filósofo e teólogo alemão da Idade Média.

A Igreja proclamou-o Doutor da Igreja em 1931.


Biografia

É provável que Alberto tenha nascido antes de 1200 dadas as confiáveis evidências de que ele teria mais de oitenta anos quando morreu em 1280; mais de uma fonte afirma que ele tinha 87, o que explica por que 1193 geralmente aparece como data de seu nascimento.

 É também provável que ele tenha nascido em Lauingen, no Ducado da Baviera, pois ele chamava a si próprio "Alberto de Lauingen" (o epíteto pode ser ainda um nome de família).

Alberto estudou principalmente na Universidade de Pádua, onde conheceu as obras de Aristóteles. Um relato posterior de Rudolph de Novamagia conta que Alberto teria tido uma visão da Virgem Maria, que o convenceu aceitar o hábito de sacerdote. 

Em 1223 (ou 1229)4 , entrou para a Ordem dos Pregadores contra a vontade da sua família e estudou teologia na Universidade de Bolonha. 

Selecionado para preencher uma cadeira de professor em Colônia, onde havia um mosteiro dominicano, Alberto ensinou durante muitos anos na região, principalmente Regensburgo, Friburgo, Estrasburgo e Hildesheim. 

Durante seu primeiro mandato em Colônia, escreveu sua Summa de Bono depois de discutir com Filipe, o Chanceler, sobre as propriedades transcendentais do ser.

Ele foi o primeiro a comentar sobre praticamente todas as obras de Aristóteles, tornando-as acessíveis para o debate acadêmico mais amplo. 

O estudo de Aristóteles levou-o a conhecer e comentar também sobre os ensinamentos dos estudiosos muçulmanos, principalmente Avicena e Averróis, o que o colocou no centro do debate acadêmico.

Em 1245, Alberto tornou-se mestre em teologia pelas mãos de Guerico de Saint-Quentin, o primeiro dominicano alemão a conquistar o posto. Depois disso, conseguiu lecionar teologia na Universidade de Paris como titular da cadeira de teologia no Colégio de São Tiago. 





Sermon of Saint Albertus Magnus

Sermão de Santo Alberto Magno de Friedrich Walther 
(German, ca. 1440–1494)




Neste período, Tomás de Aquino tornou-se um de seus estudantes e manteve-se sempre firme às suas doutrinas e às influências que recebeu de outros antigos filósofos. 

Mesmo sendo um frade, Alberto compreendia muitos aspectos do mundo natural, como a metafísica, a física e a matemática.

Em 1254, Alberto tornou-se também superior provincial de sua ordem, um trabalho difícil que ele realizou com grande cuidado e eficiência. 

Durante seu mandato, ele defendeu publicamente os dominicanos contra os ataques do corpo docente secular e regular da Universidade de Paris, escreveu um comentário sobre São João Evangelista e respondeu ao que ele percebia como "erros" do filósofo islâmico Averróis. 

Cinco anos depois, Alberto participou de um capítulo geral da Ordem dos Pregadores em Valenciennes juntamente com Aquino, os mestres Bonushomo Britto, Florentius (provavelmente Florêncio de Hidinio, chamado também de "Florêncio Gaulês") e Pedro que criou um ratio studiorum (um programa de estudos) para a ordem que trazia a filosofia como uma inovação para os que não foram suficientemente treinados na teologia. 

A partir daí iniciou-se a tradição da filosofia escolástica dominicana na prática, como, por exemplo, a criação do studium provinciale no convento de Santa Sabina em Roma em 1265, o embrião da futura Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino (Angelicum) .














Em 1260, Alexandre IV nomeou-o bispo de Ratisbona, um cargo que ele manteve por apenas três anos. 

Neste período, Alberto melhorou sua reputação de humildade ao recusar andar montado à cavalo como ditava a legislação dominicana e, ao invés disso, andava sempre a pé por sua diocese. Este hábito valeu-lhe o apelido carinhoso de "botas, o bispo" de seus paroquianos. 

Depois de renunciar ao cargo, passou o resto de sua vida em uma aposentadoria parcial morando em diversas casas monásticas de sua ordem e pregando por todo o sul da moderna Alemanha. Em 1270, pregou a Oitava Cruzada na Áustria. 

Depois disso, ficou famoso por seu papel de mediador entre os diversos partidos que lutavam na região. 
















Em Colônia, Alberto é conhecido não apenas como o fundador da universidade mais antiga da Alemanha, mas também pelo "Grande Veredito" ("Der Große Schied") de 1258, que encerrou o conflito entre a população da cidade e o seu arcebispo.

Entre as últimas obras de Alberto a luta para defender a ortodoxia de seu antigo pupilo Tomás de Aquino, cuja morte em 1274 aborreceu-o sobremaneira, apesar de o relato de que ele teria ido pessoalmente a Paris para defender as suas doutrinas não poder ser confirmado.

Depois de uma súbita deterioração de sua saúde em 1278, Alberto Magno faleceu em 15 de novembro de 1280 no convento dominicano em Colônia.



Römischer Sarkophag mit Albertus' Gebeinen in der Krypta der Kirche St. Andreas in Köln


Sarcófago com os restos mortais de Santo Alberto Magno, na Igreja de Santo André, em Colônia.





Alberto foi mencionado muitas vezes por Dante Alighieri, que fez da doutrina albertina sobre o livre arbítrio a base de seu sistema ético. Em sua "Divina Comédia", Dante coloca Alberto e Aquino entre os grandes amantes da sabedoria (spiriti sapienti) no Paraíso do sol. 

Alberto também foi mencionado, ao lado de Agrippa e Paracelso, no clássico "Frankenstein", de Mary Shelley. Na obra, suas obras influenciaram o jovem Victor Frankenstein.

Em 1622, o papa Gregório XV declarou-o beato. 

Em 16 de dezembro de 1931, foi canonizado e proclamado Doutor da Igreja por Pio XI. 

Dez anos depois, foi proclamado santo padroeiro dos cientistas. 












Sua festa é celebrada em 15 de novembro e, segundo Joan Carroll Cruz, Alberto foi agraciado com um corpo incorrupto13 .

Em 1954, no aniversário de sua morte, suas relíquias foram trasladadas para um sarcófago na cripta da Igreja de Santo André (Colônia)|Igreja Dominicana de Santo André).



Reliquiar mit der Hirnschale von Albertus, in der Pfarrkirche St. Martin in Lauingen

Relicário de Santo Alberto Magno


Reliquienkästchen mit der Hirnschale von Albertus, in der Pfarrkirche St. Martin in Lauingen

Relicário com o crânio de Santo Alberto Magno, na igreja paroquial de São Martinho em Lauingen










Obras

As obras de Alberto, colecionadas em 1899, compõem trinta e oito volumes, uma demonstração não só de sua prolificidade como também de seu conhecimento literalmente enciclopédico sobre tópicos tão variados como lógica, teologia, botânica, geografia, astronomia, astrologia, mineralogia, alquimia, zoologia, frenologia, direito, além de tratados sobre justiça, amizade e amor. 

Ele leu, interpretou e sistematizou toda a obra de Aristóteles através de seus estudos de traduções latinas e de anotações de comentaristas árabes, sempre sob a luz da doutrina da Igreja. 

Grande parte do conhecimento moderno que temos hoje sobre o grande filósofo grego foi preservado e apresentado aos estudiosos ocidentais por Alberto.

Sua principal atividade, contudo, foi mais filosófica que teológica. 

Suas obras sobre filosofia estão geralmente divididas de acordo com o esquema aristotélico das ciências e consistem de interpretações e versões condensadas das obras do filósofo, acrescidas de discussões suplementares sobre tópicos contemporâneos e, ocasionalmente, de suas discordâncias.

Suas principais obras teológicas são um comentário em três volumes do Livro das Sentenças de Pedro Lombardo (Magister Sententiarum) e uma Summa Theologiae em dois volumes, esta última uma repetição mais didática da primeira.



 Quadro de Ernest Board 1877–1934.
Santo Alberto Magno expondo sua doutrina da filosofia natural em Paris.




Filosofia natural

O conhecimento de Alberto sobre a filosofia natural (a "ciência") era considerável e, para a época, notavelmente acurado. Sua diligência em aprender todos os campos era enorme e, apesar de haver diversas lacunas em seu sistema científico, característico da filosofia escolástica, seu profundo estudo de Aristóteles deu-lhe um poderoso pensamento sistemático e grande habilidade explicativa. 

Uma exemplo desta tendência geral foi seu tratado em latim "De Falconibus" (posteriormente incorporado numa obra maior, "De Animalibus", compondo o capítulo 40 do livro 23), na qual ele demonstra um impressionante conhecimento das diferenças entre as aves de rapina e os demais pássaros; a diferença entre os tipos de falcões; a preparação para a caça; a técnicas de cura de falcões doentes e feridos. 

Em "De Mineralibus", Alberto afirma que "o objetivo da filosofia natural [ciência] é não apenas aceitar as afirmações de outros, mas investigar as causas que estão em ação na natureza".

 O aristotelismo influenciou profundamente a visão de Alberto sobre a natureza e a filosofia.

Seu legado acadêmico justifica o apelido honorífico que ganhou de seus contemporâneos, Doctor Universalis. 

Alberto também foi responsável por demonstrar que a Igreja Católica não era totalmente contra o estudo da natureza e a ciência. 

Apesar de sua ênfase na experimentação e na investigação, Alberto respeitava a autoridade e a tradição a ponto de não publicar muitos de seus trabalhos na área. 

Ele muitas vezes se silenciava sobre diversos temas da astronomia e da física por acreditar que estas teorias eram muito avançadas para sua época.




Matéria e a forma

Manuscrito de "De Bono", uma das principais obras de Alberto.
Biblioteca de Colônia

Alberto acreditava que as coisas naturais eram um composto de matéria e forma que ele chamava de "quod est and quo est", uma tese aristotélica conhecida como hilemorfismo. Sua versão era basicamente a de Aristóteles, mas com alguns elementos emprestados de Avicena.




Alquimia

Nos séculos seguintes à sua morte, muitas histórias apareceram retratando Alberto como alquimista e mago. Sobre a alquimia e a química, muitos tratados tem sido atribuídos a ele, embora em seus tratados autênticos ele tenha escrito pouco sobre o tema e, ainda assim, comentando sobre Aristóteles. 














Por exemplo, em seu comentário "De Mineralibus", Alberto faz referência ao "poder das pedras", mas não elabora sobre o que seria isto.

Uma ampla gama de obras alquímicas pseudo-albertinas existem para confirmar a crença que se desenvolveu de ele teria sido um mestre da alquimia, uma das ciências fundamentais da Idade Média. 

Entre elas estão "Metais e Materiais", "Segredos da Química", "Origem dos Metais", "Origem dos Compostos", uma "Concordância", uma coleção de observações sobre a pedra filosofal, "Theatrum Chemicum", também uma coleção de tópicos alquímicos. 

Credita-se a ele a descoberta do arsênico e diversos experimentos com substâncias químicas fotossensíveis, incluindo o nitrato de prata. Porém, há pouquíssimas evidências de que ele teria realizado qualquer experimento pessoalmente.













As lendas contam ainda que Alberto Magno teria descoberto a pedra filosofal e a passou para seu pupilo, Tomás de Aquino, pouco antes de ele morrer. 

Alberto não confirma a descoberta em suas obras, mas ele relata ter testemunhado a criação de ouro por "transmutação". 

Credita-se ainda a Alberto a criação de um autômato mecânico na forma de uma cabeça de latão que seria capaz de responder perguntas, um feito que também foi atribuído a Roger Bacon.







Astrologia

Alberto tinha um profundo interesse em astrologia, como demonstram estudos como o de Paola Zambelli. Por toda a Idade Média — e por muitos séculos depois dela — a astrologia era amplamente aceita por cientistas e intelectuais que defendiam uma visão de que a vida na terra era efetivamente um microcosmo inserido num macrocosmo (este último, o próprio cosmos). 

Acreditava-se que existia uma correspondência entre ambos e que, por isso, corpos celestes seguiam padrões e ciclos similares aos que se observavam na terra. Por isso, imaginava-se ser razoável afirmar que a astrologia poderia ser utilizada para prever um futuro provável das pessoas. 

Alberto fez disso um componente central de seus sistema filosófico, argumentando que uma compreensão das influências celestes que nos afetam poderia nos ajudar a viver nossas vidas mais em acordo com os preceitos cristãos. A afirmação mais completa de sua crença astrológica pode ser encontrada numa obra que ele escreveu em 1260, conhecida como "Speculum Astronomiae". 

Porém, detalhes e partes destas crenças podem ser encontrados em quase todas as suas obras, desde a primeira, a "Summa De Bono", até sua última, a "Summa Theologiae".









Música

Alberto é também conhecido por seu brilhante comentário sobre as práticas musicais de sua época, sendo que a maior parte de suas observações estão no seu comentário sobre as "Poéticas" de Aristóteles. Ele rejeitava a ideia da "música das esferas" como ridícula: o movimento dos corpos celestes seria incapaz, supunha ele, de gerar som. 
Escreveu bastante também sobre as proporções na música e sobre os três diferentes níveis subjetivos no qual o cantochão pode operar na alma humana: purgação dos impuros; iluminação que leva à contemplação; e nutrir o aperfeiçoamento através da contemplação. 
De particular interesse para os teoristas da música modernos é a atenção que ele prestava ao silêncio como parte integral da música.



Referências culturais

A iconografia do tímpano e arquivoltas do portal do século XIII da Catedral de Estrasburgo foi inspirada pelas obras de Alberto Magno.

Em seu "O Conceito de Angústia", Søren Kierkegaard escreveu que Alberto Magno "arrogantemente se gabou de sua especulação sobre a divindade e subitamente tornou-se um estúpido", citando Gotthard Oswald Marbach (Albertus repente ex asino factus philosophus et ex philosopho asinus"

Unicórnio segundo "De Animalibus", de Alberto.








Soldado do Senhor e administrador do Reino de Deus, devotíssimo da Virgem Maria rezava Santo Alberto Magno :

“Senhor Jesus, invocamos a tua ajuda para não nos deixarmos seduzir pelas vãs palavras tentadoras sobre a nobreza da família, sobre o prestígio da instituição, sobre o que a ciência tem de atraente.”











 ORAÇÃO DO PAPA JOÃO PAULO II JUNTO AO TÚMULO DE SANTO ALBERTO MAGNO
EM SUA VIAGEM APOSTÓLICA   À REPÚBLICA FEDERAL DA ALEMANHA (15-18 DE NOVEMBRO DE 1980)



"Ó Deus, Vós sois admirável nos vossos santos"!

Por Vós chamado a ser o Pastor Supremo da Igreja de Jesus Cristo, ajoelho-me hoje como peregrino diante do túmulo de Santo Alberto, para Vos glorificar no dia festivo do 7° centenário da sua morte, junto com todos os que crêem, e para Vos agradecer por sua vida e suas obras através das quais Vós o destes à vossa Igreja como Mestre da Fé e Modelo de vida cristã.

Ó Deus, nosso Criador, Autor e Luz da inteligência do homem, Vós concedestes a Santo Alberto, no fiel seguimento de Nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo, um profundo conhecimento da Fé. A própria criação se tornou para ele a manifestação do vosso poder e da vossa bondade, enquanto ele aprendeu a Vos conhecer; e amar mais nas criaturas. Ao mesmo tempo, ele estudou a fundo as ciências humanas como também os escritos de filósofos não cristãos, e os abriu para o encontro com a vossa Boa Nova. Pelo dom do discernimento, Vós o habilitastes de maneira singular a evitar o erro e a aprofundar e difundir entre os homens a verdade. Por tudo isso Vós o constituístes Mestre da Igreja e de todos os homens.







Pela intercessão de Santo Alberto nós Vos pedimos:

— Concedei à vossa Igreja, também em nossos dias, mestres da Verdade, que pela palavra e por uma vida santa manifestem e anunciem aos homens a vossa Boa Nova.

Nós Vos pedimos, ouvi-nos.

— Abri pela graça de uma Fé viva os corações dos homens a fim de que reconheçam a presença de Deus na criação e na própria vida e respondam sempre mais perfeitamente à Sua vontade.

— Acompanhai e iluminai com o vosso Espírito Santo o trabalho dos cientistas e dos sábios, preservai-os do orgulho e da presunção, e concedei aos mestres das ciências naturais um trato responsável com os dons da vossa criação.

— Concedei aos responsáveis pelo Estado e pela sociedade visão e consciência de responsabilidade, a fim de que utilizem as descobertas da ciência e da técnica em favor da paz e do progresso dos povos, e, não, para a sua ruína e destruição.

— Ajudai-nos todos, em meio aos múltiplos perigos e erros do nosso tempo, a reconhecer sempre o que é verdadeiro e a Vos servir fielmente por uma vida iluminada pela Fé.

— Abençoai pela intercessão de Santo Alberto, todos os cidadãos deste país. Concedei ao povo alemão paz e unidade; e conservai-o sempre consciente da sua responsabilidade na comunidade dos povos.

— Acompanhai com a vossa especial bênção e ajuda esta minha visita pastoral à Republica Federal da Alemanha, fortalecei no seu amor a Cristo e à sua Igreja todos os que crêem, a fim de que, pelo seu testemunho de vida cristã na verdade e na justiça, o vosso Nome seja glorificado também no mundo de hoje.

V. Rogai por nós, Santo Alberto.

R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos:

— Ó Deus, nosso refúgio e nossa força, Vós concedestes ao Bispo e Doutor da Igreja Santo Alberto a graça de associar o conhecimento humano à Sabedoria eterna. Fortalecei e protegei, por sua intercessão, a nossa Fé, em meio à confusão espiritual dos nossos dias. Dai-nos a amplidão do seu espírito, a fim de que o progresso das ciências nos ajude também a nós a conhecer-Vos melhor e a nos aproximarmos mais de Vós. Fazei-nos crescer no conhecimento da Verdade, que sois Vós, a fim de que possamos um dia contemplar-Vos face a face, junto com todos os santos. Isto Vos pedimos por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.



Colónia, 15 de Novembro de 1980





Gemälde, um 1700, wohl aus dem Betsaal für Albertus Magnus, heute in der Lauinger Martinskirche









quarta-feira, 12 de novembro de 2014

SÃO JOSÉ DE PIGNATELLI - PADROEIRO DOS ORFÃOS (Restaurador da Companhia de Jesus) - 14 DE JANEIRO










José Pignatelli  (Giuseppe Pignatelli)  nasceu em 1737 em Saragoça, do ramo espanhol de uma nobilíssima família do reino de Nápoles. Perdendo a mãe aos cinco anos, veio para esta cidade onde recebeu, de uma irmã, ótima educação católica. 

Voltando para Espanha, aos quinze anos entrou na Companhia de Jesus. 










Saint Joseph Pignatelli



Feito o Noviciado e emitidos depois os primeiros votos em Tarragona, aplicou-se aos estudos, primeiro em Manresa e depois nos colégios de Bilbau e de Saragoça.

Ordenado sacerdote, dedicou-se ao ensino das letras e, com grande fruto, aos ministérios apostólicos. Levantou-se, porém, uma grande perseguição contra a Companhia de Jesus e ele figurou entre os jesuítas que foram expulsos da Espanha para a Córsega.











Entre adversidades, mostrou o Padre Pignatelli grande fortaleza e constância; foi por isso nomeado Provincial de todos esses exilados. E recomendaram-lhe especial cuidado pelos mais jovens, o que ele praticou com grande zelo. Da Córsega foi obrigado a transferir-se, com os outros, para várias regiões, vindo finalmente a fixar-se em Ferrara (Itália), onde fez a profissão solene de quatro votos.

Pouco depois, sendo a Companhia de Jesus dissolvida por Clemente XIV, em 1773, Padre Pignatelli deu exemplo extraordinário de perfeita obediência à Sé Apostólica como também de intenso amor para com a Companhia de Jesus. Indo para Bolonha e, estando proibido de exercer o ministério apostólico com as almas, durante quase vinte e cinco anos entregou-se totalmente ao estudo, reunindo uma biblioteca de valor, dando-se principalmente a obras de caridade para com os antigos membros da suprimida Companhia.













Logo, porém, que lhe foi possível, pediu para ser recebido na Família Inaciana existente na Rússia, onde reinava Catarina, que sendo cismática não aceitara a supressão vinda de Roma. Os jesuítas da Rússia ligaram-se a bom número de ex-jesuítas italianos, e Padre Pignatelli uniu-se a todos eles, tendo-lhe sido permitido renovar a profissão solene. Com licença do Papa Pio VI, foi construída uma casa para noviços no ducado de Parma, onde o Padre Pignatelli foi reitor. Em 1804, Pio VII restaurou a Companhia de Jesus no reino de Nápoles, e o Padre Pignatelli vem a ser Provincial. Mas o exército francês aparece e dispersa este grupo de jesuítas.

Em 1806, transfere-se para Roma onde é muito bem recebido pelo Sumo Pontífice. Os franceses, que estão a ocupar Roma, toleram-no. No silêncio, Padre Pignatelli vai preparando o renascimento da sua Companhia. Este fato ocorre em 1814, com o citado Papa beneditino Pio VII. Mas o Padre Pignatelli já tinha morrido em 1811, com setenta e quatro anos. O funeral decorreu quase secretamente.
Ele foi sepultado na Igreja do Gesù , em Roma.

Urn with the relics of St. Joseph Pignatelli, in the Church of Gesù, at Rome.



Urna com as relíquias de São José de Pignatelli, presentes na Igreja de Jesus, em Roma.





Foi beatificado por Pio XI em 1933, que chamou o santo de “o principal anel da cadeia entre a Companhia que existira e a Companhia que ia existir,… o restaurador dos Jesuítas”.

Profundo devoto do Sagrado Coração de Jesus e da Virgem Santíssima, homem adorador (passava noites inteiras diante do Santíssimo Sacramento), São José Pignatelli foi canonizado em 1954 pelo Papa Pio XII.








São José de Pignatelli entre a Esperança e a Caridade; 
esculturas de Antonio Sola (início do s. XIX) na Igreja do Gesù (Roma)








Oração de São José Pignatelli

Deus, nosso Pai, dai-nos humildade para que possamos experimentar o dom de perdoar a quem nos ofendeu, a quem nos machucou e feriu por dentro, pois assim alcançaremos a remissão para nossos pecados. Ensinai-nos a perdoar, pois o perdão é a medicina que nos sara por dentro e nos previne contra atrozes sofrimentos. Perdoar é o refrigério que aplaca a ardência de mágoas e desejos de vingança. Perdoar o outro é alcançar de Deus o perdão de nossos pecados.

Lembremo-nos da parábola do servo cruel (Mt 18,23ss), quando o Senhor, cheio de compaixão, perdoou toda a dívida do servo, deixando-o ir em paz. Mas este, esquecido de que tinha sido perdoado, meteu na prisão o amigo que lhe devia apenas alguns vinténs: “Servo mau, eu te perdoei toda a dívida porque me suplicaste. Não devias também tu compadecer-te de teu amigo, como eu tive piedade de ti?” Ensinai-nos a ultrapassar as coisas envelhecidas, as idéias preconceituosas, os condicionamentos que nos amarram, as tiranias que nos oprimem. Busquemos a verdade que nos liberta e tirai de nossos olhos as traves que nos cegam.


São José Pignatelli, rogai por nós!





Saint Joseph Pignatelli


ORAÇÃO:

São José Pignatelli que ficastes órfão ainda criança, 
passastes por provações tão dolorosas, momentos indefinidos e inseguros, 
vendo-vos perseguido por desejardes servir a Deus sobre todas as coisas, 
velai por vossos irmãos jesuítas,
 tornando-os cada vez mais unidos dentro do verdadeiro amor fraterno. 
Por Cristo Nosso Senhor. Amém.


Saint Joseph Pignatelli
















terça-feira, 11 de novembro de 2014

SANTO ESTANISLAU KOSTKA - PADROEIRO DOS JOVENS DA POLÔNIA, E DE QUEM SOFRE COM OSSOS FRATURADOS - 13 DE NOVEMBRO










A semelhança do jovem santo polonês com o contemporâneo são Luís Gonzaga é extraordinária. Ambos provinham de rica e nobre família e conservavam a mesma candura em uma sociedade frívola, à qual se subtraíram com coragem, indo fazer parte da Companhia de Jesus.


 Quando pequeno,  não podia suportar que proferissem qualquer palavra contrária à glória de Deus em sua presença. Conta-se que num fausto banquete oferecido pelo senador Kostka, um príncipe aficionado às novas idéias da Reforma Protestante, não se contendo, estalou em impropérios contra a Igreja Romana e o próprio Deus. Viu-se, então, o menino cair desmaiado diante de todos. Consternados, os convivas perguntavam donde provinha tal mal-estar, e calavam de estupor ao saber que diante do pequeno Estanislau não se podia ofender a Deus.



Aos 13 anos, Estanislau foi confiado aos jesuítas de Viena para completar os estudos. Dado que as autoridades austríacas haviam requisitado o edifício do colégio reservado para os estudantes forasteiros, Estanislau teve de recorrer a um quarto de aluguel, como todos os outros alunos, os quais, todavia, longe dos olhos dos severos mestres, foram presa fácil do belo mundo vienense.

Nossa Senhora veio curá-lo

No terceiro ano da estadia em Viena a saúde de Estanislau sucumbiu ao peso da vida sacrificada que levava, e ele adoeceu gravemente. Espalhou-se o rumor de que corria risco de morte, e Paulo desesperou- se ao pensar em voltar para casa com o irmão morto. O santo doente implorou, então, a presença de um sacerdote e o Viático, pois a cada hora diminuíam-lhe, sensivelmente, as forças físicas. Kimberker, o dono da faustosa pensão onde se hospedavam, negou-lhe taxativamente este supremo consolo, sob pena de expulsá-los de seus aposentos caso um sacerdote católico adentrasse àquele recinto.

A esse duro golpe, a Fé de Estanislau não esmoreceu. Rezou fervorosamente e confiou contra toda 
esperança. 

Qual não foi seu estupor ao ver numa manhã aproximarem- se três refulgentes anjos acompanhados de Santa Bárbara, trazendo-lhe a Sagrada Comunhão e cumulando sua alma de consolações e alegrias!












 Se a maldade dos homens lhe negara o que havia de mais sagrado, não seria a Providência Divina que o deixaria desamparado. 

Pouco depois ele viu aproximar- se de seu leito a figura soberana da Santíssima Virgem, que trazia nos braços seu Divino Filho e lhe sorria. Num gesto maternal, ela depositou o Infante nos braços do pobre enfermo, e o Menino Jesus o cobriu de afagos. 









Naquele momento, todas as perseguições esvaeceram- se, os incontáveis sofrimentos pareceram-lhe como pó... Sim, valia a pena sofrer todas as privações para gozar daquele convívio celestial! Sentindo as forças voltarem-lhe repentinamente, ele ouviu a voz suavíssima da Rainha dos Céus: 

- "Agora que te curei, entra na Companhia de meu Filho! É Ele que o quer!".


Resta apenas um caminho: o "impossível"

O assombro que sua cura milagrosa provocou não foi pequeno. Revigorado e indescritivelmente feliz, Santo Estanislau pediu admissão ao Padre Provincial da Áustria, que não podia desprezar os sinais inequívocos de sua vocação. Contudo, recebê-lo sem o consentimento paterno seria uma imprudência que acarretaria trágicas conseqüências. Foi-lhe negado o acesso à congregação em que Nossa Senhora o mandara entrar. Que aflitivo paradoxo...

A chama de entusiasmo e fervor que a visita celestial acendeu-lhe na alma foi tão grande que não se apagaria diante dessa primeira negativa. Ele estava disposto a bater em quantas casas dos jesuítas houvesse no mundo, certo de que alguma delas haveria de recebê-lo. Se o pai não o autorizava a seguir o chamado celestial, só lhe restava uma saída para levar ao perfeito cumprimento o mandato de Maria Santíssima: fugir.

Numa madrugada soturna, disfarçado de peregrino e sem ter levantado qualquer tipo de suspeita, Estanislau partiu para a Alemanha. Foi a pé de Viena a Dillengen. Lá, finalmente pôde ser compreendido por São Pedro Canísio, que o admitiu na Companhia de Jesus, julgando, porém, que a permanência na Alemanha não o deixa seguro da tirania de seu pai. O local mais indicado era Roma, onde São Francisco de Borja, o Superior Geral, haveria de protegê-lo. Foi assim que ele partiu para atravessar os Alpes, os Apeninos, e chegar à Cidade Eterna, após dois meses de caminhada heróica e incansável. Transpôs, sem titubear, praticamente metade da Europa!







Chegada de Santo Estanislau em Roma.






Atingiu a perfeição de uma longa existência

Aos dias de incomparável alegria passados no noviciado, seguiram-se as ameaças vindas da Polônia. O pai, sem conter o ódio, exigiu seu retorno a qualquer custo, pois ter um filho sacerdote seria "uma desonra para a família".

Entretanto, bem diversos eram os desígnios de Deus. Nossa Senhora aparecera-lhe em Roma, e viera chamá- lo, dizendo que lhe restava pouco tempo de vida. Sua alma já estava pronta para o Céu! 

Assim, numa festa da Santíssima Virgem, ele comentou que muito em breve haveria de morrer. Ninguém acreditou. Subitamente, de um leve mal-estar, desencadeou-se no noviço uma forte febre e ele expirou santamente na festa da Assunção de Maria Santíssima, 15 de agosto de 1568.




Morte de Santo Estanislau Kostka





Como estava equivocado o nobre senador da Polônia! Deus havia reservado ao jovem Estanislau uma glória insuperável e eterna. Se hoje no mundo inteiro sua família é conhecida, e se tem a honra de figurar de forma indelével na memória da Santa Igreja, não é senão porque ali fulgurou o brilho da santidade de seu filho. Santo Estanislau Kostka provou para os jovens de todos os tempos que um homem vale na medida em que corresponde generosamente ao chamado de Deus e deseja as coisas do Alto.

 Foi canonizado em 1767. 

Juntamente como são Luiz Gonzaga e João Berckmans, tornou-se padroeiro da juventude.



Escultura de Santo Estanislau Kostka em seu leito de morte



Túmulo de Santo Estanialau Kostka, na Igreja de Santo André Quirinal, Roma.



ORAÇÃO:

Ó Deus, Forte e Eterno, 
que concedestes grandes graças ao Vosso jovem servo, Santo Estanislau,
 concedei a todos os nossos jovens, serem mais firmes na fé e constantes no testemunho.
 Por Cristo Senhor, 
amém.

Santo Estanislau Kostka, 
rogai por nós.




ORAÇÃO



Ó perfeito imitador de Jesus Cristo,
 verdadeiro devoto de Maria santíssima, mãe nossa, 
glorioso nosso advogado, santo Estanislau Kostka!
 Apesar de sermos indigníssimos de invocar-te, 
contudo, graças à confiança na tua grande caridade,
 agora e sempre, queremos suplicar-te, a fim de que, 
pelos méritos e intercessão de Maria santíssima e de todos os Anjos e Santos, 
principalmente, pelos méritos infinitos de Nosso Senhor Jesus Cristo, 
nos obtenhas todos os dons e todas as graças, 
para sermos todos santos e perfeitos, como o Pai celeste.
 Possamos valer-nos do incompreensível dom da santíssima Eucaristia 
e do dom da devoção à nossa querida mãe Maria, conforme desejo de Deus.
 Chegaremos assim a cantar, para sempre,
 as divinas misericórdias no céu. 

- Rogai por nós, santo Estanislau. 
- Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. 




Rezemos: 

Ó Deus, que dentre os outros milagres da tua sabedoria, 
deste a santo Estanislau, ainda em tenra idade, a graça de uma santidade madura,
 concede-nos que, mediante o exemplo deste bem-aventurado,
 obrando sem cansar, resgatemos o tempo e apressemos nossa entrada no descanso eterno. 
Por Cristo Nosso Senhor. 
Amém. 











Visão de Santo Estanislau Kostka


File:San Estanislao de Kostka.jpg


 Igreja de São Luis (Sevilla) Escultura e retábulo de Pedro Duque Cornejo (1730)