quinta-feira, 29 de março de 2018

MANTRAS CATÓLICOS - A MEDITAÇÃO CRISTÃ CATÓLICA - O QUE É? COMO É?




Gosto muito de usar mantras em minhas orações. Achei o vídeo acima com alguns que uso. 

 O mantra é uma frase ou palavra repetida quantas vezes quiser para nos levar a acalmar a mente, meditar e orar.  

O mantra quer dizer etimologicamente instrumento para pensar. É, segundo a filosofia religiosa hinduísta, uma palavra sagrada que representa a essência sutil e concreta de todas as coisas; tem poder divino como o tem a Divindade que o mantra exprime; materializa o poder da divindade invocada.

De todos os mantras o mais usual, no hinduísmo, é o fonema OM, que pode ser decomposto em A-UM, símbolo do Absoluto.



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Na meditação católica, o mantra possui outra perspectiva. Não seria uma palavra mágica para acessar o divino, mas apenas um refrão que nos ajuda a meditar.

A meditação, no Cristianismo Católico,  é  a reflexão sobre algum ponto do patrimônio da fé, reflexão que mobiliza em certo grau a inteligência (e pode valer-se da memória e da imaginação); tem por objetivo avaliar mais profundamente o significado preciso das verdades reveladas, a fim de que o fiel chegue à oração e à mais íntima união com Deus.

Para obter este resultado, o cristão conta com a graça do Senhor, que lhe é concedida sem especiais artifícios de ordem física; compreende-se, porém, que o silêncio exterior e o silêncio inferior (no íntimo do orante) sejam condições oportunas para que possa haver reflexão ou meditação e oração. Não há postura física recomendada em particular no roteiro da meditação católica.



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O exercício assim concebido é dito no Antigo Testamento “ruminar”; cf. Sl 1, 2. Entre os cristãos, este “ruminar” é praticado de preferência sobre o Evangelho e os feitos da Redenção. S. Agostinho (+ 430) o expõe nos seguintes termos:


“Quando tu ouves ou lês, tu comes; quando meditas  o que acabas de ouvir ou ler, tu ruminas a fim de ser um animal puro e não  um impuro” Enarratio in Psalmum 36, sermo 3).


Este texto supõe que Jesus Cristo seja o alimento da alma, alimento oferecido não só pela Eucaristia, mas também pela palavra bíblica. 

A reflexão assídua sobre essa Palavra é tida como “ruminação”, ruminação que caracteriza os animais puros conforme Lv 11, 3 e Dt 14, 6. O cristão, tendo lido ou ouvido a Palavra de Deus, quer saboreá-la e assimilá-la interiormente para que frutifique em sua vida.


A tradição dos monges desenvolveu esta prática, (Lectio Divina) assinalando quatro etapas para a  oração cristã:


1) a leitura do texto sagrado, leitura pausada, feita na presença de Deus, até que o leitor encontre uma frase ou um versículo  que o impressione por sua densidade; pare então e passe para


2) a meditação, procurando aprofundar o que o texto quer dizer; pode usar todas as faculdades da mente (intelecto, imaginação, memória…) para ir ao âmago do que o texto quer dizer; considere quem é Deus que fala e age…, quem é a criatura, objeto da ação de Deus, … quais as circunstâncias em que tal ação ocorre segundo o texto sagrado…


3) oração ou colóquio com Deus … a fim de adorá-lo, agradecer-Lhe, pedir-Lhe perdão e suplicar-Lhe as graças necessárias para  corresponder exatamente à mensagem do Senhor. Por último, o orante se entre à


4) contemplação: deixa-se ficar tranqüilo, em silêncio interior, na presença de Deus, saboreando espiritualmente as verdades recordadas e procurando ouvir o que o Senhor tenha a lhe dizer…


Estas quatro etapas de oração constituem o que também se chama lectio divina; foram e são muito usuais em ambientes monásticos católicos. 

Do século XVI em diante, novos métodos de oração, inspirados por escolas de espiritualidade modernas, têm-se propagado entre os fiéis católicos; guardam todos a mesma atitude de pobreza interior, humildade. Confiança na graça de Deus, expansão da vida sacramental… São, entre outras,


– a escola inaciana, de S. Inácio de Loiola (+ 1556); os “Exercícios Espirituais” propõem o método das três faculdades da alma, a aplicação dos sentidos, a contemplação dos mistérios (ou da vida terrestre) de Cristo;


– a escola carmelitana e sua prática de meditação;


– a escola dominicana e seus exercícios de oração;


– a escola de S. Francisco de Sales e seu estilo de meditação adaptada à vida do cristão no mundo;


– a escola oratoriana, com seus mestres J. J. Olier e São João Eudes;


– a escola de São João Batista de La Salle, voltada para Religiosos não sacerdotes.


Tal é a riqueza da meditação cristã católica, fiel aos grandes princípios da fé e isenta de concepções panteístas.


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ALGUMAS FONTES:







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