segunda-feira, 8 de setembro de 2014

SÃO PEDRO CLAVER - PADROEIRO DA COLÔMBIA E DOS ESCRAVOS - 09 DE SETEMBRO


São Pedro Claver - Igreja de São Nicolau - Estrasburgo.jpg
























São Pedro Claver, SJ

Pedro Claver (Verdú, Espanha, 26 de Junho de 1580 – Cartagena, Colômbia, 8 de Setembro de 1654) entrou na Companhia de Jesus com 21 anos e depois dos estudos foi enviado como missionário a Cartagena, porto da Colômbia.

Os escravos negros que chegavam em enormes navios negreiros ao porto de Cartagena, na Colômbia, eram recepcionados e aliviados de suas dores e sofrimentos por um missionário que, além de alimento, vinho e tabaco, oferecia palavras de fé para aquecer seus corações e dar-lhes esperança. Para quem vivia com corrente nos pés e sob o açoite dos feitores, a esperança vinha de Nosso Senhor.









Esse missionário era Pedro de Claver, nascido no povoado de Verdú, em Barcelona, na Espanha, em 26 de junho de 1580. Filho de um casal de simples camponeses muito cristãos, desde cedo revelou sua vocação. Estudou no Colégio dos Jesuítas e, em 1602, entrou para a Companhia de Jesus, para tornar-se um deles.


Dois anos mais tarde, a fim de completar os estudos de Filosofia, foi enviado por seus superiores ao Colégio de Montesion, na ilha de Maiorca. Deu- se, então, um providencial encontro que marcaria de modo indelével a vida de Pedro e firmaria definitivamente sua vocação.

Nesse colégio habitava um venerável ancião, simples irmão coadjutor e porteiro da casa, que séculos depois seria canonizado e viria a ser uma das glórias da Ordem: Santo Alonso Rodríguez.

Desde o primeiro instante em que os límpidos olhos do santo porteiro penetraram o coração do noviço, discerniu o ancião a vocação do jovem e um profundo e sobrenatural relacionamento uniu então aquelas duas almas.









"O que devo fazer para amar verdadeiramente a Nosso Senhor Jesus Cristo?" - perguntava o estudante. E Santo Alonso não se contentava em dar um simples conselho, mas descortinava os ilimitados horizontes da generosidade e do holocausto: "Quantos que vivem ociosos na Europa, poderiam ser apóstolos na América! Não poderá o amor de Deus sulcar esses mares que a cobiça humana soube cruzar? Não valem também aquelas almas a vida de um Deus? Por que tu não recolhes o Sangue de Jesus Cristo?" As ardentes palavras do velho porteiro acenderam labaredas de zelo que acabariam por consumir o coração de Pedro Claver.

Nessa época, o irmão Alonso foi favorecido por Deus com uma mística visão: sentiu-se arrebatado até o Céu onde contemplou incontáveis tronos ocupados pelos bem-aventurados e, no meio deles, um trono vazio. Escutou uma voz que lhe dizia: "É este o lugar preparado para teu discípulo Pedro, como prêmio de suas muitas virtudes e pelas inúmeras almas que converterá nas Índias, com seus trabalhos e sofrimentos".


Quando terminou os estudos teológicos, Pedro de Claver viajou com uma missão para Cartagena, hoje cidade da Colômbia, na América do Sul.

 Iniciou seu apostolado antes mesmo de ser ordenado sacerdote, o que ocorreu logo em seguida, em 1616, naquela cidade. Celebrou sua primeira Missa diante da imagem da Virgem dos Milagres a quem professaria sempre uma ardorosa e filial devoção.

 E assim, foi enviado para Carque, evangelizar os escravos que chegavam da África. 

Quando chegou o grandioso e esperado momento de emitir os votos solenes, pelos quais se comprometia a ser obediente, casto e pobre até a morte, assinou o documento com a fórmula que doravante seria a síntese de sua vida: Petrus Claver, æthiopum semper servus. - "Pedro Claver, escravo dos africanos para sempre". Tinha 42 anos de idade.




Sao Pedro Claver - Santuario de Loyola - Guipuzcua.jpg






Apesar de não entenderem sua língua, entendiam a linguagem do amor, da caridade e do sentimento cristão e paternal que emanavam daquele padre santo. Por esse motivo os escravos negros o veneravam e respeitavam como um justo e bondoso pai.

Em sua missão, lutava ao lado dos negros e sofria com eles as mesmas agruras. O que podia fazer por eles era mitigar seus sofrimentos e oferecer-lhes a salvação eterna. 

Com essa proposta, Pedro de Claver batizou cerca de quatrocentos mil negros durante os quarenta anos de missão apostólica. Foram atribuídos a ele, ainda, muitos milagres de cura.








Levando em sua mão direita um bastão encimado por uma cruz e um belo crucifixo de bronze pendurado no pescoço, saía Pedro Claver todos os dias para catequizar os escravos. Calores extenuantes, chuvas torrenciais, críticas e incompreensões até dos próprios irmãos de vocação, nada arrefecia sua caridade.








Com freqüência batia nos pórticos senhoriais da cidade pedindo doces, presentes, roupas, dinheiro e almas decididas que o auxiliassem em seu duro apostolado. E não poucas vezes nobres capitães, cavaleiros e senhoras ricas e piedosas o seguiam até as míseras moradias dos escravos.

Entrando nesses lugares, seu primeiro cuidado dirigia-se sempre aos doentes. Lavava-lhes o rosto, curava suas feridas e chagas e repartia comida aos mais necessitados. Apaziguadas as penalidades do corpo, reunia então a todos em torno de um improvisado altar, os homens de um lado e as mulheres de outro, e iniciava a catequese que ele sabia colocar maravilhosamente ao alcance da curta inteligência dos escravos. 














Pendurava à vista de todos uma tela pintada com a figura de Nosso Senhor crucificado, com uma grande fonte de sangue correndo de seu lado ferido; aos pés da Cruz, um sacerdote batizava com o Sangue Divino vários negros, os quais apareciam belos e brilhantes; mais abaixo, um demônio tentava devorar alguns negros que ainda não haviam sido batizados.

Dizia-lhes, então, que deveriam esquecer todas as superstições e ritos que praticavam nas tribos e lugares de origem, e lhes repetia isso muitas vezes.

Depois lhes ensinava a fazer o sinalda- cruz e lhes explicava paulatinamente os principais mistérios da nossa Fé: Unidade e Trindade de Deus, Encarnação do Verbo, Paixão de Jesus, mediação de Maria, Céu e inferno.

Pedro Claver compreendia bem que aquelas mentalidades rudes não podiam assimilar idéias abstratas sem a ajuda de muitas imagens e figuras. Por isso lhes mostrava estampas nas quais estavam pintadas cenas da vida de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, representações do Paraíso e do inferno.













Aos domingos, percorria ruas e estradas da região chamando-os à santa Missa e ao sacramento da Penitência. Dias havia que passava a noite inteira confessando os pobres escravos.



Sua ardente e inextinguível sede de almas era apenas o transbordamento visível das labaredas interiores que consumiam a alma deste discípulo de Cristo. Significativos indícios levantam um tanto o véu que cobriu durante sua vida o altíssimo grau de união com Deus que ele havia atingido.

"Todo o tempo livre de confessar, catequizar e instruir os negros, dedicava- o à oração", narra uma testemunha. Repousava diariamente apenas três horas, e passava o resto da noite de joelhos em sua cela ou diante do Santíssimo Sacramento, em profunda oração, muitas vezes acompanhada de místicos arroubos. Grande adorador de Jesus-Hóstia, preparava-se todos os dias durante uma hora antes de celebrar o Sacrifício do Altar, e permanecia em ação de graças meia hora após a Missa, não permitindo que ninguém o interrompesse nesses períodos.

Ilimitada também era sua devoção a Nossa Senhora. Rezava o Rosário completo todos os dias, ajoelhado ou andando pelas ruas da cidade, e não deixava passar nenhuma festa d'Ela sem organizar solenes celebrações, com música instrumental e coral.








Durante a peste, em 1650, ele foi o primeiro a oferecer-se para tratar os doentes. As conseqüências foram fatais: em sua peregrinação entre os contaminados, foi atacado pela epidemia, que o deixou paralítico. 

Os últimos quatros anos de existência terrena, ele os passou imobilizado na enfermaria do convento. E, por incrível que pareça, este homem que havia sido a alma da cidade, o pai dos pobres e o consolador de todas as desventuras, foi completamente olvidado por todos e submergido no esquecimento e no abandono.

Passava os dias, os meses e os anos em silenciosa meditação, contemplando da janela da enfermaria a imensidade do mar e escutando a melodia das ondas que se rompiam contra as muralhas da cidade. A sós com a dor e com Deus, aguardava o momento do supremo encontro.

Um jovem escravo fora designado pelo superior da casa para cuidar do doente. Entretanto, esse que deveria ser enfermeiro não passava de bruto algoz. Comia a melhor parte dos alimentos destinados ao paralítico e "um dia o deixava sem bebida, outro sem pão, muitos sem comida", segundo conta uma testemunha da época.

 Também "o martirizava quando o vestia, governando-o com brutalidade, torcendo-lhe os braços, batendo nele e tratando-o com tanta crueldade como desprezo". Porém, nunca seus lábios proferiram a menor queixa. "Mais merecem minhas culpas", exclamava às vezes.

Certo dia de agosto de 1654, disse Claver a um irmão de hábito: "Isto se acaba. Deverei morrer num dia dedicado à Virgem". Na manhã de 6 de setembro, à custa de um imenso esforço, fez- se conduzir até a igreja do convento e quis comungar pela última vez. Quase se arrastando, aproximou-se da imagem de Nossa Senhora dos Milagres, diante da qual havia celebrado a sua primeira Missa. Ao passar pela sacristia, disse a um irmão: "Morro. Vou morrer. Posso fazer algo por vossa reverência na outra vida?" No dia seguinte, perdeu a fala e recebeu a Unção dos Enfermos.

Sucedeu, então, algo de extraordinário e sobrenatural. A cidade de Cartagena pareceu acordar de uma longa letargia e por todos os lados corria a voz: "Morreu o santo!" E uma multidão incontenível dirigiu-se para o colégio dos jesuítas, onde agonizava Pedro Claver. Todos queriam oscular suas mãos e seus pés, tocar nele rosários e medalhas. Distintas senhoras e pobres negras, nobres, capitães, meninos e escravos desfilaram nesse dia diante do santo, que jazia sem sentidos em seu leito de dor. Só às 9 horas da noite os padres conseguiram fechar as portas e assim conter aquela piedosa avalanche.

E assim, entre 1h e 2h da madrugada de 8 de setembro, festa da Natividade de Maria, com grande suavidade e paz, o escravo dos escravos adormeceu no Senhor. 


Foi canonizado pelo papa Leão XIII em 1888. São Pedro Claver foi proclamado padroeiro especial de todas as missões católicas entre os negros em 1896. Sua festa, em razão da solenidade mariana, foi marcada para 9 de setembro, dia seguinte ao da data em que se celebra a sua morte.






Altar- túmulo de São Pedro Claver, em sua Igreja na Cartagena.





Igreja de São Pedro Claver, na Cartagena














Por intercessão de São Pedro Claver, 
que por vosso amor se fez escravo dos escravos concedei-nos, Senhor, 
que reconheçamos em todos os homens a dignidade de filhos vossos 
e trabalhemos esforçadamente pela sua salvação. 
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,
 que é Deus convosco 
na unidade do Espírito Santo.




Sao Pedro Claver - Santa Cueva Manresa.jpg



Oração: 
Ó Pai, pela vossa misericórdia, 
São Pedro Claver anunciou as insondáveis riquezas de Cristo.
 Concedei-nos, por sua intercessão, 
crescer no vosso conhecimento e viver na vossa presença segundo o Evangelho,
 frutificando em boas obras. 
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho,
 na unidade do Espírito Santo. 
Amém. 











 


Das Cartas de São Pedro Claver, presbítero

(Carta de 31 de Maio de 1627: A. Valtierra, S.I., San Pedro Claver, Cartagena, 1964, pp. 140-141)

Evangelizar os pobres, sarar os corações atribulados,
proclamar a redenção dos cativos

Ontem, 30 de Maio deste ano de 1627, festa da Santíssima Trindade, saíram de uma grande nau muitos negros trazidos das margens dos rios de África. Fomos ter com eles, levando dois cestos de laranjas, limões, bolachas e outras coisas, e dirigimo nos para as suas barracas. Parecia que entrávamos noutra Guiné.

Tivemos de atravessar por entre grande multidão até chegar aos doentes, que eram muito numerosos e estavam deitados no chão húmido e lamacento. Alguém se lembrou de o entulhar com fragmentos de telhas e tijolos para diminuir a humidade. Tal era a cama destes infelizes, que além disso estavam nus, sem qualquer roupa que os protegesse.

Tirámos as nossas capas e fomos buscar tábuas para fazer um estrado. Depois, forçando o caminho por entre os guardas, para ali transportámos os doentes. Em seguida distribuímo los em dois grupos: de um grupo encarregou se o meu companheiro com um intérprete; do outro encarreguei me eu. 









Entre eles havia dois quase a morrer: estavam frios e mal se lhes sentia o pulso. Levámos brasas numa telha para junto dos moribundos, deitámos perfumes nas brasas, até esvaziar duas sacas que tínhamos trazido. Depois, cobrindo os com as nossas capas – pois eles nada tinham com que se cobrir e não podíamos perder tempo a pedir roupas aos seus senhores – conseguimos que fizessem uma inalação daqueles vapores e recuperassem o calor e a respiração. Era de ver a alegria com que nos olhavam!

Assim lhes falámos, não com palavras mas com obras; e na verdade, estando eles persuadidos de que tinham sido trazidos para ali a fim de serem comidos, de nada teriam servido outros discursos. Sentámo nos depois, ou ajoelhámo nos junto deles, lavámos lhes os rostos e os corpos com vinho, procurando alegrá los com carinho e fazer lhes o que naturalmente se faz para levantar o moral dos doentes.

Depois tratámos de os preparar para o Baptismo. Explicámos lhes os admiráveis efeitos deste sacramento para o corpo e para a alma. E quando, respondendo às nossas perguntas, deram mostras de terem compreendido, passámos a um ensino mais completo sobre um só Deus que premeia ou castiga segundo os merecimentos de cada um, etc. Exortámo los a fazer o acto de contrição e a manifestar o arrependimento dos pecados que tivessem cometido, etc.

Finalmente, quando já pareciam suficientemente preparados, falámos dos mistérios da Santíssima Trindade, da Encarnação e da Paixão; e, mostrando lhes num quadro a imagem de Cristo crucificado sobre uma pia baptismal, para a qual correm os rios de sangue provenientes das chagas de Cristo, rezámos com eles, na sua língua, o acto de contrição.





 





























FELIZ ANIVERSÁRIO, VIRGEM MARIA!

Feliz aniversário, Minha Mãe, que todas as gerações te bendigam pelos séculos dos séculos, pois por ti nos veio o Senhor da Vida.
Feliz aniversário, Minha Senhora, que essa geração se converta olhando para teu exemplo de pureza, santidade e dedicação ao Filho, o Amor Verdadeiro.
Feliz aniversário, Senhora Rainha, e que os cristãos possam ser uma só família, um dia, para dizer num só coro: Ave, Maria!
Ó Senhora Nossa, peço perdão por meus muitos pecados e peço que nesse dia de teu nascimento eu possa renascer  e viver debaixo de tua proteção, sobre tua inspiração.
Proteja a Igreja e ilumine os Bispos do Brasil para que a Igreja Católica se renove. 












"Quereis saber quão feliz, quão alto é e quão digno de ser festejado o Nascimento de Maria?
Vede o para que nasceu. Nasceu para que dEla nascesse Deus. (...)
Perguntai aos enfermos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde;
 perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios;
 perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo;
 perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação;
 perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres;
perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança.
Os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz;
os discordes, para Senhora da Paz;
os desencaminhados, para Senhora da Guia;
os cativos, para Senhora do Livramento;
os cercados, para Senhora da Vitória.
Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho;
os navegantes, para Senhora da Boa Viagem;
os temerosos da sua fortuna, para Senhora do Bom Sucesso;
os desconfiados da vida, para Senhora da Boa Morte;
os pecadores todos, para Senhora da Graça;
e todos os seus devotos, para Senhora da Glória.
E se todas estas vozes se unirem em uma só voz, dirão que nasce para ser Maria e Mãe de Jesus"


Sermão do Nascimento da Mãe de Deus - Padre Antônio Vieira




sábado, 6 de setembro de 2014

RESPOSTA CATÓLICA A UM PROTESTANTE: ONDE ESTÁ A ASSUNÇÃO DE MARIA NA BÍBLIA?



No livro do Apocalipse, de maneira indireta e figurada, São João deixa claro a figura de Maria, na Arca que aparece no céu (Apo 11,19).

Maria é a Arca da Nova Aliança (Heb 9,4), pois teve a Palavra de Deus ( Jo 1,1), encarnada em seu ventre, Jesus, o Maná (Jo 6,31-35). 

Maria é a Mulher vestida de sol, com a lua aos pés (símbolo de sua assunção) (Apo 12,1), personifica a Igreja, o povo de Israel. É Maria "aquela que deu à luz um filho que regerá o mundo com cetro de ferro" (Apo 12,5) o Salvador, e recebeu asas para voar (Apo 12,14).

Por isso, com relação à Assunção de Maria podemos dizer "Levanta-te, Senhor, ao teu repouso, tu e a arca da tua força."Salmos 132,7-8. Jesus, de fato, ergueu-se por seu poder (Ascenção) e buscou e elevou sua Arca, Maria, sua Mãe, (Assunção).

Um filho que levou profetas, não levaria sua Mãe?

A Assunção de Maria está escrita pela fé no coração do Cristianismo (Ef. 3,17) desde antes dos anos 300 d.c., quando os cristãos iam a Jerusalém para recordar a dormição (morte) da Virgem Maria e sua Assunção.
Todos os cristãos sempre acreditaram que Ela tinha sido levada de corpo e alma para o céu. 

Essa tradição que recebemos dos primeiros cristãos e eles dos Apóstolos (2 Tess. 2,15; 2 Tim 21-2) foi definida pela Igreja como digna de fé.

Para nós, católicos, a Bíblia não é a única fonte de fé. A Bíblia, junto com a Igreja, o Magistério (Bispos e Papa) e a Tradição é que são nossa fonte de fé.

A Bíblia só não é nada, precisa da Igreja que a interprete (Atos 8,30-31), pois as interpretações pessoais são condenadas (II Ped 1,20) para se evitar as deturpações que causam divisões na Igreja (II Ped 3,16).

"A Igreja é a coluna e sustentáculo da Verdade" (I Tim 3,15) e não a Bíblia, mas a Igreja sem a Bíblia e o Magistério também não existe.

Jesus deu aos Apóstolos e seus sucessores o poder das chaves (Mat 16,19; 18,18), para definir a doutrina guiada pelo Espírito Santo, pois segundo ele ainda haveria muito por ser ensinado, que Jesus não disse (João 16, 12-13). 

A Bíblia diz que nem tudo foi escrito nela (João 20, 30-31; 2 Tes 2,14-15).

Não foi escrito a ascensão de Moisés, mas São Judas a menciona (Jud 1,8-9), mesmo que esse fato só seja narrado em texto apócrifo, ou Janes e Jambres (2 Tim 3,7-8), personagens de textos apócrifos. 

Só uma Igreja existia desde o início, a Igreja Católica, e ela, do ocidente ao oriente, sempre acreditou na Assunção de Maria como uma fé recebida dos primeiros cristãos e Apóstolos.

Se seu argumento for: não acredito na Assunção por que não está na Bíblia e não acredito na Igreja Católica, lembre-se que foi a Igreja Católica quem definiu toda a Bíblia, foi ela quem definiu a lista dos livros inspirados do Novo Testamento e do Antigo.

Os Apóstolos não falavam de guardar a Bíblia, pois a Bíblia sozinha é motivo de deturpação, mas os Apóstolos falavam de guardar a Doutrina (2 Tim 1,12-14; Rom 16,16-17; Tito 1,8-9; Tit 2,1; Heb 6,1-3; 2 Tim 2,1-2 ) e é essa doutrina, que vem desde o início dos séculos, que a Igreja Católica tem guardado.

Você lê um livro que ela fez, por sua Tradição e Magistério, e quer tentar insinuar que ela não tem autoridade?




NASCIMENTO DE MARIA OU NATIVIDADE DE NOSSA SENHORA - FESTA - 08 DE SETEMBRO














O nascimento de Nossa Senhora ou a Natividade de Maria é uma festa litúrgica das Igrejas Católica e Anglicana, celebrada no dia 8 de setembro, nove meses após a sua Imaculada Conceição, celebrada em 8 de dezembro. 

Também é celebrada pelos cristãos sírios em 8 de Setembro e pelos cristãos coptas em 1 Bashans (equivale a 9 de Maio).

 Na Igreja Ortodoxa, a Festa de Theotokos, é uma das doze grandes festas do ano litúrgico. Para aquelas igrejas que seguem o calendário juliano, acontece em 8 de Setembro; para as do calendário gregoriano, em 21 de setembro.













Esta festa tem sua origem em Jerusalém. Começou a ser celebrada no século V como festa da Basílica Sanctae Mariae ubi nata est, atualmente cohecida como Basílica de Santa Ana. 

No século VII, já era celebrada pelas igrejas bizantinas e em Roma, como festa do nascimento da Bem-Aventurada Virgem Maria. 

A festa foi incluída no calendário tridentino em 8 de Setembro e permanece, até hoje, nesta data.














De acordo com a tradição, Maria nasceu de pais já velhos e estéreis, chamados Joaquim e Ana, como resposta às suas preces. 

A paciência e a resignação com que sofriam a esterilidade levaram-lhes ao prêmio de ter por filha aquela que havia de ser a Mãe de Jesus. Eram residentes em Jerusalém, ao lado da piscina de Betesda, onde hoje se ergue a Basílica de Santa Ana; e aí, num sábado, 8 de setembro do ano 20 a.C., nasceu-lhes uma filha que recebeu o nome de Miriam, que em hebraico significa "Senhora da Luz", passado para o latim como Maria. Maria foi oferecida ao Templo de Jerusalém aos três anos, tendo lá permanecido até os doze anos.








Local do nascimento da Virgem Maria em Jerusalém.




Visivelmente, nenhum acontecimento extraordinário acompanhou o nascimento de Maria e os Evangelhos nada dizem sobre sua natividade. 

Nenhum relato de profecia, nem aparições de anjos, nem sinais extraordinários são narrados pelos evangelistas. 

No entanto, São João Damasceno afirma que o nascimento a partir de uma mãe estéril já era um sinal das bençãos especiais que recaem sobre Maria. 

Ainda, em sua Homilia sobre a Natividade de Maria diz: 

"Hoje é o começo da salvação do mundo, porque na Santa Probática foi-nos gerada a Mãe de Deus através de quem o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, nos foi gerado."

No século IV, e posteriormente, no século XV, surgiu a crença que Maria também teria sido concebida por uma virgem, pelo poder do Espírito Santo. Esta crença foi condenada como um erro pela Igreja Católica em 1677. 

A Igreja ensina que Maria foi concebida de maneira natural, mas foi miraculosamente preservada do pecado original para ser a mãe de Cristo. Esta concepção livre do pecado original é chamada de Imaculada Conceição.















Assim se exprimiu o Padre Antônio Vieira sobre essa celebração:

Cquote1.svg "Quereis saber quão feliz, quão alto é e quão digno de ser festejado o Nascimento de Maria? Vede o para que nasceu. Nasceu para que dEla nascesse Deus. (...) Perguntai aos enfermos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde; perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios; perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo; perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação; perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres; perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança. Os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz; os discordes, para Senhora da Paz; os desencaminhados, para Senhora da Guia; os cativos, para Senhora do Livramento; os cercados, para Senhora da Vitória. Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho; os navegantes, para Senhora da Boa Viagem; os temerosos da sua fortuna, para Senhora do Bom Sucesso; os desconfiados da vida, para Senhora da Boa Morte; os pecadores todos, para Senhora da Graça; e todos os seus devotos, para Senhora da Glória. E se todas estas vozes se unirem em uma só voz, dirão que nasce para ser Maria e Mãe de Jesus" (Sermão do Nascimento da Mãe de Deus)."





DO PROTO-EVANGELHO DE TIAGO ( EVANGELHO APÓCRIFO):


V
1. Ao ir, no dia seguinte, oferecer seus bens ao Senhor,( JOAQUIM) disse para consigo mesmo:

 ¨Se vir o éfode do sacerdote, saberei que Deus me será favorável¨.

 Ao oferecer o sacrifício, notou o éfode do sacerdote, quando este estava próximo ao altar de Deus. 

Não encontrando qualquer pecado em sua consciência, disse: 

¨Agora vi que o Senhor me perdoou todos os pecados¨.

 Joaquim desceu justificado do Templo e voltou para casa. 




 


2. Cumprindo-se o tempo para Ana, concebeu no nono mês.

 E perguntou à parteira: ¨A quem dei a luz?¨ 

Respondeu a parteira: ¨A uma menina¨.

 Exclamou Ana: ¨Eis que minha alma foi exaltada!¨. 


 


E colocou a menina no berço. 

Quando cumpriu-se o tempo definido pela Lei, Ana purificou-se e deu de mamar à menina. 

 E pôs-lhe o nome de Maria. 










Trecho de um sermão de São Pedro Damião , por ocasião da Natividade da Virgem Maria  : "Hoje é o dia em que Deus escolhe para implementar o seu plano eterno de salvação, como era necessário para construir a casa antes que o rei desceu até lá. "



ORAÇÃO:

Dai, Senhor, aos vossos servos o dom da graça celeste 
e fazei que a festa do nascimento da bem-aventurada Virgem Maria, 
cuja maternidade divina foi o princípio da nossa salvação, aumente em nós a unidade e a paz. 
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,
que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.











"Irmãos:
Nós sabemos que Deus concorre em tudo
para o bem daqueles que O amam,
dos que são chamados, segundo o seu desígnio.
Porque os que Ele de antemão conheceu, 
também os predestinou
para serem conformes à imagem de seu Filho,
a fim de que Ele seja o Primogénito de muitos irmãos.
E àqueles que predestinou, também os chamou;
àqueles que chamou, também os justificou;
e àqueles que justificou, também os glorificou."
Rom 8, 28-30



ORAÇÃO:

Venha, Senhor, em nosso auxílio o vosso Filho feito homem: 
Ele, que ao nascer da Virgem Maria, 
não diminuiu, antes consagrou a integridade de sua Mãe, 
nos purifique das nossas culpas 
e Vos torne agradável a nossa oblação. "










Santa Ana segura a Virgem Maria, sua filha, que segura Jesus.














sexta-feira, 5 de setembro de 2014

SANTO ELEUTÉRIO, ABADE E CONFESSOR - 06 DE SETEMBRO

Santo Eleutério (nome de origem grega que significa “livre”), nos é conhecido pelos Diálogos de S. Gregório Magno.

Eleutério viveu no Séc. VII, religioso, era abade do mosteiro de S. Marcos Evangelista junto aos muros de Espoleto, lugar onde viveu também S. Gregório Magno que, antes de tornar-se Papa, tinha a Santo Eleutério na condição de “Pai venerável”.




Abadia de São Marcos, em Espoleto.



Os seus discípulos contavam que ele, com a oração, tinha ressuscitado um morto.

 Era homem de enorme simplicidade e compunção e favorecido por Deus com o dom dos milagres.

S. Gregório conta-nos o epísódio em que Santo Eleutério orou, juntamente com os outros irmãos do mosteiro, por uma criança que era atormentada pelo demônio. A criança foi liberta.

Uma criança que foi confiada ao mosteiro, para ser educada lá, depois de ter sido  livre pelo Abade de uma possessão diabólica, parecia  estar totalmente isenta de outras moléstias. E São Eleutério teve a chance de dizer um dia: Desde que a criança está entre os servos de Deus, o diabo não se atreve a aproximar-se dela.






Estas palavras pareciam ter um sabor de vaidade, e, logo após o diabo outra vez entrou e atormentou a criança.

O Abade humildemente confessou sua culpa e empreendeu uma rápida cerimônia de exorcismo, em que toda a comunidade se juntou, até que a criança foi novamente liberta da tirania do demônio.

Também o próprio S. Gregório narra em seus escritos as graças que alcançou para si, a partir da oração de intercessão de Santo Eleutério.

São Gregório Magno, encontrando-se incapaz de jejuar no Sábado Santo por causa de uma doença, procurou este Santo, que estava em Roma,  para oferecer orações a Deus para que ele pudesse se juntar a fiéis na prática solene de penitências daquele dia.

Santo Eleutério orou com muitas lágrimas pelo Papa e quando saíram da igreja, sentiu-se subitamente curado, como ele disse:

“Mas eu pude experimentar pessoalmente a força da oração deste homem(…) Ouvindo a sua benção, o meu estômago recebeu tal força que esqueceu totalmente a alimentação e a doença. Fiquei pasmado: como tinha estado! Como estava agora!”

Viveu em Roma muito tempo. Lá morreu também.







quinta-feira, 4 de setembro de 2014

SÃO CLODOALDO - ABADE E CONFESSOR - PADROEIRO DOS FABRICANTES DE PREGOS - 07 DE SETEMBRO



"Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. 
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. "
Mateus 13,43




Clodoaldo nasceu por volta do ano 530. Era neto do primeiro rei da França, Clodoveu, convertido ao Cristianismo por obra de sua santa esposa Clotilde. Da santa avó, Clodoaldo recebeu uma ótima educação cristã.        

Seu pai, Clodomiro, era rei de Orléans. Mas, a infância de Clodoaldo foi tristemente marcada pelo horroroso massacre de seus irmãos por obra de pagãos rebeldes e inimigos políticos do pai. 











Clodoaldo foi conservado oculto por alguns homens fiéis ao rei, e pôde salvar-se da chacina.

Chegando à idade adulta, após ter desempenhado na corte ofícios e cargos de importância, Clodoaldo não pensou em vingança contra os assassinos dos irmãos nem sequer pensou em empunhar a espada, a fim de recuperar os direitos legais e governar em lugar do pai, mas quis consagrar sua vida ao ideal monástico, sacerdotal e missionário.









Cortou os longos cabelos, que eram um sinal de autoridade e virilidade nos povos daqueles tempos, renunciando com este gesto a seus direitos ao trono.

Dedicou-se com amor e sacrifício aos compromissos do estado monástico e sacerdotal, continuando a obra de evangelização entre os redutos pagãos daquela sociedade em formação. 









Pouco se conhece de sua atividade monástica, se abraçou a Regra de São Bento ou de São Columbano, ou se talvez pertenceu a um dos antigos mosteiros fundados por São Martinho de Tours. 

A tradição nos deixou como certo que Clodoaldo viveu com intensidade heróica sua vida religiosa monástica e fecundou seu sacerdócio, conforme o espírito missionário dos monges da Idade Média.

Ele faleceu na região de Nogent, perto de Paris, onde surgiu uma igreja em sua memória. 




Igreja de São Clodoaldo, na França.







Sua veneração foi vivamente cultivada nas antigas povoações cristãs da França. Em Paris, um dos maiores quarteirões conserva ainda hoje o nome de Clodoaldo na forma popular de Saint Cloud.

A Igreja reconheceu a validade deste culto e incluiu seu nome no Martirológio Romano.

 Clodoaldo é o primeiro príncipe francês elevado à honra dos altares e representa de certa maneira para os franceses o duplo ideal do cristão perfeito e do príncipe valoroso: símbolo da primavera da Igreja da França. 

Ele é um dos mais antigos exemplos da infalível retidão da Igreja, em exaltar seus melhores filhos, acima das contingências históricas ou políticas.




File:Saint-Cloud Saint-Clodoald5000.JPG
Relicário de São Clodaldo





ORAÇÃO:

Que a intercessão do bem-aventurado Clodoaldo,
 nos seja uma recomendação,
 Senhor, 
para podermos obter por sua proteção,
 o que não ousamos esperar de nossos méritos.
Por Nosso senhor.





" A luz dos justos alegra, mas a candeia dos ímpios se apagará."
Provérbios 13,8-9






quarta-feira, 3 de setembro de 2014

SÃO LOURENÇO JUSTINIANO - PROTETOR DOS AFLITOS E ATRIBULADOS - 05 DE SETEMBRO


















São Lourenço Justiniano
1381-1455
05 de Setembro - São Lourenço Justiniano





Filho da nobre família Justiniano, Lourenço nasceu em Veneza, no dia 1º de julho de 1380. Desde cedo, já manifestava seu repúdio ao orgulho, à ganância e à corrupção que havia em sua terra natal. Na adolescência, teve uma visão da Sabedoria Eterna e decidiu dedicar-se à vida religiosa.

Sua única ambição era amar e servir a Deus. Procurando o aprimoramento espiritual, tornou-se um mendigo em sua cidade, chegando a esmolar na porta da casa de seus próprios pais. 

A vanguardista Veneza do século XV era um efervescente laboratório de reforma católica, destinado a produzir frutos preciosos. Um deles foi Lourenço Justiniano.

Aos dezenove anos de idade ele era considerado um modelo de virtude, austeridade e humildade. 



São Lourenço Justiniano abençoando, quadro de Marco Vecellio.












Em 1404, já diácono, uniu-se a outros sacerdotes e ingressou no Mosteiro de São Jorge, em Alga, para viver em comunidade com eles, depois reconhecidos como "Companhia dos Cônegos Seculares", pioneiros do esforço reformador. 

Tornou-se sacerdote em 1407 e dois anos depois foi eleito superior da Comunidade de São Jorge, em Alga. 

Não era um bom orador, em contrapartida tornava sua pregação eficiente com sua dedicação ao mistério do confessionário, seu exemplo de humilde mendicante e seu trabalho de escritor incansável. 

Sua obra inclui livros para doutores e leigos, incluindo tratados teológicos e simples manuais de catequese. Os seus escritos trazem a matriz da idéia da "Sabedoria Eterna", eixo da sua mística, tanto para a perfeição interior como para a retidão da vida episcopal.









A contragosto, em 1433, foi consagrado bispo de Castelo, uma pequena diocese. Em 1451, o papa Nicolau V extinguiu essa diocese e consagrou Lourenço Justiniano primeiro patriarca de Veneza. 

Nessas administrações, deixou sua marca singular impressa com suas virtudes, sendo considerado um homem sábio, piedoso e caridoso, principalmente com os mais pecadores. Nesses cargos ergueu mais de quinze conventos e muitas igrejas, aumentando, assim, seu já enorme rebanho. Tornou-se um exemplo de pastor, amado por todos os fiéis, que obedeciam à sua pregação e ao seu exemplo no seguimento de Cristo.

Rodeado por seus amigos do clero em seu leito de morte, no dia 8 de janeiro de 1456, Lourenço Justiniano deixou, como mensagem aos cristãos, observar os mandamentos da lei de Deus. 

Depois de sua morte, muitos milagres foram atribuídos à sua intercessão, por isso foi canonizado, no ano de 1690, pelo papa Alexandre VIII. Sua festa foi indicada para ser celebrada no dia 5 de setembro.






 Ó Deus, 
dai-nos pelo exemplo e intercessão 
de São Lourenço Justiniano 
a graça de Vos servir com alegria e humildade, 
de assistir os mais necessitados,
 de vivenciar a Vossa Palavra e buscar a santidade. 
Vos pedimos por Jesus Cristo, 
Nosso Senhor, 
na unidade com o Espírito Santo.
 Amém!








São Lourenço Justianiano adorando Jesus, em visão.















São Lourenço Justianiano, com a mão erguida em posição de dar a bênção, entre outros Santos.



















terça-feira, 2 de setembro de 2014

SÃO GREGÓRIO MAGNO, PAPA E DOUTOR DA IGREJA - PADROEIRO DOS MÚSICOS, CANTORES, ESTUDANTES, PROFESSORES - 03 DE SETEMBRO
















No fim do século VI, Roma desabava no caos e com ela agonizava toda uma civilização.  Os rumos da história mudavam drasticamente quando um monge beneditino foi escolhido  Papa. Era Gregório I, a quem a História qualificou de "o Magno".

 Como as furiosas e ritmadas ondas de um mar borrascoso irrompem com violência sobre as areias da praia, sucessivas hordas de invasores assolaram, durante mais de 150 anos, a península italiana. Em 410, os visigodos do rei Alarico I, após devastar vilas e campos, chegaram até Roma, cujas muralhas tinham 800 anos sem avistar um exército estrangeiro. E a esplendorosa e já decadente cidade das sete colinas foi saqueada durante três dias.

Em vão o Papa Leão Magno tentou deter os vândalos que sulcavam impunemente, em rápidas naves, o Mar Mediterrâneo. O santo Pontífice obteve de seu rei, Genserico, apenas que a população fosse poupada. Mas durante duas trágicas semanas do ano 455, Roma foi minuciosamente pilhada por esses terríveis bárbaros.

Em 472, o suevo Ricimero, apoiado pelos burgúndios, sitiou a capital do império, onde tentou resistir um dos últimos soberanos latinos: Antémio, mera sombra de autoridade num mundo cada vez mais convulsionado. No dia 11 de julho, a velha urbe foi, pelas tropas do caudilho suevo, saqueada mais uma vez.

Como conseqüência de intrigas políticas, Rômulo Augústulo, um jovem de 13 anos, foi proclamado soberano de um império que já não mais existia. Menos de um ano durou essa triste comédia: em 476, Odoacro, à cabeça de várias tribos de germanos, ocupou aquelas terras onde tremia e chorava de medo o último dos imperadores de Roma...

Uma nova horda de invasores submergiu a península no ano de 489: os ostrogodos. Quiçá 200 mil homens, calculam os historiadores. Em poucos anos, eliminaram os ocupantes da véspera, tornaram-se os donos da Itália e seu rei Teodorico entrou triunfalmente na cidade dos antigos césares.

Após a morte deste grande chefe, em 526, a península italiana transformou- se durante mais de duas décadas num imenso campo de batalha onde godos e bizantinos entrechocavam-se ferozmente, disputando palmo a palmo aquela terra ensangüentada. Várias vezes a Cidade Eterna foi sitiada e conquistada. Seus grandiosos monumentos e palácios desmoronavamse e a população, outrora mais de um milhão de habitantes, somava agora menos de 100 mil seres desafortunados, na maioria oriunda de outras regiões desoladas pela guerra.

Finalmente, Belisário e Narses, geniais comandantes do exército bizantino, cujo imperador Justiniano reinava na distante e despreocupada Constantinopla, exterminaram o povo dos ostrogodos. Um capítulo trágico parecia concluído e o futuro despontava sereno no horizonte dos romanos sobreviventes.









A catástrofe

Mas o pior estava ainda por acontecer. O sonho da restauração de um passado grandioso evaporou-se no incêndio de uma nova convulsão social.

Como uma avalanche incontenível, em 568, desembocaram no norte da Itália 100 mil guerreiros seguidos por mais de 500 mil anciãos, mulheres e crianças: os lombardos. Esse povo bárbaro, de religião ariana, logo revelou ser um dos mais cruéis e sanguinários invasores que até então haviam penetrado na Europa ocidental. "À sua chegada, a Itália conservava ainda a forma romana nas suas cidades. Mas quando passavam os lombardos com os seus exércitos, desapareciam até os últimos vestígios da organização romana do município".

 Testemunhas desses acontecimentos narram que "as igrejas eram saqueadas, os sacerdotes assassinados, as cidades destruídas e mortos os seus habitantes". 

Seu método de conquista consistia na violência e no terror, e para firmarem-se de modo definitivo naquelas terras, eliminavam metodicamente as elites latinas e o resto de aristocracia ainda subsistentes.

Todo o norte da Itália foi conquistado e para Roma acorriam os sobreviventes, fugindo dos horrores que acompanhavam a ocupação lombarda.




A luz da esperança

Outono de 589. Chuvas torrenciais abateram-se sobre a Itália. Os campos ficaram alagados, perderam-se as colheitas e quase todos os rios transbordaram, destruindo pontes e inundando muitas vilas e cidades.

Em Roma, o manso Tibre tornou-se uma torrente impetuosa. Saindo de seu leito e atingindo um nível jamais visto, as águas devastaram a cidade e submergiram no lodo seus bairros menos elevados. O inverno e o novo ano chegaram, e a chuva não cessava de cair. A catástrofe atingiu então proporções apocalípticas: à destruição e à fome acrescentou-se uma epidemia de peste bubônica que se alastrou rapidamente, dizimando a população. Roma agonizava, e muitos se perguntavam se não haveria chegado já o fim do mundo. No auge do drama, atingido pela peste em seu palácio de Latrão, faleceu o Papa Pelágio II.

Sentindo-se desamparados no meio da borrasca, os olhos de todos voltaram-se para a única Luz do mundo: às igrejas acorriam dia e noite os sobreviventes, implorando um raio da luz divina para dissipar as angústias e incertezas que obscureciam o horizonte.

Com efeito, ensina-nos o Papa Bento XVI: "A vida é como uma viagem no mar da História, com freqüência enevoado e tempestuoso, uma viagem na qual perscrutamos os astros que nos indicam a rota [...]. Certamente, Jesus Cristo é a luz por antonomásia o sol erguido sobre todas as trevas da História. Mas para chegar até Ele precisamos também de luzes vizinhas, de pessoas que dão luz, recebida da luz dEle". 

Assim, os romanos do final do século VI perceberam, admirados, que a luz divina já brilhava para eles num límpido espelho. Então o clero, o senado e todo o povo aclamaram a uma só voz: "Gregório Papa!"


São Gregório celebrando Missa


Primeiros anos

Vox populi, vox Dei. Gregório foi, sem dúvida, o varão providencial escolhido por Deus para governar a Igreja naqueles tempos difíceis e decisivos.

Viera à luz no ano de 540, numa nobre e antiga família romana, profundamente católica e com longa história de fidelidade à Cátedra de São Pedro.

Eram seus pais o senador Gordiano, que no fim da vida entraria no estado eclesiástico, e Sílvia, dama conhecida por sua piedade e generosidade, que terminaria seus dias retirada do mundo e consagrada ao Senhor. Ambos, e duas tias de Gregório, Tarsila e Emiliana, são venerados como santos.

A mansão familiar erguia-se num dos lados do monte Célio, lugar privilegiado no centro da Roma antiga. Do alto de suas janelas, que dominavam a Via Triumphalis, podia Gregório avistar à direita o majestoso Arco de Constantino, que se erguia diante do Anfiteatro Flávio (o Coliseu) e, à esquerda, o já muito deteriorado Circo Máximo. À frente, do outro lado da avenida, elevava-se, abandonada, a imensa mole do conjunto dos palácios do Palatino, semidestruídos pelos tremores de terra, os incêndios e os saqueios dos bárbaros. A visão desse triste e monumental cenário não pôde ter deixado de despertar na alma romana de Gregório a esperança de uma futura restauração da grandeza perdida.

Entretanto, ao longo de sua infância e juventude, assistiu a acontecimentos que marcariam profundamente sua vida em sentido contrário.

Presenciou, certamente, na noite de 17 de dezembro de 546, a terrível entrada dos ostrogodos em Roma, seguida da deportação de seus habitantes durante 40 dias, período em que a cidade deserta ficou à mercê dos invasores. E quiçá contemplou, desolado, as muralhas da urbe arrasadas por ordem de Totila, o rei dos bárbaros.

Nesse contraste entre a piedade do ambiente doméstico, solidamente arraigado nas tradições romanas, e a instabilidade de um mundo novo que surgia na violência, transcorreram os primeiros anos da existência de Gregório.













Longa preparação

Após o aniquilamento dos ostrogodos pelo exército do imperador Justiniano, durante vários anos reinou na Itália uma relativa paz que permitiu a Gregório, seguindo a tradição familiar, cursar a carreira jurídica.

Sua aguda inteligência e incomum capacidade organizativa destacaramno rapidamente nos meios cultos da época, e sua reputação aumentava com o passar dos anos. Entretanto, como dois robustos galhos de uma mesma árvore, cresciam no seu espírito o desejo de empreender grandes obras para ordenar aquela civilização cambaleante e o anelo de abandonar o mundo para consagrar-se unicamente à contemplação das realidades sobrenaturais.

Quando contava pouco mais de 30 anos, foi nomeado prefeito de Roma, um dos mais altos cargos do governo da cidade. Desempenhou essa função com superior habilidade, enfrentando dificuldades de toda ordem, criadas pelo drama da invasão dos lombardos. 

Contudo, em meio das mais absorventes ocupações, ressoava sempre na sua alma o chamado a uma vida contemplativa: "Por longo tempo diferi a graça da conversão, ou seja, da profissão religiosa, e, ainda após ter sentido a inspiração de um desejo celeste, eu acreditava ser melhor conservar o hábito secular. Neste período manifestava-se em mim no amor à eternidade, aquilo que eu devia procurar, mas as ocupações assumidas acorrentavam- me"- confessava ele, anos depois, numa carta dirigida a São Leandro de Sevilha.

Em 575, concluiu-se o tempo prescrito e Gregório, aliviado, deixou o mais prestigioso cargo da cidade. 

Três anos transcorridos procurando solucionar casos e situações irremediáveis, convenceram-no da inutilidade de qualquer esforço humano para salvar aquela civilização: sim, a grandeza temporal da urbe dos césares havia naufragado. Esperar, só em Deus...

A graça operou então a definitiva conversão daquela alma feita para voar nos horizontes infinitos da Fé.











Gregório, monge

Junto com as esperanças terrenas, Gregório deixou para sempre a púrpura do patriciado e revestiu-se das insígnias de uma nobreza mais alta: o hábito monacal. Mas, ao invés de abandonar a conturbada Roma e partir para algum claustro distante, transformou o palácio senatorial do Monte Célio em mosteiro beneditino, sob a invocação de Santo André.

Entregando o governo da casa a um experimentado abade chamado Valêncio, começou como humilde súdito sua vida religiosa. Foram os anos mais felizes de sua existência.

Nesse período, pôde Gregório saciar os seus anelos de isolamento, e abundantes graças místicas de contemplação lhe foram concedidas. Com indizíveis saudades, escreveu décadas depois: "Quando vivia no mosteiro, podia ter, de modo quase contínuo, a mente fixa na oração".














A luz sobre o candeeiro

Entretanto, "não se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para ser posta sobre o candeeiro" (Mt 5, 15). A Sabedoria divina ia lentamente preparando esse varão incomum, por vias não imaginadas por ele, para ser uma verdadeira luz do mundo a brilhar no firmamento da Igreja e da Civilização Cristã.

Após quatro anos de paz monacal foi, por ordem do Papa Bento I, ordenado diácono regional, ou seja, encarregado da administração de uma das regiões eclesiásticas que nessa época dividiam a cidade de Roma. 

E pouco depois o novo Papa, Pelágio II, que reconhecia em Gregório uma longa experiência em assuntos seculares e uma provada virtude, o enviou como apocrisiário (núncio) à capital do Império do Oriente, Constantinopla.

"Como sucede às vezes a uma nave, atada ao cais de modo descuidado, ser arrastada pelas ondas para fora do porto quando sobrevém uma tormenta, assim encontrei-me subitamente no oceano dos assuntos do século" , escrevia ele, narrando sua nova situação.

Seis anos de intenso labor na corte imperial proporcionaram a Gregório um útil contato com a cultura e a grandeza bizantinas, mas também com a sinuosa e ambígua política de seus soberanos. As tendências heterodoxas de monofisismo e nestorianismo, que ainda crepitavam ali, foram combatidas com destemor pelo apocrisiário, o qual sabia aliar aos argumentos teológicos uma fina habilidade diplomática.

Sempre acompanhado por alguns monges de Santo André do Monte Célio, Gregório manteve no belo palácio à beira do Bósforo, onde residiam os apocrisiários do Papa, a vida sacral de um religioso, filho de São Bento. 

Apesar das múltiplas ocupações, todos ali rezavam, cantavam e estudavam as Escrituras, na inteira observância da disciplina monástica.

Por volta do ano 585, pôde Gregório retornar a Roma. Seu maior desejo era retirar-se definitivamente do mundo e enclausurar-se em seu amado mosteiro de Santo André. Porém, os deveres do apostolado e a voz da obediência o chamaram mais uma vez para outros caminhos.

Uma antiga tradição refere que certo dia, caminhando pelas ruas da cidade, ele deparou-se com um grupo de jovens escravos anglos, provindos da longínqua Britânia. Contristado, ao ver gente tão cheia de qualidades submersa nas trevas do paganismo, exclamou: "Não são anglos, mas anjos!" Providencial encontro que o moveria a fazer todo o possível para levar a luz do Evangelho a esse povo e, mais tarde, a promover a conversão de todos os novos e temidos habitantes de Europa: os bárbaros.

Pediu licença ao Papa para dirigir-se ao país dos anglos, com o objetivo de trazê-los ao seio da Igreja. Mas, atendendo às súplicas do povo romano, que não queria ver-se privado de um varão cuja santidade já era notória, Pelágio II o reteve na Cidade Eterna e, ademais, o chamou a si, para servir-se dele como experimentado conselheiro.












A mais alta das cruzes

Após o falecimento de Pelágio II, foi Gregório o escolhido, por unânime aclamação, para ocupar o trono de São Pedro. 

Considerando-se, porém, indigno, e espantado diante da incomensurável responsabilidade, fugiu de Roma e ocultou-se nas montanhas e florestas vizinhas. Lá foi achado pelo povo e, então, submeteu-se humildemente diante dos inequívocos sinais da vontade divina. A seu amigo João, Bispo de Ravena, que o censurou por não aceitar imediatamente a eleição, escreveria depois, assumindo a repreensão: "Com benigno e humilde afeto, desaprovas, irmão caríssimo, o fato de haver eu fugido, escondendo-me, do peso do governo pastoral!".

Foi solenemente sagrado na Basílica de São Pedro, no dia 3 de setembro de 590. Contudo, tendo sempre diante de si a própria insuficiência e indignidade, manifestava sinceramente sua consternação: "Sinto-me de tal modo esmagado pela dor, que apenas posso falar. Tudo o que contemplo causa-me tristeza, e aquilo que para os outros é motivo de consolação, a mim parece-me aflitivo".9

Mas se a humildade o fazia tremer, a Fé na invencibilidade da Cátedra de Pedro incutia-lhe uma sobrenatural fortaleza: "Estou disposto a morrer antes de ser causa de ruína para a Igreja de Pedro. Acostumei-me a sofrer com paciência, mas, uma vez decidido, lanço-me com ânimo resoluto em direção a todos os perigos".










O ponto de vista profético

Gregório I subia ao supremo pontificado, numa cidade desmantelada, símbolo de uma civilização em agonia, e numa Igreja convulsionada pelas invasões, por cismas e relaxamentos. Entretanto, a inspirada clarividência que o caracterizaria até o fim, manifestou-se desde o primeiro momento de seu governo. Diante de uma sociedade devastada por crises aparentemente insolúveis, ele apresentou o ideal da vida cristã em toda a sua radical int egridade. O imenso vazio deixado pelo desaparecimento do ius civitatis romano só poderia ser preenchido pelo donum caritatis cristão. 

 O objetivo principal do Papamonge seria, pois, elevar continuamente os espíritos à consideração das realidades sobrenaturais, para então viver os acontecimentos temporais sob uma perspectiva eterna. Esse programa, ele o deixou bem delineado na sua primeira homilia ao povo romano, no segundo domingo do Advento de 590.

Assim procedendo, São Gregório fechava para sempre a última porta que unia a Europa com o mundo antigo, nascido do paganismo, e plantava a semente de uma nova civilização que cresceria sob a luz do Evangelho, regada pelo preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.




Trono do Papa São Gregório Magno




Pastor das almas

Durante os primeiros anos de seu pontificado, a península italiana atravessava uma das piores fases do conflito lombardo. Assim descreveu São Gregório aqueles dias calamitosos: "Por todos os lados vemos luto e escutamos gemidos. As vilas foram destruídas, os castelos demolidos, os campos tornaram-se desertos, a terra está desolada e já não há quem a cultive; poucos habitantes ainda ocupam as cidades. Estamos contemplando a que extremo foi reduzida Roma, a mesma que outrora parecia ser a senhora do mundo! Muitas vezes quebrantada por dores imensas, pela desolação de seus cidadãos, pelos ataques de seus inimigos e as ruínas freqüentes... Nela desapareceu todo o esplendor das glórias terrenas. Desprezemos com toda a alma este mundo quase extinto, e imitemos a conduta dos santos".

Abandonada quase totalmente pelos bizantinos, a antiga urbe foi duas vezes sitiada pelos ferozes lombardos. Mas em ambas, graças à fortaleza e habilidade do novo Papa, o cerco foi levantado e eles se retiraram. Empenhado não na destruição, mas na conversão dos invasores, São Gregório assinou uma trégua com eles e procurou por todos os meios atraí-los à verdadeira Fé. Depois de não poucas tentativas, foi possível - graças ao fervor e à influência da princesa Teodolinda, filha do rei católico da Baviera e esposa do caudilho dos lombardos - batizar o filho do casal e preparar assim a futura conversão de todo o povo.

A sede de almas do Sumo Pontífice fez reflorescer para a Igreja todo o ocidente da Europa.

Na Espanha, apoiou eficazmente São Leandro na difícil evangelização dos visigodos arianos. Quando, por fim, o monarca dessa nação abraçou a religião verdadeira, escreveu São Gregório, cheio de júbilo: "Não posso exprimir com palavras a alegria que sinto porque o glorioso rei Recaredo, nosso filho, aderiu à Fé católica com sincera devoção".

 A Gália mereceu especial atenção do santo Papa. Travou ele boas relações com os soberanos francos, renovou o clero decadente e simoníaco, ordenou a convocação de sínodos e procurou com energia pôr fim às cruéis práticas pagãs que ainda perduravam.

Onde pôde São Gregório manifestar todo seu ardor missionário, foi na conversão da Grã Bretanha. Outrora província do Império, esta ilha tinha sido evangelizada já nos primórdios do Cristianismo. Porém, invadida e dominada pelas tribos dos bárbaros anglos e saxões, a luz da Fé quase se havia apagado. O Pontífice não poupou esforços na conversão desse povo: estabeleceu uma cas a de formação em Roma para os jovens anglosaxões, conseguiu que um dos seus reis contraísse núpcias com uma princesa católica da França e, sobretudo, para lá enviou um grande número de missionários. 

Destacou-se entre eles Agostinho, que mais tarde seria Arcebispo de Cantuária e que, segundo narram as crônicas, batizou mais de 10 mil neófitos no dia de Pentecostes de 597. Sem dúvida, a conversão deste povo constitui o episódio culminante da obra evangelizadora de São Gregório.





Uma luz inextinguível

No ano de 604, Gregório, na paz dos justos, entregava a alma ao Pastor dos pastores. Apesar de várias moléstias que lhe causavam sofrimentos terríveis, permaneceu firme e vigilante até o fim. A sentinela de Israel partia, mas a luz por ele acendida, "brilhará diante dos homens" (Mt 5, 16) até a consumação dos séculos.

Tudo nesse varão providencial fora grande, graças à sua humilde docilidade diante dos desígnios do Espírito Divino que governa a Esposa de Cristo. Quando todo um mundo parecia desabar no caos, soube São Gregório confiar cegamente no triunfo da Santa Igreja e, pelo dom de sabedoria que o Espírito Santo lhe concedera, discernir novos rumos e metas para o povo de Deus. Pode-se afirmar, sem a menor dúvida, que pelo vastíssimo horizonte descortinado por seu olhar contemplativo passaram todos os problemas do tempo, e não houve obra que ele deixasse de empreender para alargar o Reino de Cristo.

A vida desse Papa admirável constitui um marco fundamental na História da Igreja. 

Publicou a "Regra Pastoral", um verdadeiro manual de santidade para os pastores do rebanho do Senhor; reformou a Liturgia, criando o estilo de canto que hoje leva seu nome; e fez do conjunto do seu Pontificado o ponto de partida de uma nova civilização, inteiramente cristã.

No entanto, seu único e ardente desejo era servir incondicionalmente, como simples escravo, a Jesus Cristo, o Rei Eterno. Por isso, enquanto do alto da Cátedra de Pedro regia os destinos do mundo, não quis receber outro título senão o de servus servorum Dei - servo dos servos de Deus.

E a Santa Igreja, com maternal gratidão, uniu a grandeza ao nome do escravo: para todo sempre será ele chamado São Gregório, o Magno.












Túmulo de São Gregório Magno, na Basílica de São Pedro, no Vaticano.



File:4. San Gregorio Magno.jpg





Ó Deus, olhai o Vosso povo com compaixão e os governe com amor. Através da intercessão do Papa São Gregório, dê sabedoria aos lideres da Vossa Igreja para o crescimento do Vosso povo, que na santidade e no Vosso amor possa ser a alegria eterna de Vossos pastores. Amem.








Hino de São Gregório

Dos Anjos outrora apóstolo,

dos anjos agora irmão,

à grei que a Igreja congrega

estende, Gregório, a mão.

Calcando riqueza e glória,

do mundo o falso esplendor,

tu, pobre, seguiste o Pobre

de toda a terra Senhor.















Supremo Pastor, o Cristo,

confia-te a sua grei:

de Pedro recebe o cargo

quem segue de Pedro a lei.

Da Bíblia com seus mistérios

descobres a solução:

a própria Verdade te ergue

à luz da contemplação.















De todos os servos servo,

da Igreja papa e doutor,

não deixes os que te seguem

nas garras do tentador.

Por ti os mais belos cânticos

puderam vir até nós;

em honra ao Deus uno e trino,

regamos juntos a voz.

Amem 



São Gregório Magno, Santo Inácio de Loyola e outro santo.


Orações de São Gregório , o magno

 Prece de aclamação do Cristo Sofredor:

O Senhor, vós que recebestes um sem numero de blasfêmias, e ainda assim a cada dia vós libertastes almas cativas da prisão do antigo inimigo.

Vós não tivestes a aversão a perfídia e lavastes almas com águas salvadoras

Vós aceitastes o açoite sem um murmúrio, e ainda assim, sua meditação nos deu interminável castidade.

Vós sofrestes tratamento vil de todos os tipos, e ainda assim nos deu um lugar no coro do anjos na sua gloria eterna

Vós não recusastes ser coroado com espinhos, e ainda assim nos salvastes do pecado

Na vossa sede aceitastes a amargura do fel e, ainda assim vós preparastes para nos saciar com delicias eternas.

Vós ficastes em silencio debaixo da debochada homenagem dada a vós pelos seus executores e ,ainda assim vós rogastes a Deus Pai por nós, embora vós sede igual em divindade.

Vós viestes para provar o gosto da morte, e ainda assim nos destes a Vida eterna e veio traze-la aos mortos. 
Amém