quarta-feira, 17 de agosto de 2011

ASSUNÇÃO DA VIRGEM MARIA NOS EVANGELHOS APÓCRIFOS






Vejamos a passagem do livro de São João sobre a Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria:

 

"E Pedro tendo no cantado o hino, todos os poderes dos céus respondiam com um Aleluia.


 

E então o rosto da mãe do Senhor brilhou mais brilhante que a luz, e ela foi elevada para as alturas e abençoava cada um dos apóstolos com o própria mão, e todos deram glória a Deus;





e o Senhor esticando adiante suas mãos puras, recebeu sua alma e seu corpo inocente e sagrado.

E com a partida de sua alma e corpo inocente o lugar foi enchido com perfume e luz inefável; e, uma voz para fora do céu foi ouvida, dizendo: Tu és bendita entre as mulheres".








Quis Nosso Senhor dar esta suprema consolação à sua Mãe Santíssima e aos seus apóstolos e discípulos que assistiram a "dormição" de Nossa Senhora, entre os quais se sobressai S. Dionísio Aeropagita, discípulo de s. Paulo e primeiro Bispo de Paris, o qual nos conservou a narração desse fato.




Diversos Santos Padres da Igreja contam que os Apóstolos foram milagrosamente levados para Jerusalém na noite que precedera o desenlace da Bem-aventurada Virgem Maria.
 


S. João Damasceno, um dos mais ilustres doutores da Igreja Oriental, refere que os fiéis de Jerusalém, ao terem notícia do falecimento de sua Mãe querida, como a chamavam, vieram em multidão prestar-lhe as últimas homenagens e que logo se multiplicaram os milagres em redor da relíquia sagrada de seu corpo.

 

Três dias depois chegou o Apóstolo S. Tomé, que a Providência divina parecia ter afastado, para melhor manifestar a glória de Nossa Senhora, como dele já se servira para manifestar o fato da ressurreição de Nosso Senhor.

 

S. Tomé pediu para ver o corpo de Nossa Senhora.

Quando retiraram a pedra, o corpo já não mais se encontrava.

 

Do túmulo se exalava um perfume de suavidade celestial!

 

Como o seu Filho e pela virtude de seu Filho, a Virgem Santa ressuscitara ao terceiro dia.

Os anjos retiraram o seu corpo imaculado e o transportaram ao céu, onde ele goza de uma glória inefável.

 

Nada é mais autêntico do que estas antigas tradições da Igreja sobre o mistério da Assunção da Mãe de Deus, encontradas nos escritos dos Santos Padres e Doutores da Igreja, dos primeiros séculos, e relatadas no Concílio geral de Calcedônia, em 451.










1 - Leia, abaixo, um dos textos apócrifos que cita a Assunção na íntegra, intitulado "Passagem da bem Aventurada Virgem Maria"  (De Transitu Virginis), narração erroneamente Atribuída a José de Arimatéia. Para alguns historiadores seria uma obra do final do século V atribuída a São Melito que preserva uma versão teologicamente editada das tradições presentes no Liber Requiei Mariae.

Leia:

PARTE I:




2 – Leia o texto apócrifo "Livro de São João evangelista, o teólogo, sobre a passagem da santa mãe de Deus": do século IV este texto conta, principalmente os detalhes da morte de Maria e sua assunção num domingo:

http://rezairezairezai.blogspot.com.br/2016/08/evangelho-apocrifo-da-assuncao-de-sao.html






domingo, 14 de agosto de 2011

LOUVEMOS A DEUS NA ASSUNÇÃO DE SUA MÃE MARIA - ORAÇÕES




ANTÍFONA:

ADOREMOS O CRISTO E LOUVEMOS SUA MÃE
ELEVADA, HOJE, AOS CÉUS.








HINO DO OFÍCIO DAS LEITURAS:


COM UMA GRAÇA TODA SUA ,
MAIS BRILHANTE DO QUE A AURORA,
DO QUE O SOL E DO QUE A LUA,
SOBE AO CÉU NOSSA SENHORA


DO SEU TRONO OFUSCA O BRILHO,
AO VIR PELO CÉU AFORA,
EXALTADA PELO FILHO,
QUE É GRANDE ANTES DA AURORA,

MAIS QUE OS SANTOS TODOS BRILHA,
MAIS QUE OS ANJOS IRRADIA:
SE DO PAI FOI SEMPRE FILHA,
MÃE DE DEUS TORNOU-SE UM DIA.

ELA EM SI O TROUXERA OUTRORA,
COMO O SOL EM TREVA IMERSO,
EM DEUS PAI CONTEMPLA-O AGORA,
A REINAR SOBRE O UNIVERSO.


MÃE DE DEUS AO CÉU ERGUIDA,
SEJA ESTA PRECE  TUA:
DESTE A DEUS A NOSSA VIDA,
NOS CONCEDE AGORA A SUA.

LOUVOR SEJA AO PAI E AO FILHO
 E AO ESPÍRITO VITÓRIA,
POIS TE ALÇARAM DESTE EXÍLIO
AO PINÁCULO DA GLÓRIA.












RESPONSÓRIO DAS LAUDES:

HOJE A VIRGEM MARIA SUBIU PARA OS CÉUS.

E TRIUNFA COM CRISTO SEM FIM, PELOS SÉCULOS.

SUBIU PARA OS CÉUS.

GLÓRIA AO PAI, AO FILHO E AO ESPÍRITO SANTO.

HOJE A VIRGEM MARIA SUBIU PARA OS CÉUS.












RESPLENDENTE DE BELEZA,
FULGURANTE COMO A AURORA,
Ó FILHA DE SIÃO,
VÓS SUBISTES PARA OS CÉUS





I COR. 154,22-23
"COMO EM ADÃO TODOS MORREM,
 ASSIM TAMBÉM EM CRISTO TODOS REVIVERÃO.
PORÉM ,CADA QUAL SEGUNDO UMA ORDEM DETERMINADA:
EM PRIMEIRO LUGAR, CRISTO, COMO PRIMÍCIAS;
DEPOIS OS QUE PEERTENCEM A CRISTO."






ORAÇÃO:

DEUS ETERNO E TODO PODEROSOS,
QUE ELEVASTES À GLÓRIA DO CÉU
EM CORPO E ALMA
A IMACULADA VIRGEM MARIA, MÃE DO VOSSO FILHO,
 DAI-NOS VIVER ATENTOS ÀS COISAS DO ALTO
 A FIM DE PARTICIPARMOS DA SUA GLÓRIA.

POR NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, VOSSO FILHO,
 NA UNIDADE DO ESPÍRITO SANTO.



ORAÇÃO PESSOAL:

MÃE DE DEUS, SEJA LOUVADA EM VOSSA ASSUNÇÃO.

OBRIGADO POR MAIS UMA ANO PODER VOS FELICITAR POR ESSE EVENTO GRANDIOSO,
VENDO TUA GLÓRIA JUNTO AO TEU FILHO.

OBRIGADO PORQUE ESTAIS SEMPRE JUNTO DE NÓS, POR VOSSO AMOR DE MÃE, POR TUA BELEZA QUE DESFAZ AS TREVAS DE NOSSOS CORAÇÕES.

QUE NESTE DIA DE VOSSA ASSUNÇÃO, MÃE ,
EU TAMBÉM POSSA ME ELEVAR DAS TREVAS EM QUE VIVO,
DA LAMA QUE ME PUXA PARA ESTE MUNDO VAZIO,
DOS PENSAMENTOS QUE ME ACORRENTAM A UMA VIDA DE ILUSÃO.

AJUDE-ME , MÃE A ME ELEVAR, A SUBIR CONVOSCO PARA JUNTO DE CRISTO.

SINTO-ME PRESO E CONFUSO NESTE VALE DE LÁGRIMAS.

NÃO SEI , NEM ENTENDO NADA E A ÚNICA COISA PENSO É EM ME CONCENTRAR NO PRINCIPAL:
SER FELIZ INDEPENDENTE DE TUDO, AMANDO SEMPRE A DEUS ACIMA DE TUDO.

VÓS  QUE SOIS MÃE, OLHAI PARA MIM, COMPADECEI-VOS DE MINHA CONDIÇÃO PECADORA,
 GUIAI MEUS PASSOS, PARA QUE MEUS PÉS NÃO VACILEM E EU POSSA ENCONTRAR O CAMINHO CERTO.

AJUDE-ME , SENHORA, A COLOCAR EM ORDEM O JARDIM DE MINHA VIDA E DEIXAR  CONTEMPLAR AS BORBOLETAS QUE A ELE SE CHEGAREM.

ENSINE-ME A OLHAR SEMPRE PARA O CÉU E ASSIM NÃO ME MANCHAR COM AS ANGÚSTIAS DA TERRA.

COMO O VOSSO FILHO, JESUS, DISSE QUE A CADA DIA BASTA SEU CUIDADO,
E QUE NÃO NOS PREOCUPÁSSEMOS COM O DIA DE AMANHÃ,
QUE EU POSSO VIVER ESSE MISTÉRIO DE ABANDONO E POBREZA NAS MÃOS DE DEUS:

 O NADA TER, NEM QUERER SENÃO DEUS, SEU AMOR, VIVENDO EM SUPREMA ORAÇÃO.
  




sábado, 13 de agosto de 2011

DEFINIÇÃO SOLENE DO DOGMA DA ASSUNÇÃO - MUNIFICENTISSIMUS DEUS








TRECHO DA CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA DO PAPA PIO XII "MUNIFICENTISSIMUS DEUS", QUE FALA SOBRE A DEFINIÇÃO DA IGREJA SOBRE O DOGMA DA ASSUNÇÃO:



DEFINIÇÃO DO DOGMA DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA EM CORPO E ALMA AO CÉU





Introdução


1. Deus munificentíssimo, que tudo pode, e cujos planos de providência são cheios de sabedoria e de amor, nos seus imperscrutáveis desígnios, entremeia na vida os povos e dos indivíduos as dores com as alegrias, para que por diversos caminhos e de várias maneiras tudo coopere para o bem dos que o amam (cf. Rm 8,28).



2. o nosso pontificado, assim como os tempos atuais, tem sido assediado por inúmeros cuidados, preocupações e angústias, devido às grandes calamidades e por muitos que andam afastados da verdade e da virtude.

Mas é para nós de grande conforto ver como, à medida que a fé católica se manifesta publicamente cada vez mais ativa, aumenta também cada dia o amor e a devoção para com a Mãe de Deus, e quase por toda parte isso é estímulo e auspício de uma vida melhor e mais santa.








E assim sucede que, por um lado, a santíssima Virgem desempenha amorosamente a sua missão de mãe para com os que foram remidos pelo sangue de Cristo, e por outro, as inteligências e os corações dos filhos são estimulados a uma mais profunda e diligente contemplação dos seus privilégios.



3. De fato, Deus, que desde toda a eternidade olhou para a virgem Maria com particular e pleníssima complacência, quando chegou a plenitude dos tempos (Gl 4,4) atuou o plano da sua providência de forma que refulgissem com perfeitíssima harmonia os privilégios e prerrogativas que lhe concedera com sua liberalidade.

A Igreja sempre reconheceu esta grande liberalidade e a perfeita harmonia de graças, e durante o decurso dos séculos sempre procurou estudá-la melhor.

Nestes nossos tempos refulgiu com luz mais clara o privilégio da assunção corpórea da Mãe de Deus.



4. Esse privilégio brilhou com novo fulgor quando o nosso predecessor de imortal memória, Pio IX, definiu solenemente o dogma da Imaculada Conceição.

De fato esses dois dogmas estão estreitamente conexos entre si.

Cristo com a própria morte venceu a morte e o pecado, e todo aquele que pelo batismo de novo é gerado, sobrenaturalmente, pela graça, vence também o pecado e a morte.

Porém Deus, por lei ordinária, só concederá aos justos o pleno efeito desta vitória sobre a morte, quando chegar o fim dos tempos.

Por esse motivo, os corpos dos justos corrompem-se depois da morte, e só no último dia se juntarão com a própria alma gloriosa.


5. Mas Deus quis excetuar dessa lei geral a bem-aventurada virgem Maria.

 Por um privilégio inteiramente singular ela venceu o pecado com a sua concepção imaculada; e por esse motivo não foi sujeita à lei de permanecer na corrupção do sepulcro, nem teve de esperar a redenção do corpo até ao fim dos tempos.



6. Quando se definiu solenemente que a virgem Maria, Mãe de Deus, foi imune desde a sua concepção de toda a mancha, logo os corações dos fiéis conceberam uma mais viva esperança de que em breve o supremo magistério da Igreja definiria também o dogma da assunção corpórea da virgem Maria ao céu.


(...)



Definição solene do dogma


44. "Pelo que, depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus onipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos s. Pedro e s. Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial".



45. Pelo que, se alguém, o que Deus não permita, ousar, voluntariamente, negar ou pôr em dúvida esta nossa definição, saiba que naufraga na fé divina e católica.



46. Para que chegue ao conhecimento de toda a Igreja esta nossa definição da assunção corpórea da virgem Maria ao céu, queremos que se conservem esta carta para perpétua memória; mandamos também que, aos seus transuntos ou cópias, mesmo impressas, desde que sejam subscritas pela mão de algum notário público, e munidas com o selo de alguma pessoa constituída em dignidade eclesiástica, se lhes dê o mesmo crédito que à presente, se fosse apresentada e mostrada.



47. A ninguém, pois, seja lícito infringir esta nossa declaração, proclamação e definição, ou temerariamente opor-se-lhe e contrariá-la.

Se alguém presumir intentá-lo, saiba que incorre na indignação de Deus onipotente e dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo.






Dado em Roma, junto de São Pedro, no ano do jubileu maior, de 1950, no dia 1 ° de novembro, festa de todos os santos, no ano XII do nosso pontificado.


 
Eu PIO, Bispo da Igreja Católica assim definindo, subscrevi


A ASSUNÇÃO DA VIRGEM MARIA NA BÍBLIA




 A Bíblia registra Deus “tomando” Enoque e Elias ao Céu (Gênesis 5,24; II Reis 2,11). Por isto, não é impossível que Deus tenha feito o mesmo com Maria.

 Não há motivo para não se crer na Assunção de Maria, visto que muitos homens na Bíblia também foram elevados ao céu, como Moisés, apesar de morto (Jd 1,9), Henoc que "pela fé, foi levado, a fim de escapar à morte e não foi mais encontrado, porque Deus o levara (...)" (Hebreus, 11,5), Elias  que subiu num carro de fogo, e foi arrebatado por Deus, em corpo e alma (II Reis, II, 1-11).

São Paulo nos afirma que "Cristo ressuscitou dentre os mortos como primícias dos que morreram" ( I Cor 15,20) e que "assim como em Adão todos morreram, assim em Cristo , todos reviverão, cada qual porém em sua ordem; como primícias Cristo e, em seguida, os que forem de Cristo, na ocasião de sua vinda "(I Cor 15,22-23).

 São Paulo afirma que cada um ressurgirá "cada qual porém em sua ordem" (I Cor 15,23), dando a entender que  uns podem ressurgir primeiro que outros, algo que de fato aconteceu com alguns Santos como nos relata o Evangelho, logo após a morte do Senhor:

"E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados;
E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos."

Mateus 27,52,53


E ainda São Paulo diz: "Eis que vos revelo um mistério: nem todos morreremos, mas todos seremos transformados" ( I Cor 15,51), ou seja, nada nos impede em crer na Assunção de Maria, visto que "nem todos morreremos, mas todos seremos transformados" ( I Cor 15,51), ela pode muito bem ter sido levada em corpo e alma sim, como nos atestam os cristãos desde os primeiros séculos e é Dogma de nossa Santa Mãe Igreja.

A crença na Assunção é a crença na divindade de Cristo, pois se Deus se encarnou no seio da Virgem e tomou sua carne (João 1,14), não permitiria que sua própria carne glorificada, que não viu a corrupção (Atos 2,27.31) , e está no céu sentada a direita do Pai (Atos 2,30.34; 7,55-56), apodrecesse no túmulo, em sua Mãe.

Se Maria morreu de causas naturais,  se ela só dormiu, como dizem alguns, são detalhes que não sabemos, pois não há relato bíblico sobre a morte de Maria, algo que desmascara totalmente os argumentos protestantes, já que não podem afirmar que a Bíblia diga que a Mãe de Jesus morreu, nem muito menos podem afirmar que ela não foi assunta. 

Os primeiros cristãos sempre acreditaram nesta fé, logo, são mais dignos de fé que os protestantes surgidos mais de 1500 anos depois.

A única definição da Igreja sobre a morte de Maria é que:

"terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial".






Foto: "...em Cristo todos reviverão. Cada qual, porém, em sua ordem: como primícias, Cristo; em seguida, os que forem de Cristo, na ocasião de sua vinda." (I Coríntios 15,22-23)





Nada mais justo para com aquela que foi a Mãe do Nosso Senhor (Lc 1,43),e Nosso Deus ( Jo 1,1;14).

Ela que foi preservada da culpa de Adão ( Jó 14,4; Jó 15,14; Jó 25,4; Lc 1,28)  pelos méritos da paixão de seu Filho e em virtude do mistério de sua encarnação (Lc 1,35).

 Ela que é a Arca da nova Aliança (Apoc 11,19), (Hb 9,4) , já que teve em seu ventre o Verbo (Jo 1, 1), a Palavra de Deus, e o Maná, o Pão vivo (Jo 6,35), Jesus, descido do céu (Jo 6,38), o Templo perfeito da Trindade (Lc1,35).

Arca que foi vista pelo Apóstolo João no céu:

" Abriu-se o templo de Deus no céu e apareceu, no seu templo, a arca do seu testamento. Houve relâmpagos, vozes, trovões, terremotos e forte saraiva."
Apocalipse11, 19

Por isso, atribuímos o texto dos Cânticos dos Cânticos ao mistério da Assunçao de Maria :

"Levanta-te, Senhor, ao teu repouso, tu e a arca da tua força."
Salmos 132,7-8

O Senhor elevou-se ao céu e está sentado a direita do Pai (Lucas 24,51; Atos 2,30.34; 7,55-56) e para lá levou a Arca na qual Ele habitou nove meses e da qual tomou sua carne, que não podia ver a corrupção (Atos 2,27.31), agora glorificada (João 1,14; Apocalipse11, 19).

A entrada da Virgem Maria no céu sempre foi vista de forma alusiva no salmo 46 (45):

"As filhas dos reis estavam entre as tuas ilustres mulheres; à tua direita estava a rainha ornada de finíssimo ouro de Ofir.
 Ouve, filha, e olha, e inclina os teus ouvidos; esquece-te do teu povo e da casa do teu pai.
Então o rei se afeiçoará da tua formosura, pois ele é teu Senhor; adora-o.
E a filha de Tiro estará ali com presentes; os ricos do povo suplicarão o teu favor.
A filha do rei é toda ilustre lá dentro; o seu vestido é entretecido de ouro.
Levá-la-ão ao rei com vestidos bordados; as virgens que a acompanham a trarão a ti.
Com alegria e regozijo as trarão; elas entrarão no palácio do rei.
Em lugar de teus pais estarão teus filhos; deles farás príncipes sobre toda a terra.
Farei lembrado o teu nome de geração em geração; por isso os povos te louvarão eternamente."

Salmos 44 (45),8-17

A Virgem Maria é a Mulher vestida de sol (Apo 12,1), vestido entretecido de ouro, ornada de puro ouro de ofir (Sl 44,9.13), que são as suas virtudes as muitas graças das quais ela foi plenificada (Luc 1,28).

A Virgem Maria é a Bendita entre as mulheres (Luc 1,42),  de quem o Rei dos céus se afeiçoou da formosura (Luc 1,30; Sl 44,11)e escolheu para Esposa e Mãe (Mat 1,18; Luc 1,35).

A Virgem Maria é quem é lembrada de geração em geração como Ela mesma profetizou (Luc 1,50).

A Virgem Maria é que foi levada pelos anjos ao Rei (Sl 44,14; Apo 12,14).

 Alguns não católicos, que não compartilham da herança dos primeiros cristãos, afirmam que a doutrina da Assunção é o resultado de se elevar Maria a uma posição que se compara a de seu Filho. 

E dizem que alguns católicos romanos vão muito longe, e ensinam que Maria ressuscitou no terceiro dia, assim como Jesus, e que Maria ascendeu ao Céu, assim como Jesus.

 O Novo Testamento ensina que Jesus ressuscitou no terceiro dia (Lucas 24,7) e que Ele ascendeu corporeamente ao céu (Atos 1,9). Presumir  o mesmo em relação a Maria seria atribuir a ela alguns dos atributos de Cristo, dizem eles.

 Ensinar a Assunção de Maria seria, segundo eles, um passo na direção de torná-la igual a Cristo, essencialmente proclamando a divindade de Maria, fazendo que seja adorada, e que a ela se ore.

Desconhecem, no entanto, a verdadeira e sã doutrina da Igreja, que faz a diferença entre Ascensão de Jesus e Assunção de Maria.

Ascensão significa voltar para o alto, Jesus que desceu do céu retorna ao Pai, é o próprio Deus que volta de onde saiu.

Assunção significa ser elevada, Maria foi elevada ao céu, ela é humana, não divina, é o primeiro ser humano renovado por Cristo , a entrar no céu de corpo e alma após a Ressurreição do Senhor e antes do juízo final. 

Maria não é uma deusa. Houve até um grupo que cultuava Maria como Deusa e que foi condenado pela Igreja Católica como hereges.

Ela nasceu na terra e pela graça divina foi elevada ao céu, pois para nós, católicos , é lógico que Deus não permitiria que aquela que deu sua carne e sangue caísse em corrupção.

Se fomos remidos pelo sangue de Jesus e ele herdou esse sangue de Maria, já que ele era Deus e assumiu a carne e o sangue dela, era necessário que ela fosse pura, livre de pecado, sendo assim, também não poderia padecer nas mãos da morte, como Ele não padeceu. 

É por causa de Cristo que Maria é venerada, e não o contrário.

Como sustentar que Jesus é Deus, e nos salvou com seu sangue, se ele porventura se encarnasse no seio de uma mulher manchada pela culpa de Adão e herdasse o sangue do pecado?





Foto: "Levanta-te, Senhor, ao teu repouso, tu e a arca da tua força."
Salmos 132,7-8






O livro do Apocalipse também faz alusão ao mistério da assunção de Maria ( Apocalipse 12, 1-6;13-17):

"Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas.   Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz. (...)
 Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro.  (...)  Mas à Mulher foram dadas duas asas de grande águia, a fim de voar para o deserto, para o lugar de seu retiro, onde é alimentada por um tempo, dois tempos e a metade de um tempo, fora do alcance da cabeça da Serpente."

No livro dos Cânticos dos cânticos temos outras alusões ao mistério da assunção de Maria aos céus nos verículos:

"Quem é esta que sobe do deserto, como colunas de fumaça, perfumada de mirra, de incenso, e de todos os pós dos mercadores?"
Cânticos 3,5-6

"Quem é esta que sobe do deserto, e vem apoiada ao seu amado?"
Cânticos 8,4-5





PORQUE A BÍBLIA NÃO REGISTROU A MORTE E ASSUNÇÃO DE MARIA LITERALMENTE?


A Bíblia não registra a morte de Maria ou a menciona depois do capítulo 1 dos Atos dos Apóstolos. 

Porém a própria Bíblia diz que nem tudo foi escrito nela:

"Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que não caberiam no mundo os livros que seriam escritos." (João 21,25)

"Ademais, fez Jesus muitos outros sinais na presença dos seus discípulos, os quais não estão escritos neste livro. Porém, estes foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo e para que, crendo, tenhais vida em seu nome" (João 20,30-31).

"Tenho muitas outras coisas para escrever-vos, porém, não quero fazê-lo por tinta e papel, pois espero ir até vós e falar-lhes face a face, para que nosso gozo seja completo" (2 João 1,12).

 "O que ouviste de mim perante muitas testemunhas, encarrega a homens fiéis, que sejam idôneos, para ensinar também a outros" (2 Timóteo 2,2).


Assim, há muitas verdades de fé que não foram escritas claramente na Bíblia, pois quem veio primeiro foi a Igreja e não a Bíblia.

  A Bíblia foi uma construção, o Antigo Testamento já estava praticamente completo, mas o Novo estava em processo, já que o primeiro Evangelho, o de Marcos, foi escrito aproximadamente 30 ou 40 anos após a morte de Cristo (no ano 60 de nossa era), só para dar um exemplo.

Durante esse período, a fé era transmitida, em sua maioria, oralmente.

O próprio Apóstolo Paulo diz que ensinou o Evangelho, porém os livros dos evangelhos ainda não estavam prontos em sua época, assim o ensinamento dele era oral:

 "Vos recordo, irmãos, que o Evangelho com que vos evangelizei não é doutrina de homens" (Gálatas 1,11).

 "O que ouviste de mim perante muitas testemunhas, encarrega a homens fiéis, que sejam idôneos, para ensinar também a outros" (2Timóteo 2,2).

 "Permanecei, pois, constantes, irmãos, e conservai as tradições que aprendestes, ou por nossas palavras, ou por nossa carta" (II Tess.II, 14)

  "A palavra de Cristo habite em vós em toda sua riqueza, de sorte que com toda sabedoria vos possais instruir e exortar mutuamente. Sob a inspiração da graça cantai a Deus de todo o coração salmos, hinos e cânticos espirituais." Col 3,16

 Sabemos que Paulo foi o primeiro a escrever e sabemos que em sua Carta aos Coríntios fala da Última Ceia. Como aprendeu isto se ele não estava lá [na Ceia]? 

Certamente, não leu em parte alguma, pois até então não existia nenhum livro do Novo Testamento. 

De alguma pregação dos apóstolos é que aprendeu este mistério. Isto quer dizer que o ensino oral era o que berçava as primeiras comunidades cristãs.
 
São João, em sua segunda Carta, expressa:  

"Tenho muitas outras coisas para escrever-vos, porém, não quero fazê-lo por tinta e papel, pois espero ir até vós e falar-lhes face a face, para que nosso gozo seja completo" (2 João 1,12).

João não está dizendo que quer ir explicar-lhes a carta; para ele, é mais importante o ensino que lhes possa dar oralmente ao invés daquele lido em suas cartas. 

João sabe que ao ir pregar-lhes oralmente, o gozo dos fiéis será completo. 

Ademais, Jesus mandou que pregassem e não que escrevessem (Mateus 28,20); tão somente cinco apóstolos decidiram escrever: Pedro, João, Tiago Menor, Judas e Mateus; mas TODOS os Doze pregavam sem papel.

A razão pela qual se passou a escrever Cartas foi a impossibilidade dos Apóstolos alcançarem todos os povos. 

Perante esta situação, as cartas eram usadas para fazer-lhes algumas recomendações e exortações, PORÉM, NUNCA SUBSTITUÍRAM o ensino oral. 

Se lermos as Cartas, veremos que há muitas coisas que as comunidades deviam saber para que os autores apenas fizessem recomendações sobre elas. Eles não estendem suas cartas para ensinar-lhes coisas novas.
 
- Na Carta aos Coríntios, Paulo não os ensina como fazer a fração do pão, mas bem os repreende pela forma com que celebravam (1Coríntios 11).
- Na Carta aos Hebreus, não lhes repete os primeiros ensinamentos sobre Cristo; lhes dá por conhecidos (Hebreus 6,1-3).

Se lermos a Carta aos Gálatas, diz:
"Quisera estar convosco agora mesmo e mudar de tom, pois estou perplexo quanto a vós" (Gálata 4,20).

Paulo está consciente de que um povo deve estar escutando a pregação adequada para cada circunstância. Por isso fala em "mudar de tom". 

Com a simples Escritura, isso não era possível e, por essa razão, Paulo desejava ir à Galácia para fazer-lhes ver as coisas mediante um tom de voz apropriado.

 Se, por exemplo, alguém deixasse um recado a outra pessoa sobre algo, esta, quando chegasse, não saberia em que tom foi dito se a pessoa que tomou o recado não disser-lhe pessoalmente. Imagine-se, então, quando se tratar de levar o Evangelho de Cristo!

Fica-nos claro, assim, como a própria Escritura não busca ser autossuficiente, mas uma ferramenta a mais de Deus para comunicar-Se ao homem. Não que esteja abaixo da pregação apostólica, mas sujeita a esta.

 
 Um exemplo de que nem tudo foi escrito na Bíblia é a passagem que fala sobre a ascensão de Moisés na Carta de São de Judas:

 "Mas quando o arcanjo Miguel, discutindo com o Diabo, disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar contra ele juízo de maldição, mas disse: O Senhor te repreenda."
 Jd 1,9

 A fonte primária usada pelo autor da epístola de Judas em tal passagem provém de um livro apócrifo chamado Assemptio Mosis ou "Ascensão de Moisés". 

Orígenes já citava ter vindo deste livro a passagem de Judas. Este apócrifo, perdido ao longo dos tempos, foi encontrado no século XIX. Porém, infelizmente o manuscrito encontrado contêm apenas dois terços do texto original. E, para a nossa "desgraça" a parte que nos interessa é uma das que falta.

Com esses exemplos, podemos perceber que nem tudo foi escrito, mas tudo o que foi escrito é o suficiente para crermos em Cristo, motivo único das escrituras.




A FÉ DOS PRIMEIROS CRISTÃOS NA ASSUNÇÃO DE MARIA:


 A fé na assunção de Maria existe desde os primeiros séculos do cristianismo e é uma das festas mais antigas dedicadas a Maria

Os relatos da  assunção corpórea de Maria são encontrados em livros apócrifos De Obitu S. Dominae, ostentando o nome de S. João, no entanto, que pertence ao quarto ou quinto século.

Também é encontrado no livro De Transitu Virginis, falsamente atribuído a São Melito de Sardes, e em uma carta apócrifa atribuída a São Denis, o Areopagita.

Se formos consultar verdadeiros escritos no Oriente,  também é referida nos sermões de Santo André de Creta, de São João Damasceno , São Modesto de Jerusalém e outros.

No Ocidente, São Gregório de Tours (De gloria mart., I, iv) refere-la primeiro.

Os sermões de São Jerônimo e Santo Agostinho para esta festa, porém, são falsos.

São João Damasceno (PG, I, 96) formula assim a tradição da Igreja de Jerusalém:

São Juvenal, bispo de Jerusalém, no Conselho de Chalcedon (451), levadas ao conhecimento do Imperador Marcian e Pulquéria, que desejava possuir o corpo da Madre de Deus, que Maria morreu na presença de todos os Apóstolos, mas que o seu túmulo, quando aberto, a pedido, a São Tomé, foi encontrado vazio; qual os Apóstolos concluiu que o corpo foi levado até ao céu.

Hoje, a crença na Assunção de Maria é universal, no Oriente e no Ocidente


Mas se nem tudo está na Bíblia , então como saber a verdade?

Jesus disse que o Espírito Santo guiaria sua Igreja, fundada sobre Pedro, primeiro Papa,  e nunca a abandonaria, somente a fé em sua palavra é que pode nos guiar:


"Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do reino dos céus: tudo o que ligares na terra, será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra, será desligado nos céus." 
(Mt 16, 18-19)

"Eis que estou convosco todos os dias até o fim do mundo." 
(Mt 28,20)

 "Porém, quando vier o Espírito da Verdade, ele vos guiará a toda verdade (...) e vos fará saber as coisas que hão de vir" (Jo 16,13).

 "Guarda o mandato, preservando-o de tudo o que possa manchá-lo ou adulterá-lo até a vinda gloriosa de Cristo Jesus, Senhor nosso" (1Tim. 6,14).



O PODER DA IGREJA EM DOUTRINA:

E a Igreja Católica, em matéria de fé, ao definir seus dogmas não pode errar, pois é a única fundada pelo Senhor (Mateus 16,18) que disse que o inferno não a venceria, é  guiada pelo Espírito Santo que ensinará tudo (João 14,26) , e é a coluna e sustentáculo da verdade (I Timóteo 3,15).  

A doutrina da Igreja ainda é ensinada pelo Espírito Santo (João 14,26) e pelo poder dado por Cristo a Igreja deve definir sua doutrina, pois tudo o que ela ligar na terra será ligado no céu e tudo o que ela desligar, será desligado (Mateus 16,19; 18,18).

A Bíblia não diz que a própria Bíblia é coluna e sustentáculo da verdade, nem diz que tudo foi escrito nela (João 20,30-31; 21,25; 2 João 1,12; 2 Timóteo 2,2; II Tessalonicenses 2, 14) ), ao contrário, a Bíblia diz que a Igreja é a coluna e sustentáculo da verdade (I Timóteo 3,15). 







A DORMIÇÃO DE MARIA NA PARTE BAIXA DO ALTAR
E SUA ASSUNÇÃO NO ALTO.



Foto: "Quem é esta que sobe do deserto, como colunas de fumaça, perfumada de mirra, de incenso, e de todos os pós dos mercadores?"
Cânticos 3,5-6






















MILAGRES DE SANTA CLARA APÓS SUA MORTE III








Cura de Tumores da Garganta

 

Uma moça de Perusa sofrera longamente muita dor com uns tumores da garganta, que o povo chama de escrófulas.

Em sua garganta, dava para contar umas vinte bolhas, de modo que o pescoço dela parecia bem mais grosso que a cabeça.

Sua mãe levou-a muitas vezes ao túmulo da virgem Clara, onde, com toda devoção, implorava a santa em seu favor.

 Uma vez, a moça ficou a noite inteira deitada diante do sepulcro, suou muito e os tumores começaram a amolecer e a sair um pouco do lugar.

Com o tempo e pelos méritos de Santa Clara, desapareceram de tal modo que não sobrou absolutamente nenhum vestígio deles.


CURA DA IRMÃ ANDREA

 Ainda durante a vida da virgem Clara, uma Irmã chamada Andrea sofreu de um mal semelhante na garganta.

Certamente é estranho que, entre as brasas ardentes, se ocultasse alma tão fria e que, entre virgens prudentes, houvesse uma estulta imprudente.

O certo é que uma noite Andrea apertou a garganta até se afogar, para expulsar o inchaço pela boca, querendo sobrepor-se ao que Deus queria para ela.


Mas Clara, por inspiração, soube disso na mesma hora e disse a uma Irmã:

"Corra, corra depressa ao andar de baixo e faça a Irmã Andrea de Ferrara tomar um ovo quente. Depois venha aqui com ela".



A outra foi correndo e encontrou Andrea sem falar, quase afogada por ter se apertado com as mãos.

Ergueu-a como pôde e a levou consigo à madre. A serva de Deus lhe disse:

"Pobrezinha, confesse ao Senhor seus pensamentos, que até eu sei muito bem quais são.

O que você quis sarar vai ser curado pelo Senhor Jesus Cristo.

Mas mude de vida para melhor, porque você não vai se levantar de outra doença que vai ter".



A estas palavras, ela recebeu o espírito de compunção e mudou sua vida bem valorosamente para melhor.

 Pouco tempo depois, já curada do tumor, morreu de outra doença.










Os Salvados de lobos



A região costumava ser assolada pela ferocidade cruel dos lobos que, atacando os próprios homens, muitas vezes comiam carne humana.

Uma mulher chamada Bona, de Monte Galiano, na diocese de Assis, tinha dois filhos.

 Mal acabara de chorar por um, que os lobos tinham arrebatado, quando eles se precipitaram com a mesma ferocidade sobre o segundo.

A mãe estava em casa, nos afazeres familiares. O lobo meteu os dentes no menino que andava lá fora e, mordendo-o pela cabeça, correu depressa para o mato com a presa.

Ouvindo os gritos do menino, os homens que estavam nas vinhas gritaram para a mãe, dizendo: "Veja se seu filho está em casa, porque ouvimos há pouco uns gritos estranhos".


Quando a mãe viu que o filho tinha sido levado pelo lobo, levantou seus clamores para o alto e, enchendo o ar de gritos, invocou a virgem Clara, dizendo:



"Santa e gloriosa Clara, devolva meu pobre filho. Devolva, devolva o filhinho à mãe infeliz. Se não fizer isso, vou me matar na água".



Os vizinhos correram atrás do lobo e encontraram o menininho abandonado por ele na selva, com um cachorro lambendo suas feridas.

O animal selvagem começara mordendo a cabeça; depois, para levar mais facilmente a presa, abocanhou-a pela cintura, deixando marcas profundas da mordida nos dois lados.

A mulher, vendo atendido seu pedido, correu com as vizinhas para sua protetora e, mostrando as diversas feridas do menino a quem quisesse ver, deu muitas graças a Deus e a Santa Clara.



Uma menina do castelo de Canara sentara-se em pleno dia no campo com outra mulher, reclinando a cabeça em seu regaço.

Então, um lobo à caça de gente chegou furtivamente à presa.

 A menina viu-o, mas achou que era um cão e não se assustou. Continuou a acariciar os cabelos e a fera truculenta avançou em cima dela, prendeu-lhe o rosto com suas amplas fauces abertas e correu com a presa para o mato.



A mulher assustada levantou-se depressa e, lembrando-se de Santa Clara, começou a gritar: "Socorro, Santa Clara, socorro! Eu lhe encomendo agora esta menina!".

Então, coisa incrível, a que estava sendo levada nos dentes do lobo increpou-o:

"Você ainda vai me levar, ladrão, depois que me encomendaram a tão santa virgem?".

 Confundido, ele a depositou logo suavemente no chão e fugiu, como um ladrão surpreendido.








CLARA, SERVA DE CRISTO, CONFIO EM TUAS ORAÇÕES,
ORAI POR MIM A DEUS!