quinta-feira, 8 de setembro de 2016

DEVOÇÃO E ORAÇÃO A NOSSA SENHORA MENINA [COM PROMESSAS]







Flor de Primavera, Lírio de Pureza,
Doce Ventre de Ana que guardou o Coração da Mãe de Deus.
Maria,beleza Infantil, Coração de Criança,
Alma Delicada que todos os anjos veneram.
Sede a minha inspiração, Menina Pura de Deus
Sede a minha força, Encanto do Espírito Santo
Sede para mim a Luz que me leva ao céu
Maria, menina, ensina-me a amar a Deus como tu o amastes
Desde a mais tenra idade
Orgulho do Filho de Deus,
Rogai por mim
e obtenha de Deus a pureza de criança para a minha alma.
Amém.


Promessas desta oração feitas por Nossa Senhora em aparição:

1. Todos aqueles que assim fizerem, terão a minha proteção materna durante toda a sua vida.

2. As crianças que recitarem esta oração jamais se perderão.

3. Os doentes, moribundos, que ofenderam o meu Filho com pecados de impureza, verão a minha misericórdia socorrê-los.

4. As gestantes, em trabalho de parto, que rezarem esta oração verão o meu auxilio materno.

5. As religiosas que se encontrarem em luta contra as forças infernais verão banido todo o mal.

6. Aqueles que recitarem em família verão o meu auxilio em forma de graças abundantes.

Obs. Esta oração muito agradará o coração de Nossa Senhora se rezada nos cinco dias antes do seu aniversário.




FELIZ ANIVERSÁRIO, VIRGEM SANTÍSSIMA MARIA!
TODAS AS GERAÇÕES TE PROCLAMARÃO BENDITA PARA SEMPRE!

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

EVANGELHO APÓCRIFO DA ASSUNÇÃO ( DE SÃO JOÃO)

SÃO JOÃO EVANGELISTA, O TEÓLOGO - A PASSAGEM DA SANTA MÃE DE DEUS






Quando a santíssima e gloriosa Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, segundo o seu costume, ia ao sepulcro do Senhor para queimar aromas e dobrava seus santos joelhos, costumava suplicar a Cristo, seu filho e nosso Deus, que se dignasse vir até ela.

Ao notar a assiduidade com que ela se acercava da sagrada tumba, os judeus foram até os príncipes dos sacerdotes para dizer-lhes: "Maria vai todos os dias ao sepulcro". Aqueles chamaram os guardas que haviam sido colocados ali com o objetivo de impedir que alguém se aproximasse para orar junto ao sagrado monumento, e começaram a fazer averiguações para saber se era verdade o que se dizia com relação a ela. Os guardas responderam que não haviam notado nada, pois de fato, Deus não lhes permitia aperceberem-se da sua presença.

Certo dia, numa sexta-feira, a santa Maria foi, como de costume, ao sepulcro. E, enquanto estava orando, aconteceu que os céus se abriram e o arcanjo Gabriel desceu até ela e lhe disse: "Deus a salve, ó mãe de Cristo nosso Deus; tua oração, depois de atravessar os céus, chegou até a presença de teu Filho e foi ouvida. Por isto abandonarás o mundo daqui a pouco e partirás, conforme teu pedido, para as mansões celestiais, ao lado de teu Filho, para viver a vida autêntica e perene".

Tendo ouvido isto dos lábios do santo arcanjo, voltou até a cidade santa de Belém, tendo junto de si as três donzelas que a atendiam. Quando, então, repousava um pouco, ergueu-se e disse-lhes: "Trazei-me um incensório, que vou orar". E elas o trouxeram, conforme lhes havia sido ordenado. Depois pôs-se a orar desta maneira: "Senhor meu Jesus Cristo, que por tua extrema bondade houveste por bem ser gerado por mim, ouve minha voz e envia-me o teu apóstolo João para que a sua visão me propicie o início da boa sorte. Manda-me também o restante dos teus apóstolos, aqueles que já foram ter contigo e aqueles que ainda se encontram nesta vida, de onde estiverem, para que, ao vê-los novamente, possa eu abençoar teu nome, sempre louvável. Sinto-me animada porque atendes à tua serva em todas as coisas".







Quando ela estava orando, eu, João, apresentei-me, já que fui arrebatado pelo Espírito Santo que me trouxe de Éfeso sobre uma nuvem, deixando-me depois no lugar onde estava a mãe de meu Senhor. Entrei, então, até onde ela se encontrava e dei graças ao seu Filho; depois disse: "Salve, ó mãe de meu Senhor, aquela que gerou a Cristo nosso Deus; alegrate, porque irás sair deste mundo muito gloriosamente".



A santa mãe de Deus louvou a Deus porque eu, João, havia chegado junto a ela, lembrando-se daquela voz do Senhor que disse: "Eis aqui a tua mãe e eis aqui o teu filho".
Nesse momento as três jovens vieram e prostraram-se diante dela. Então a santa mãe de Deus dirigiu-se a mim, dizendo-me: "Vem orar e jogar incenso". Eu orei desta maneira: "Senhor Jesus Cristo, que fizeste tantas maravilhas, faz alguma também neste momento, à vista daquela que Te gerou; que tua mãe saia desta vida e que sejam abatidos aqueles que Te crucificaram e aqueles que não acreditaram em Ti".

Depois que dei por terminada minha oração, a santa Maria disse-me: "Traz-me o incensório". E, tomando-o, ela exclamou: "Glória a Ti, meu Deus e Senhor, foi cumprido em mim o que prometeste antes de subir aos céus, que, quando fosse a minha vez de sair deste mundo, virias ao meu encontro cheio de glória e rodeado de uma multidão de anjos".

Então eu, João, disse-lhe: "Jesus Cristo, nosso Senhor e Deus, já está para vir; e tu o verás, conforme Ele prometeu". Ao que respondeu a santa mãe de Deus: "Os judeus fizeram o juramento de queimar meu corpo quando eu morreu". Eu respondi: "Teu santo e precioso corpo não verá a corrupção". Ela então replicou: "Anda, pega o incensório, esparze incenso e ora". E do céu veio uma voz dizendo amém.

Eu ouvi esta voz, e o Espírito Santo disse-me: "João, ouviste essa voz que foi emitida no céu depois que a oração terminou?" Eu respondi-lhe: "Sim, eu ouvi". Então o Espírito Santo acrescentou: "Esta voz que escutaste é sinal da iminente chegada de teus irmãos aos apóstolos e das tuas santas hierarquias, pois hoje reunir-se-ão aqui".

Eu, João, pus-me então a orar. E o Espírito Santo disse aos apóstolos: "Vinde todos e sobre as nuvens, dos confins da terra, e reuni-vos na santa cidade de Belém para assistir a mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo que está em comoção: Pedro, de Roma, Paulo, da Tibéria, Tomé, do centro das Índias, Tiago, de Jerusalém".

André, o irmão de Pedro, e Felipe, Lucas e Simão Cananeu, juntamente com Tadeu, os quais já haviam morrido, foram despertados de seus sepulcros pelo Espírito Santo. Este dirigiu-se a eles e disse-lhes: "Não creiais que já chegou a hora da ressurreição. A razão pela qual neste momento surgis de vossas tumbas é que haveis de ir prestar preito à mãe de vosso Salvador e Senhor Jesus Cristo, tributando-lhe uma maravilhosa homenagem; pois chegou a hora de sua saída deste mundo e de sua partida para os céus".

Também Marcos, ainda vivo, chegou de Alexandria juntamente com os outros, chegados, como foi dito, de todos os países, Pedro, arrebatado por uma nuvem esteve no meio do céu e da terra sustentado pelo Espírito Santo, enquanto os demais apóstolos por sua vez também eram arrebatados sobre as nuvens para se encontrarem com Pedro. E assim, desta maneira, como fica dito, todos foram chegando por obra do Espírito Santo.

Entramos depois no lugar onde estava a mãe de nosso Deus e, prostrados em atitude de veneração, dissemo-lhes: "Não tenhas medo nem aflição. O Senhor Deus, a quem deste à luz, tirar-te-á deste mundo gloriosamente". E ela, regozijando-se em Deus seu salvador, ergueu-se no leito e disse aos apóstolos: "Agora sim eu creio que nosso Deus e mestre já vem do céu, que o vou contemplar e que hei de sair desta vida da mesma maneira pela qual eu vos vi apresentar-vos aqui. Quero que me digais como tomastes conhecimento da minha partida e vos apresentastes a mim e de quais países e latitudes viestes, já que viestes visitarme com tanta presteza. Embora havereis de saber que meu filho, nosso Senhor Jesus Cristo e Deus universal, não quis ocultar-me, pois estou firmemente persuadida, mesmo neste momento, de que Ele é o Filho do Altíssimo".

Então Pedro dirigiu-se aos apóstolos nestes termos: "Cada um de nós, de acordo com o que nos foi anunciado e ordenado pelo Espírito Santo, dê a informação à mãe de Nosso Senhor".

Eu, João, de minha parte respondi e disse: "Encontrava-me em Éfeso e, enquanto me aproximava do santo altar para celebrar os ofícios, o Espírito Santo disse-me: `Chegou para a mãe do teu Senhor a hora de partir; põe-te então a caminho de Belém para despedir-te dela'. Nesse instante uma nuvem luminosa arrebatou-me e colocou-me na porta da casa onde tu jazes".

Pedro respondeu: "Eu também, quando me encontrava em Roma, ouvi uma voz da parte do Espírito Santo, a qual me disse: `A mãe de teu Senhor, tendo já chegado sua hora, está para partir; põe-se então a caminho de Belém para despedir-te dela'. E eis que uma nuvem luminosa arrebatou-me, e pude ver também os demais apóstolos que vinha até mim sobre as nuvens e percebi uma voz que dizia: `Ide todos a Belém'".

Paulo, por sua vez, respondeu e disse: "Também eu, enquanto me encontrava numa cidade a pouca distância de Roma, chamada terra dos Tibérios, ouvi o Espírito Santo que me dizia: `A mãe de teu Senhor está para abandonar este mundo e empreender por meio da morte a sua caminhada aos céus; põe-te tu também então a caminho de Belém para despedir-te dela'. E nesse momento uma nuvem luminosa arrebatou-me e colocou-me no mesmo lugar em que estais".

Tomás, por sua vez, respondeu e disse: "Também eu encontrava-me percorrendo o país dos hindus, e à medida que pregava ia conquistando confiança, com a graça de Cristo, quando o filho da irmã do rei, de nome Lavdan, estava para receber de mim o selo de batismo, no palácio, de repente o Espírito Santo disse-me: `Tu, Tomás, apresenta-te também em Belém para despedir-te da mãe do Senhor, pois o seu trânsito para os céus está para se efetuar'. Nesse momento uma nuvem luminosa arrebatou-me e trouxe-me à vossa presença".

Marcos, por sua vez, respondeu e disse: "Eu me encontrava na cidade de Alexandria, celebrando o ofício da terça e, enquanto orava, o Espírito Santo arrebatou-me trouxe-me à vossa presença".

Tiago respondeu e disse: "Enquanto me encontrava em Jerusalém, o Espírito Santo intimou-me com esta ordem: `Vai a Belém, pois a mãe de teu Senhor está para partir'. E uma nuvem luminosa arrebatou-me e colocou-me na vossa presença".

Mateus, por sua vez, respondeu e disse: "Eu dei graças e continuo dando graças a Deus porque, estando cheio de agitação ao encontrar-me dentro de uma embarcação e ver o mar alvoroçado pelas ondas, veio de repente uma nuvem luminosa e deitou sua sombra sobre a fúria da tempestade, acalmando-a; depois tomou-me e colocou-me junto a vós".

Por sua vez aqueles que haviam vindo anteriormente responderam e narraram de que maneira se haviam apresentado. Bartolomeu disse: "Eu encontrava-me na Tebaida pregando a palavra, e eis que o Espírito Santo dirigiu-se a mim nestes termos: `A mãe de teu Senhor está para partir; põe-te então, a caminho de Belém para despedir-te dela'. E eis que uma nuvem luminosa arrebatou-me e trouxe-me até vós".

Tudo isto foi dito pelos apóstolos à santa mãe de Deus: Como e de que maneira haviam feito a viagem. E depois ela estendeu suas mãos aos céus e orou dizendo: "Adoro, exalto e glorifico teu celebradíssimo nome, pois puseste teus olhos na humildade da tua escrava e fizeste em mim grandes coisas. Tu que és poderoso. E eis que todas as gerações chamarme-ão bem-aventurada".

Quando deu por terminada sua oração, disse aos apóstolos: "Lançai incenso e orai". E, enquanto eles oravam, produziu-se um trovão no céu e uma voz terrível fez-se ouvir. E nesse instante apareceu um imenso exército de anjos e e ouviu-se uma voz como a do Filho do Homem. Ao mesmo tempo, os serafins circundaram a casa onde jazia a santa e imaculada virgem e mãe de Deus. De tal maneira que tantos quantos estavam em Belém viram todas estas maravilhas e foram a Jerusalém anunciando todos os prodígios acontecidos.

Sucedeu que, depois que se ouviu aquela voz, o sol apareceu de repente ao mesmo tempo que a lua, ao redor da casa. E um grupo de primogênitos dos santos apresentou-se na casa onde jazia a mãe do Senhor para sua honra e glória. E vi também que muitos milagres aconteceram; cegos que voltavam a ver, surdos que ouviam, coxos que andavam, leprosos que se tornavam limpos e possuídos por espíritos imundos que eram curados. E todo aquele que se sentia acometido por alguma doença tocava pelo lado de fora o muro da casa onde ela jazia e gritava: "Santa Maria, mãe de Cristo, nosso Deus, tem compaixão de nós". 
E imediatamente sentiam-se curados.

E grandes multidões, vindas de diversos países, que se encontravam em Jerusalém por motivo de oração, ouviam os prodígios que se operavam em Belém através da mãe do Senhor e apresentaram-se naquele lugar suplicando a cura de diversas enfermidades: coisa que obtiveram. E aquele dia produziu uma alegria inenarrável, e enquanto a multidão dos curados e dos espectadores davam graças a Cristo nosso Deus e à sua mãe. E Jerusalém inteira, ao voltar de Belém, festejava cantando salmos e hinos. 

Os sacerdotes dos judeus, por sua vez, e todo o seu povo, estavam extáticos de admiração pelo ocorrido. Mas, dominados por uma violentíssima paixão, e depois de se terem reunidos em conselho, levados pelo seu raciocínio néscio, decidiram ir contra a santa mãe de Deus e contra os santos apóstolos que se encontravam em Belém. Mas, tendo a multidão dos judeus se posto a caminho de Belém, aconteceu que à distância de uma milha uma visão terrível apresentou-se-lhes e eles ficaram com os pés como que amarrados, e voltaram aos seus conterrâneos e narraram aos príncipes dos sacerdotes tudo sobre a terrível visão.

Mas aqueles, sentindo-se ainda mais irados, foram à presença do governador gritando e dizendo: "A nação judaica veio abaixo por causa dessa mulher; expulsa-a de Belém e da comarca de Jerusalém". Mas o governador, surpreendido pelos milagres, replicou: "Eu, de minha parte, não a expulsarei nem de Jerusalém nem de nenhum outro lugar". Mas os judeus insistiam falando muito e rogando-lhes pela saúde de César Tibério que expulsasse os apóstolos de Belém, dizendo: "E, se assim não o fizeres, informaremos o imperador a respeito". Então viu-se constrangido a enviar um quiliarca a Belém contra os apóstolos.

O Espírito Santo disse, então, aos apóstolos e à mãe do Senhor: "Eis que o governador enviou um quiliarca contra vós por causa dos judeus que se amotinaram. Saí, então, de Belém e não temais, porque eu vos transportarei numa nuvem até Jerusalém, e a força do Pai, do Filho e do Espírito Santo está convosco".

Os apóstolos levantaram-se e saíram da casa levando a liteira da Senhora, a mãe de Deus, e dirigiram seus passos a caminho de Jerusalém. Mas de repente, conforme o Espírito Santo havia dito, foram arrebatados por uma nuvem e encontraram-se em Jerusalém na casa da Senhora. Uma vez ali, levantaram-se e cantaram hinos durante cinco dias ininterruptamente.

Quando o quiliarca chegou a Belém, ao não encontrar ali nem a mãe do Senhor nem os apóstolos, deteve os belemitas, dizendo-lhes: "Não sois vós aqueles que vieram contar ao governador e aos sacerdotes todos os milagres e prodígios que acabam de acontecer e não lhes dissestes que os apóstolos vieram de todos os países? Então, onde estão? Agora ponde  todos imediatamente a caminho de Jerusalém para apresentá-los diante do governador".

Note-se que o quiliarca não estava inteirado da retirada dos apóstolos e da mãe do Senhor para Jerusalém. Então, o quiliarca prendeu os belemitas e apresentou-se ao governador para dizer-lhe que não havia encontrado ninguém. Cinco dias depois chegou ao conhecimento do governador, dos sacerdotes e de toda a cidade que a mãe do Senhor, em companhia dos apóstolos, encontravam-se em sua própria casa em Jerusalém, graças aos prodígios e maravilhas que ali aconteceram. E uma multidão de homens, mulheres e virgens reuniram-se gritando: "Santa Virgem, mãe de Cristo nosso
Deus, não te esqueças da raça humana".

Diante destes acontecimentos, tanto o povo judeu quanto os sacerdotes sentiram-se ainda mais joguetes da paixão; e, atirando lenha ao fogo, arremeteram contra a casa onde estava a mãe do Senhor em companhia dos apóstolos, com a intenção de queimá-la. O governador contemplava o espetáculo de longe. Mas, no exato momento em que o povo judeu chegava às portas da casa, eis que, por obra de um anjo, saiu do seu interior uma labareda que abrasou um grande número de judeus. Com isto a cidade inteira ficou assustada e cheia de temor e todos deram graças ao Deus que foi gerado por ela.

Quando o governador viu o que sucedera, dirigiu-se a todo o povo, dizendo aos brados: "Na verdade Aquele que nasceu da Virgem, Aquele que vós maquinastes perseguir, é filho de Deus, pois estes sinais são próprios do verdadeiro Deus". Assim, então, produziu-se uma cisão entre os judeus, e muitos acreditaram no nome do Nosso Senhor Jesus Cristo graças aos prodígios realizados.

Depois que se operaram estas maravilhas por intermédio da mãe de Deus e sempre Virgem Maria, mãe do Senhor, enquanto nós, os apóstolos, encontravamo-nos com ela em Jerusalém, o Espírito Santo disse-nos: "Já sabeis que foi num domingo que teve lugar a anunciação do arcanjo Gabriel à Virgem Maria, e que foi num domingo que nasceu o Salvador em Belém, e que foi num domingo que os filhos de Jerusalém saíram com palmas ao seu encontro dizendo: `Hosana nas alturas! Bendito o que vem em nome do Senhor', e que foi num domingo que ressuscitou de entre os mortos, e que num domingo haverá de vir julgar os vivos e os mortos e que, finalmente, num domingo haverá de baixar dos céus para honrar e glorificar com a sua presença a partida da santa e gloriosa virgem que lhe deu à luz".

Nesse mesmo domingo a mãe do Senhor disse aos apóstolos: "Atirai incenso, pois Cristo já está vindo com um exército de anjos". No mesmo instante Cristo apresentou-senos sentando sobre um trono de querubins. E, enquanto todos estávamos orando, apareceram multidões incontáveis de anjos, e o Senhor estava pleno de majestade sobre os querubins. E eis que um eflúvio resplandecente irradiou-se sobre a santa Virgem por virtude da presença de seu Filho Unigênito, e todas os espíritos celestiais caíram por terra e O adoraram.





O Senhor dirigiu-se então à sua mãe e disse-lhe: "Maria." Ela respondeu: "Aqui me tens, Senhor". Ele disse-lhe: "Não te aflijas; melhor será que teu coração se alegre e sinta gozo, pois encontraste graça para poder contemplar a glória que me foi dada pelo meu Pai".

A santa mãe de Deus elevou então seus olhos e viu nele uma glória tamanha, que é inefável para a boca do homem e incompreensível. O Senhor permaneceu ao seu lado e continuou dizendo: "Eis que a partir deste momento teu corpo será transportado ao paraíso, enquanto que tua santa alma estará nos
céus, entre os tesouros de meu Pai, coroada de um extraordinário resplendor, onde há paz e alegria próprias dos santos anjos e mais ainda".

A mãe do Senhor respondeu e disse-lhe: "Senhor, impõe-me tua mão direita e abençoeme". O Senhor estendeu sua santa mão direita e abençoou-a. Ela a estreitou e cobriu-a de beijos enquanto ela dizia: "Adoro esta mão direita que criou o céu e a terra. E rogo em teu nome sempre abençoado, ó Cristo-Deus, Rei dos séculos, Unigênito do Pai! Recebe a tua serva, Tu que Te dignaste encarnar através de mim, a pobrezinha, para salvar a raça humana segundo teus inefáveis desígnios. Concede tua ajuda a todo aquele que invoque ou que rogue ou que simplesmente faça menção ao nome da tua serva".

Enquanto ela dizia estas coisas, os apóstolos chegaram junto aos seus pés e, venrando-a, disseram-lhe: "Deixa, ó mãe do Senhor uma benção ao mundo, posto que vais abandoná-lo. Já o abençoaste e o ressuscitaste, perdido como estava, ao gerares tu a luz do mundo." 

E a mãe do Senhor, tendo-se colocado em oração, fez esta súplica: "Deus, que pela imensa bondade enviaste o teu Filho Unigênito para habitar este humilde corpo e Te dignaste a ser gerado por mim, a pobrezinha, tem compaixão do mundo e de toda a alma que invocar teu nome".

Orou novamente desta maneira: "Senhor, Rei dos céus, Filho do Deus vivo, recebe todo homem que invoque teu nome para que o teu nascimento seja glorificado". Depois pôs-se novamente a orar, dizendo: "Senhor Jesus Cristo, que podes no céu e na terra, esta é a súplica que dirijo ao teu santo nome: santifica para todo o sempre o lugar que se celebre a memória de meu nome e concede glória aos que Te dão graças por mim, recebendo delas toda a oferenda, toda a súplica e toda a oração".

Depois de haver ela orado desta maneira, o Senhor disse à sua própria mãe: "Alegra-te e regozija-te, pois todas as formas de graças e de dons foram dados por meu Pai celestial, por mim e pelo Espírito Santo. Toda alma que invocar o teu nome ver-se-á livre da confusão e encontrará misericórdia, consolo, ajuda e amparo neste século e no futuro diante de meu Pai celestial".

O Senhor voltou-se e disse a Pedro, então: "Chegou a hora de dar início à salmodia". E Pedro entoou e todas a potências celestiais responderam com Aleluia. Então um resplendor mais forte que a luz enalteceu a face da mãe do Senhor e ela levantou-se e foi abençoando com a sua própria mão cada um dos apóstolos. E todos deram glória a Deus. E o Senhor, depois de estender suas mãos puras, recebeu sua alma santa e imaculada.

No momento da sua imaculada alma sair, o lugar viu-se inundado de perfume e de uma luz inefável. E eis que se ouviu uma voz do céu que dizia: "Bendita és tu entre as mulheres". Então Pedro, e também eu João, e Paulo e Tomé, abraçamos com toda a pressa os seus santos pés para que fôssemos santificados. E os doze apóstolos, depois de depositar seu santo corpo na ataúde, levaram-no.

Eis que, durante a caminhada, certo judeu chamado Jefonias, robusto de corpo, atirou-se impetuosamente contra o féretro que os apóstolos levavam. Mas imediatamente um anjo do Senhor, com força invisível e servindo-se de uma espada de fogo, separou as duas mãos dos seus respectivos braços e deixou-as penduradas no ar ao longo do féretro.

Ao operar-se este milagre, todo o povo judeu que havia presenciado exclamou aos brados: "Realmente é Deus o Filho a quem deste à luz, ó mãe de Deus e sempre Virgem Maria." 

E o próprio Jefonias, intimado por Pedro para que reconhecesse as maravilhas do Senhor, levantou-se por detrás do féretro e pôs-se a gritar: "Santa Maria, tu que geraste Cristo-Deus, tem compaixão de mim". Pedro então dirigiu-se a ele e disse-lhe: "Em nome de seu Filho, que as mãos que estão separadas de ti se juntem". E apenas pronunciou essas palavras, as mãos que estavam dependuradas ao longo do féretro da Senhora separaram-se dele e de novo uniram-se a Jefonias. E com isto ele próprio acreditou e deu graças a CristoDeus, que foi gerado por ela.

Operado este milagre, os apóstolos levaram o féretro e depositavam o seu santo e venerado corpo no Getsêmani, num sepulcro novo. E eis que daquele santo sepulcro de Nossa Senhora, a mãe de Deus, desprendia um delicado perfume. 

E durante três dias consecutivos ouviram-se vozes de anjos invisíveis que davam graças a seu Filho, Cristo nosso Deus. Mas, ao término do terceiro dia, deixaram de ouvir-se as vozes, com isto ficaram cientes de que o seu venerável e imaculado corpo havia sido transportado ao paraíso.


Verificado que ele havia sido transportado, vimos imediatamente Isabel, a mãe de São João Batista, e Ana, a mãe de Nossa Senhora, e Abraão, e Isaac, e Jacó e Davi que cantavam a Aleluia. E vimos também todos os coros dos santos que adoravam a venerável relíquia de luz, cujo resplendor não se compara a nada. 

E o local onde teve lugar o transporte de seu santo e venerável corpo ao paraíso estava saturado de perfume. E fez-se ouvir a melodia daqueles que cantavam hinos ao seu Filho, e era tão doce que somente às virgens é dado escutá-lo; e era tal, que nunca chegava a parecer demais.

Nós os apóstolos, após contemplarmos o augusto transporte de seu santo corpo, pusemo-nos a dar graças a Deus por haver permitido conhecermos suas maravilhas na passagem da mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Por cujas orações e intercessão sejamos dignos de alcançar o poder de viver sob seu abrigo, amparo e proteção neste século e no futuro, dando graças em todo lugar e tempo a seu Filho unigênito, juntamente com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos.
Amém.





domingo, 7 de agosto de 2016

EVANGELHO APÓCRIFO II - ASSUNÇÃO DA VIRGEM MARIA - PARTE II


(CONTINUAÇÃO DA POSTAGEM ANTERIOR)







Capítulo 15
Então o afortunadíssimo Tomé sentiu-se repentinamente transportado até o monte das Oliveiras, e, ao ver que o bem-aventurado corpo dirigia-se aos céus, começou a gritar dizendo: "Ó santa mãe, mãe bendita, mãe imaculada, se aos teus olhos encontrei a graça, já que me é dado o privilégio de contemplar-te, alegra o teu servo, pois estás a caminho do céu" 

E no mesmo instante a faixa com que os apóstolos haviam cingido o corpo santíssimo foi arremessada do alto ao bem-aventurado Tomé, que, ao recebê-la entre suas mãos, beijou-a e, dando graças a Deus, retomou ao vale de Josafá.






Capítulo 16
E encontrou todos os apóstolos e uma grande multidão em atitude de golpear-se os peitos, surpreendidos como estavam pelo resplendor que haviam visto. 
E, depois de haverem cumprimentado e dado um beijo de paz entre si, o bem-aventurado Pedro dirigiu-se a ele nestes termos: "Na verdade sempre foste teimoso e incrédulo e talvez pela tua incredulidade o Senhor achou por bem conceder-te a graça de assistires conosco ao enterro da mãe do Salvador". Ele respondeu golpeando-se o peito: "Eu o sei e estou firmemente convencido disto; sempre fui um homem perverso e incrédulo; peço, pois, perdão a todos pela minha contumácia e incredulidade". E todos puseram-se a orar por ele.

Capítulo 17
O bem-aventurado Tomé perguntou então: "Onde colocastes o seu corpo?" Eles indicaram o sepulcro com o dedo. Mas ele replicou: "Não, ali não está esse corpo que é chamado santíssimo". Ao que replicou o bem-aventurado Pedro: "Numa outra vez já nos negaste crédito sobre a ressurreição de nosso Mestre e Senhor, se não te fosse dada a oportunidade de ver e apalpar com teus dedos. Como irás crer agora que o santo cadáver encontra-se ali"? 
Ele, por sua vez, insistia dizendo: "Não está aqui". Então, encolerizados, aproximaram-se do sepulcro, que havia sido recém-escavado na rocha, e afastaram a pedra; mas não encontraram o cadáver, fato que os deixou sem saber o que dizerem ao ver-se vencidos pelas palavras de Tomé.


Capítulo 18
Depois o bem-aventurado Tomé pôs-se a contar-lhes como se encontrava celebrando a missa na Índia. Estava ainda vestido com os paramentos sacerdotais, quando, ignorando a palavra de Deus, viu-se transportado ao monte das Oliveiras e teve a oportunidade de ver o corpo santíssimo da bem-aventurada virgem Maria que subia ao céu; e rogou-lhe que lhe outorgasse uma bênção. Ela escutou sua prece e atirou-lhe a faixa com a qual estava cingida. Então ele mostrou a faixa a todos.





Capítulo 19
Os apóstolos, ao verem a faixa que eles mesmos haviam colocado, deram glória a Deus e pediram perdão ao bem-aventurado Tomé, movidos pela bênção que lhe havia sido dada pela bem-aventurada Virgem Maria e pelo privilégio de ter contemplado seu santíssimo corpo subir aos céus, Então o bem-aventurado Tomé abençoou-os dizendo: "Sintais que bom e agradável é o fato de os irmãos poderem viver unidos entre si".







Capítulo 20
E a mesma nuvem que os havia trazido levou cada um de volta ao seu respectivo lugar, de forma análoga ao que havia acontecido com Felipe quando batizou o eunuco, como se lê nos Atos dos Apóstolos, e com o profeta Habacuque, quando levou comida a Daniel, que se encontrava na cova dos leões, e no mesmo instante retomou à Judéia, De idêntica maneira também os apóstolos foram rapidamente devolvidos ao lugar onde se encontravam antes para evangelizar o povo de Deus.

Capítulo 21
E não há nada de estranho que opere tais maravilhas quem entrou e saiu de uma virgem deixando seu signo em seu seio, quem penetrou no lugar onde estavam os apóstolos através de portas fechadas, quem fez os surdos ouvirem, quem ressuscitou os mortos, quem purificou os leprosos, quem deu visão aos cegos e fez enfim, muitos outros milagres. Não há nenhuma razão para duvidar desta crença.
Eu sou José, aquele que depositou o corpo do Senhor no seu sepulcro e O viu ressuscitar; que guardou continuamente seu sacrossanto templo, a bem-aventurada sempre Virgem Maria, antes e depois da Ascensão do Senhor; que, finalmente, escreveu no papel e no coração as palavras que saíram da boca de Deus e o modo como chegaram a realizar-se os acontecimento acima consignados. E deu a conhecer a todos, judeus ou gentios, o que seus olhos viram e seus ouvidos ouviram, e não deixará de pregar enquanto viver.
Roguemos insistentemente àquela cuja Assunção é hoje venerada e honrada por todo o mundo que se lembre de nós nos céus diante de seu piedosissimo Filho. A quem são devidos louvores e glória pelos séculos dos séculos. Amém. Fim







sábado, 6 de agosto de 2016

EVANGELHO APÓCRIFO - ASSUNÇÃO DA VIRGEM MARIA



Evangelho Apócrifo:

Passagem da bem Aventurada Virgem Maria  (De Transitu Virginis)
Narração erroneamente Atribuída a José de Arimatéia



Capítulo 1
DENTRE AS muitas coisas que a mãe perguntou ao seu filho durante aquele tempo que precedeu a paixão do Senhor, figura a referente à sua passagem, sobre a qual começou a perguntar-lhe nestes termos: "Ó caríssimo filho, rogo à tua Santidade que, quando chegue o momento que minha alma tenha de sair do corpo, me faças saber com três dias de antecedência; e então Tu, querido filho, encarrega-te dela na companhia de teus anjos."






Capítulo 2
Ele, de sua parte, acolheu a súplica de sua querida mãe e disse-lhe: "Ó habitação e templo de Deus vivo, ó mãe bendita, Ó rainha de todos os santos e bendita entre todas as mulheres, como sabes, antes de me carregares em teu seio guardei-te continuamente e te alimentei com meu manjar angélico. Como irei abandonar-te depois de me haveres gestado e alimentado, depois de me haveres levado na fuga ao Egito e haveres sofrido por mim tantas angústias? Fica sabendo, então, que meus anjos sempre te guardaram e te seguirão guardando até o momento da tua passagem. Mas, após ter sofrido pelos homens conforme o que está escrito e depois de haver ressuscitado ao terceiro dia e subido ao céu ao final dos quarenta dias, quando me vires vir ao teu encontro na companhia dos anjos e dos arcanjos, dos santos, das virgens e de meus discípulos, podes estar certa então de que chegou o momento em que tua alma será separada de teu corpo e transportada por mim ao céu, onde nunca experimentarás a mínima atribulação ou angústia".





Capítulo 3
Então ela viu-se inundada de gozo e de glória, beijou os pés de seu filho e abençoou o Criador do céu e da terra, por haver-lhe destinado semelhante dom através de Jesus Cristo, seu Filho.

Capítulo 4
Durante o segundo ano a partir da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo, a beatíssima Virgem Maria costumava entregar-se assídua e constantemente à oração de noite e de dia. Na antevéspera de sua morte recebeu a visita de um anjo do Senhor, o qual saudou-a dizendo: "Deus te salve, Maria; és cheia de graça; o Senhor é contigo". Ela, por sua vez, respondeu: "Graças sejam dadas a Deus". Ele tomou novamente a palavra para dizer-lhe: "Recebe esta palma que te foi prometida pelo Senhor". Ela, então, transbordante de gozo e de gratidão para com Deus, tomou das mãos do anjo a palma que lhe havia sido enviada. E o anjo do Senhor disse-lhe: "Daqui a três dias terá lugar a tua Ascensão". Ao que ela replicou: "Graças sejam dadas a Deus".








Capítulo 5
Chamou então José de Arimatéia e os outros discípulos do Senhor. E quando eles estavam reunidos, assim como seus próprios conhecimentos e mais chegados, anunciou a todos a sua iminente passagem. Depois a bem-aventurada Maria asseou-se e enfeitou-se como uma rainha e ficou esperando a chegada do seu Filho, conforme Ele lhe havia prometido. E rogou a todos os seus parentes que zelassem por ela e lhe proporcionassem (alguma) distração. Tinha ao seu lado três virgens: Séfora, Abigail e Zael. Mas os discípulos de Nosso Senhor Jesus Cristo estavam já nessa época dispersos pelo mundo inteiro para evangelizar o povo de Deus.

Capítulo 6
Naquele momento (era então a hora terceira), enquanto a rainha Maria estava em seus aposentos, produziram-se grandes trovões, chuvas, relâmpagos, perturbações e terremotos. O apóstolo e evangelista João foi transportado de Efeso; entrou no quarto onde se encontrava a bem-aventurada Virgem Maria e saudou-a com estas palavras: "Deus te salve, Maria; és cheia de graça; o Senhor é contigo". Ela por sua vez respondeu: "Graças sejam dadas a Deus". E, levantando-se, deu um beijo em João. Depois disse-lhe: "O queridíssimo filho, por que. me abandonaste durante tanto tempo e não te importaste com o encargo que te deu o teu Mestre com relação à minha custódia, como te ordenou enquanto estava dependurado na cruz?" Ele, então, caindo de joelhos, pôs-se a pedir-lhe perdão. E a bem-aventurada Virgem Maria abençoou-o e beijou-o novamente.

Capítulo 7
E, quando se dispunha a perguntar-lhe de onde vinha e por que razão se havia apresentado em Jerusalém, eis que (de repente) todos os discípulos do Senhor, exceto Tomé, o chamado Dídimo, foram levados numa nuvem até a porta dos aposentos onde estava a bem-aventurada Virgem Maria. Então, pararam e depois entraram e veneraram a rainha, saudando-a com estas palavras: "Deus te salve, Maria; és cheia de graça; o Senhor é contigo". Ela então levantou-se, solícita e, inclinando-se, foi beijando-os e deu graças a Deus.
Eis aqui os nomes dos discípulos do Senhor que foram levados até lá numa nuvem: João o Evangelista e seu irmão Tiago; Pedro e Paulo; André, Felipe, Lucas, Barnabé; Bartolomeu e Mateus; Matias, apelidado o Justo; Simão Cananeu; Judas e seu irmão; Nicodemus e Maximiano e, finalmente, muitos outros que não é possível contar.





Capítulo 8
Então a bem-aventurada Virgem Maria disse aos seus irmãos: "A que se deve terem todos vindo a Jerusalém?" Pedro assim respondeu: "Tu nos perguntas, sendo que era a ti nós deveríamos perguntar? Por mim tenho certeza que nenhum de nós conhece a razão pela qual apresentamo-nos aqui tão velozmente. Estava em Antioquia e agora encontro-me aqui".
E todos foram indicando o lugar onde haviam estado naquele dia, ficando surpreendidos e cheios de admiração por se verem ali presentes ao escutar tais relatos.


Capítulo 9
A bem-aventurada Virgem Maria disse-lhes: "Antes de meu filho sofrer a paixão, eu roguei que tanto Ele quanto vós todos assistísseis a minha morte, e essa graça foi-me outorgada. Por isso sabereis que amanhã terá lugar a minha passagem. Vigiai e orai comigo para que, quando o Senhor venha encarregar-se da minha alma, vos encontre velando", Então empenharam sua palavra de que permaneceriam vigilantes. E passaram toda a noite em vigília e em adoração, entoando salmos e cantando hinos, acompanhados de grandes luzes.
Chegando o domingo, e a hora terceira, Cristo desceu acompanhado de uma multidão de anjos, da mesma maneira que havia descido o Espírito Santo sobre os apóstolos numa nuvem, e recebeu a alma de sua querida mãe, E enquanto os anjos entoavam aquela passagem do Cântico dos Cânticos na qual o Senhor diz: "Como o lírio ente espinhos, assim minha amiga entre as filhas", sobreveio tal resplendor e um perfume tão suave, que todos os presentes caíram sobre seus rostos (da mesma maneira que os apóstolos caíram quando Cristo transfigurou-se na presença deles em Tabor), e durante hora e meia ninguém foi capaz de levantar-se.





Capítulo 10
No momento, porém, em que o resplendor começou a afastar-se, iniciou-se a assunção ao céu da alma da bem aventurada virgem Maria entre salmodias, hinos e os ecos do Cântico dos Cânticos. E, quando a nuvem começou a elevar-se, a terra inteira sofreu um estremecimento e no mesmo instante todos os habitantes de Jerusalém puderam aperceber-se claramente da morte da Santa Maria.

Capítulo 11
Mas foi naquele mesmo instante que Satã penetrou no seu interior, e então os demônios puseram-se a pensar o que fariam com o corpo de Maria. Apetrecharam-se armas para atear fogo ao cadáver e matar os apóstolos, pois pensavam que ela havia sido a causa da dispersão de Israel, que sobreviera pelos seus próprios pecados e pela conspiração dos gentios. Mas foram atacados de cegueira e vieram a dar com a cabeça contra os muros e entre si.







Capítulo 12
Então os apóstolos, atraídos pela enorme claridade, levantaram-se ao compasso da salmodia e iniciou-se a passagem do santo cadáver do monte de Sião até o vale de Josafá. Porém, ao chegar à metade do caminho, eis que certo judeu de nome Ruben veio ter com eles, pretendendo jogar o féretro ao chão, juntamente com o cadáver da bem-aventurada Virgem Maria. Imediatamente suas mãos tomaram-se secas até o cotovelo, e, por bem ou por mal, teve de ir até o vale de Josafá chorando e soluçando ao ver que suas mãos se haviam tomado rígidas e coladas ao féretro e que não era capaz de atraí-las de novo para junto de si.


Capítulo 13
Depois rogou aos apóstolos que através de suas orações obtivessem de volta a sua saúde e ele far-se-ia cristão. Então eles puseram-no de joelhos e rogaram ao Senhor que o libertasse. No mesmo instante, deu-se a sua cura e ele pôs-se a dar graças a Deus e beijar os pés da Rainha e de todos os santos e apóstolos. Foi imediatamente batizado naquele lugar e começou a pregar em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.







Capítulo 14
Depois os apóstolos depositaram o cadáver no sepulcro com todas as honras e puseram-se a chorar e a cantar, dado o.excessivo amor e doçura que sentiam. De imediato viram-se circundados por uma luz celestial e caíram prostrados, enquanto o santo cadáver era levado aos céus pelas mãos dos anjos.



(CONTINUA NA OUTRA POSTAGEM)

terça-feira, 2 de agosto de 2016

VERSÍCULOS BÍBLICOS SOBRE MISSA DE SÉTIMO DIA


“fizeram um funeral grandioso e solene e José guardou por seu pai um luto por sete dias” 
(Gn, 50, 10).


"E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito."
 (Gênesis 2,2)

"Assim, ainda resta um descanso sabático para o povo de Deus;
pois todo aquele que entra no descanso de Deus, também descansa das suas obras, como Deus descansou das suas.
Portanto, esforcemo-nos por entrar nesse descanso, para que ninguém venha a cair, seguindo aquele exemplo de desobediência."
(Hebreus 4,9-11)



"24. Ela (Judite) viveu cento e cinco anos na casa de seu marido, e deu liberdade à sua escrava. Morreu e foi sepultada em Betúlia junto de seu marido.
25. Todo o povo a chorou durante sete dias."
(Judite 16, 24)

"10. Chora sobre um morto, porque ele perdeu a luz; chora sobre um tolo, porque é falho de juízo.
11. Chora menos sobre um morto, porque ele achou o repouso;
12. a vida criminosa do mau, porém, é pior do que a morte.
13. O luto por um morto dura sete dias, mas por um insensato e um ímpio, dura toda a sua vida."
(Eclesiástico 22,10-13)


“Santo e salutar pensamento este de orar pelos mortos. Eis porque ofereceu um sacrifício expiatório pelos defuntos, para que fossem livres dos seus pecados" 
(Mac 12, 41-46)






"Doutra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que se batizam eles então pelos mortos? "
1 Coríntios 15:29

Por isso estamos sempre de bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor
(2 Coríntios 5,6)

"Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus."
(2 Coríntios 5,1)

 "estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor."
 (Filipenses 1,23)

"Mas temos confiança e desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor."
( 2 Coríntios 5,8)




"Ora, Deus não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele vivem todos. "
(Lucas 20,38)

"Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos." Colossenses 2:12

"Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus."
Colossenses 3:1


"Mas, como está escrito:As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu,e não subiram ao coração do homem,são as que Deus preparou para os que o amam. "
(1 Coríntios 2,9)

"E sei que o tal homem (se no corpo, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe)
Foi arrebatado ao paraíso; e ouviu palavras inefáveis, que ao homem não é lícito falar."
(2 Coríntios 12,3-4)

"Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;
Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado."
(1 Coríntios 13,9-10)

"Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido."
(1 Coríntios 13,12)

"E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado."
(Lucas 16, 22)


E eu vos digo: Granjeai amigos com as riquezas da injustiça; para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos.
 (S. Lucas 16,9)





E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo, 
(Hebreus 9,27)

Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal. 
(2 Coríntios 5,10)







Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, 
(Filipenses 3,20)


Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos;
À universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados;
(Hebreus 12, 22-23)


E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo. 
(S. Mateus 10,28)



"cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal. "
(2 Coríntios 5,10)


"Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo. "
(1 Coríntios 3,15)


E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação. 
(S. João 5,29)

Assim também a ressurreição dentre os mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção.
(1 Coríntios 15,42)


Porquanto, quando ressuscitarem dentre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento, mas serão como os anjos que estão nos céus. 
( S. Marcos 12,25)

Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu.
 (S. Mateus 22,30)


 E, havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.
(Apocalipse 5,8)

Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois de morto, ainda fala. 
(Hebreus 11,4)








segunda-feira, 1 de agosto de 2016

SEGUNDA-FEIRA, DIA DAS ALMAS - POSSÍVEIS RAZÕES BÍBLICAS

Não achei informações precisas do motivo pelo qual as segundas-feiras são destinadas às preces pelas almas presas no purgatório, mas é um costume antigo desde a era medieval, incorporado no Brasil até por religiões africanas, devido ao sincretismo religioso.





Procurando na Bíblia os motivos para a devoção tradicional de se rezar pelas almas do Purgatório nas segundas-feiras, cheguei à seguinte conclusão:

A passagem bíblica, que nos fala do sacrifício pelos mortos, relata que Judas Macabeus encontrou objetos pagãos entre os mortos judeus num domingo e, em seguida, enviou uma doação para Jerusalém para que se fizesse sacrifício ( algo que não deve ter sido feito no mesmo dia, mas no dia seguinte, a segunda-feira). Vejamos o trecho bíblico:

II Macabeus (12, 38- 45):

38De­pois, reunindo Judas o seu exército, alcançou a cidade de Adulam e, che­gado o sétimo dia da semana (SÁBADO), puri­fi­ca­­ram-se segundo o costume e cele­braram ali o sábado. 39No dia se­guinte (DOMINGO), Judas e os seus com­pa­nhei­ros foram levantar os corpos dos mor­tos, para os depositar na sepul­tura, ao lado dos seus pais. 40En­tão, sob a túnica dos que ti­nham tom­bado, encontraram objec­tos con­sagrados aos ídolos de Jâmnia, proi­bidos aos judeus pela lei, e todos reconhece­ram que fora esta a causa da sua morte. 41Bendisseram, pois, a mão do Se­nhor, justo juiz, que faz aparecer as coisas ocultas, 42e puse­ram-se em oração, para lhe implo­rar perdão com­pleto pelo pecado come­tido.
O nobre Judas convocou a multi­dão e exortava-a a evitar qual­quer trans­gressão, tendo diante dos olhos o mal que tinha sucedido aos que, pouco antes, tinham morrido por causa dos pecados. 43E mandou fa­zer uma co­lecta, recolhendo cerca de duas mil dracmas, que enviou a Jeru­sa­lém, para que se oferecesse um sacrifício pelo pecado (SACRIFÍCIO QUE DEVE TER SIDO FEITO NO DIA SEGUINTE- UMA SEGUNDA-FEIRA), agindo digna e santa­mente ao pensar na ressurreição; 44por­que, se não esperasse que os mor­tos ressus­citariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. 45E acre­di­tava que uma bela recom­pensa aguar­da os que morrem piedosa­mente. Era este um pensamento santo e pie­doso. Por isso pediu um sacrifício expia­tó­rio, para que os mor­­tos fossem livres das suas faltas.







Outra passagem bíblica que nos remete ao dia da Segunda-feira e sua relação com as almas, é que Deus fez os céus no segundo dia e nós imploramos que as almas possam entrar nele purificadas:


"E chamou Deus à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo."
Gênesis 1,8


Também encontramos outra passagem bíblica que nos fala da intercessão de Jó por seus familiares no fim de um turno de dias. Supondo que esse turno de dias equivalha a uma semana, o fim dela seria  um domingo ou uma segunda-feira.

"Sucedia, pois, que, decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura pecaram meus filhos, e amaldiçoaram a Deus no seu coração. Assim fazia Jó continuamente."
 Jó 1:5





Também podemos pensar que após a Ressurreição do Senhor, no Domingo, todas as almas que estavam no cativeiro (I Pedro 3,18-19) foram levadas ao céu (Ef 4,8), o que é um bom motivo para lembrar das almas do Purgatório na segunda. 

Que do mesmo jeito que na segunda-feira não havia uma alma justa no cativeiro, assim Jesus leve todas as do Purgatório para o céu:

"Por isso diz:Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro,e deu dons aos homens. "
Efésios 4,8






Rezemos por todas as almas, para que tenham sua purificação apressada, "sejam salvas passando pelo fogo" ( I Coríntios 3,15) eles que tiveram sua "casa terrestre desfeita, recebam de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus" (2 Coríntios 5,1).


Vinde, e tornemos ao SENHOR, porque ele despedaçou, e nos sarará; feriu, e nos atará a ferida.
Depois de dois dias nos dará a vida; ao terceiro dia nos ressuscitará, e viveremos diante dele.
Oséias 6,1,2



ORIGEM HISTÓRICA DO SÁBADO - DIA DE NOSSA SENHORA - DEVOÇÕES



Sobre a devoção do sábado como dia dedicado a Nossa Senhora, achei um artigo sobre seus antecedentes históricos do site da Universidade de Dayton, que é uma leitura interessante sobre este assunto:


+++ Antecedentes históricos do SÁBADOS em honra de Maria COMEÇA AQUI +++

 "Um dos costumes mais antigos traçados para honrar Maria no sábado, na Igreja de Roma teve lugar no sábado antes" do Domingo de Pentecostes. Os membros recém-batizados da Igreja foram levados do batistério de São João de Latrão ao grande santuário de Maria, a Basílica de Santa Maria Maior [construída pelo Papa Libério 352-66]. 

São João Damasceno "(† 754) em seus escritos testemunha a celebração do sábado dedicado a Maria na Igreja do Oriente. Os livros litúrgicos dos séculos IX e X contêm missas em honra de Maria no sábado.

O Dicionário de Maria afirma:

Por isso, o sábado adquiriu seu grande Tom Mariano e o e rapidamente naquele dia tornou-se associado com Maria. Hoje, o traço mais forte da relação de Maria com o sábado ocorre na Liturgia. O sábado é dedicado a Maria por uma Missa ou o Ofício da Bem-Aventurada Virgem Maria. Através destes atos litúrgicos, os cristãos exaltam a pessoa de Maria na ação que renova o sacrifício de Cristo e na ação que prolonga a sua oração.






Esta atribuição litúrgica do sábado a Maria foi em grande parte o trabalho de Alcuin (735-804), o monge beneditino que foi "Ministro da Educação" na corte de Carlos Magno e que contribuiu de forma decisiva para a reforma litúrgica carolíngia.

 Alcuin compôs seis formulários para Missa votiva (ou seja, devocionais) - uma para cada dia da semana. E ele designou dois formulários para o sábado, em honra de Nossa Senhora. A prática foi rapidamente e alegremente abraçada por ambos os clérigos e leigos. ...


O Cardeal  São Pedro Damião († 1072) promoveu a celebração mariana no sábado também.


O costume foi especialmente favorecido durante o tempo das cruzadas.

Pedro de Amiens pregou a primeira cruzada e começou com uma vanguarda para Constantinopla em um sábado, 8 de março de 1096. O Papa Urbano II admoestou os fiéis a rezar as horas da liturgia em honra da Santíssima Virgem para os cruzados.
 No Sínodo de Clermont no ano anterior, ele havia prescrito aos sacerdotes para fazê-lo.

O costume de dedicar Missas no Sábado a Maria foi fomentado especialmente nas igrejas do claustro das várias ordens, e rapidamente se espalhou por toda a Igreja.

Além das celebrações litúrgicas, aos sábados, manteve outros costumes de devoção- especialmente obras de amor ao próximo. Por exemplo, o Rei São Luís da França († na última cruzada) alimentava mais de uma centena dos pobres em seu palácio. Ele comia com eles e os despedia ricamente carregados de presentes.

Os grandes teólogos dos séculos XII e XIII, São Bernardo, São Tomás, e São Bonaventura explicavam a dedicação dos sábados a Maria, apontando para o tempo do descanso de Cristo no túmulo. Todos os outros tinham abandonado Cristo; só Maria continuou a acreditar. Este foi o seu dia!



Um missal dominicano do século XV listava razões adicionais em um hino: Sábado é o dia em que a criação foi concluída. Por isso, também é comemorado como o dia do cumprimento do plano de salvação, que encontrou sua realização através de Maria. Domingo é o dia do Senhor, por isso pareceu apropriado para nomear o dia que precede como o dia de Maria.



Nos séculos seguintes,os sábados dedicados a Maria foram expressas em várias devoções. Este foi o dia selecionado pelos fiéis para ir em peregrinação. Confrarias realizavam suas reuniões aos sábados e as chamavam Fraternidade dos sábados ou Confraria dos sábados. As sete dores de Maria foram comemorados em sete sábados consecutivos. Os quinze sábados antes da liturgia em honra de Maria como Rainha do Rosário [07 de outubro] recordavam as quinze dezenas do rosário. Em algumas áreas, este foi o dia em que as culturas e colheitas foram abençoadas e celebradaa.

Um manuscrito alemão de 1673 diz:

"O povo de Hamingen tem desde os tempos antigos prometido realizar uma procissão para a igreja todos os sábados a partir da festa de São Gregório para a festa de São Tiago para  proteção para os frutos do campo e contra as tempestades e granizo . Seus descendentes não conseguiram fazê-lo para a sua grande desgraça porque o granizo fez um grande estrago. Depois que renovaram a prática, ninguém viu ainda grande dano."

A devoção crescente em honra da Imaculada Conceição estimulada pelos Franciscanos contribuiu para promover os Sábados em honra da Virgem Maria. Em 1633, um Capítulo da Ordem determinou que a Santa Missa em honra deste mistério era para ser comemorada aos sábados.

Os franciscanos estimularam também a recitção do Ofício da Imaculada Conceição, escrito pelo Frei Bernardino de Bustis, no século XV, e ainda hoje recitado aos sábados por muitos católicos.

Com o tempo, tornou-se habitual para os católicos em todos os lugares  considerar o sábado dia de Maria, assim como o domingo é o dia do Senhor. Muitos fiéis comemoravam o dia assistindo à Missa, recebendo a Eucaristia, e rezando o terço em família ou assistindo a uma noite de devoção na Igreja, bem como realizando obras de caridade ao próximo de muitas formas.


O Vaticano II, com as suas reformas litúrgicas não aboliu a prática de missas em honra de Nossa Senhora. Adições foram feitas para expandir o número de liturgias. "



AS DEVOÇÕES A NOSSA SENHORA NO SÁBADO:


OFÍCIO DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA OU COMUM DE NOSSA SENHORA:


É a Liturgia opcional de devoção a Maria rezada pelos padres, monges e freiras. Recitam-se Salmos,  leituras, hinos e orações para honrar Maria Mãe de Jesus.


OS QUINZE SABADOS:

Os quinze sábados em honra de Nossa Senhora do Santíssimo Rosário. “Durante muito tempo, os membros das várias Confrarias do Rosário tiveram o costume de dedicar quinze sábados seguidos à Rainha do Santíssimo Rosário, antes da Sua festa ou em alguma outra época do ano. Em cada um destes sábados, todos recebiam os sacramentos e realizavam exercícios piedosos em honra dos quinze mistérios do Rosário”. Em 1889, o Papa Leão XIII concedeu a todos os fiéis uma indulgência plenária num destes quinze sábados. Em 1892, “concedeu também, àqueles que estavam legitimamente impedidos ao sábado, a possibilidade de realizar este exercício piedoso no Domingo, sem perder as indulgências”.


OS PRIMEIROS SÁBADOS DO MÊS:

Os doze Primeiros Sábados do mês. Com o Papa São Pio X, a devoção dos primeiros sábados do mês foi aprovada oficialmente: “Todos os fiéis que, no primeiro sábado ou no primeiro domingo de doze meses seguidos, dedicarem algum tempo à oração vocal ou mental em honra da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem ganham, em cada um desses dias, uma indulgência plenária. As condições são: confissão, comunhão e oração pelas intenções do Soberano Pontífice”.


DEVOÇÃO REPARADORA DOS PRIMEIROS SÁBADOS:

Por fim, a 13 de Junho de 1912, São Pio X concedeu novas indulgências a práticas que parece anteciparem exatamente os pedidos de Pontevedra: “Para promover a devoção dos fiéis para com a Imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus, e para fazer reparação pelos ultrajes dos homens ímpios ao Seu Santíssimo Nome e aos Seus privilégios, São Pio X concedeu ao primeiro sábado de cada mês uma indulgência plenária, aplicável às almas do purgatório.

As condições são: confissão, comunhão, oração pelas intenções do Soberano Pontífice e exercícios piedosos com o espírito de reparação, em honra da Virgem Imaculada”.

Exatamente cinco anos depois deste dia 13 de Junho de 1912, aconteceu em Fátima a grande manifestação do Imaculado Coração de Maria, “cercado de espinhos que O pareciam cravar”. A Irmã Lúcia disse depois: “Nós compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que exigia reparação”.

A 13 de Novembro de 1920, o Papa Bento XV concedeu novas indulgências a esta mesma prática, quando realizada no primeiro sábado de oito meses seguidos.




 Nossa Senhora, em sua aparição em Fátima, havia pedido para a Irmã Lúcia a devoção reparadora dos cinco sábados ( assistir Missa, comungar e rezar o terço em reparação dos pecados cometidos contra seu Imaculado Coração - as blasfêmias e agressões dos homens ingratos e ateus).






PRIVILÉGIO SABATINO: 


Uma das promessas de Nossa Senhora do Carmo a São Simão Stock se refere ao "privilégio sabatino", consiste que aquele que morrer usando o escapulário, sairá do Purgatório no primeiro sábado após sua morte. Este privilégio foi confirmada pela Bula "Sacratissimo uti culmine" do Papa João XXII, que tem também o relato de uma visão sua sobre este privilégio. Porém, esta bula, analisada pela moderna crítica histórica, foi considerada como não-autêntica e infundada pela Igreja e pelos historiadores.
 Porém, a Igreja permitiu aos carmelitas pregarem que "o povo cristão pode acreditar piamente na ajuda que as almas dos seus irmãos e membros, que partiram desta vida na caridade, que usaram o escapulário durante a sua vida, que já observaram a castidade, que recitaram o Pequeno Ofício de Nossa Senhora, ou, se não conseguirem ler, observaram os dias de jejum da Igreja e abstiveram-se de carne às quartas e sábados (exceto quando o Natal for em tais dias), serão socorridos após a morte - especialmente aos sábados, o dia consagrado pela Igreja à Santíssima Virgem - através da intercessão incessante de Maria, das suas piedosas petições, dos seus méritos e da sua proteção especial" (citação retirada da Súmula de indulgências e privilégios concedidos à Confraria do Escapulário do Carmo, aprovada no dia 4 de julho de 1908 pela Congregação das Indulgências).
Se uma pessoa pecar contra a castidade ou deixar um dia de fazer a obra prescrita, poderá recuperar o privilégio ao confessar-se e cumprir a penitência.
O privilégio sabatino, no seu sentido mais alargado dado pela Santa Sé, é válido e foi confirmado por vários Papas, tais como Alexandre V (1409), Clemente VII (1530), Paulo III (1534), Pio IV (1561), São Pio V (1566), Gregório XIII (1577), Paulo V (1613), Urbano VIII (1628), Clemente X (1673), Inocêncio XI (1678), São Pio X (1906), Pio XI (1922) e Pio XII (1950).





 Em 1950, o Papa Pio XII afirmou que, "certamente, a piedosa Mãe não deixará de fazer que os filhos expiem no Purgatório suas culpas, alcancem o antes possível a pátria celestial por sua intercessão, segundo o chamado privilégio sabatino, que a tradição nos transmitiu".
Apesar de toda esta confirmação, os católicos não são obrigados de acreditar no privilégio sabatino, porque ele pertence às revelações privadas, que não fazem parte da Revelação divina.


PRÁTICAS DEVOCIONAIS REALIZADAS NOS SÁBADOS EM HONRA DE NOSSA SENHORA:

OFÍCIO DA IMACULADA CONCEIÇÃO:
O Ofício é uma oração composta para ser cantada ou recitada (de uma só vez ou seguindo a Liturgia das Horas), a fim de proclamar os louvores da Mãe de Deus e defender a fé da Igreja na Imaculada Conceição da Virgem Maria.
Na reforma do Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI modificou a doutrina acerca das indulgências e concedeu indulgência parcial a aqueles que rezarem com fé o Ofício da Imaculada Conceição.

LADAINHA DE NOSSA SENHORA
A palavra ladainha vem do grego e significa súplica. Mas desde o início da Igreja ela foi utilizada para indicar não quaisquer súplicas, mas as que eram rezadas em conjunto pelos fiéis que iam em procissão às diversas igrejas. Há, naturalmente, numerosas ladainhas, dependendo do que é pedido nas diversas procissões. Há mais usada é a chamada Lauretana.
Algumas invocações têm sido acrescentadas pelos Papas ao longo dos tempos, outras são agregadas para honrar a proteção de Nossa Senhora a alguma Ordem religiosa, como fazem os carmelitas, os quais rezam a ladainha lauretana carmelitana, com quatro invocações a mais. Mas o corpo central das ladainhas permanece o mesmo.

ROSÁRIO OU TERÇO:
O Santo Rosário é uma prática religiosa de devoção mariana muito difundida entre os católicos romanos, que o rezam tanto pública quanto individualmente. Consiste na recitação seriada de orações com o auxílio de uma corrente com contas ou nós, que recebe o mesmo nome. O rosário também compreende a contemplação de determinadas passagens da vida de Jesus e de sua mãe Maria que, segundo a doutrina da Igreja Católica, são de especial relevância para a história da salvação e que recebem o nome de "mistérios". Terço é uma pequena parte (5 mistérios) do rosário.




Fontes do artigo:
http://campus.udayton.edu/mary/resources/firstsaturday.html#item6
https://catholicsstrivingforholiness.com/2016/02/17/saturday-day-in-honor-of-the-blessed-virgin-mary/