terça-feira, 4 de janeiro de 2011

MENINO JESUS DE PRAGA

RESUMO


O Menino Jesus de Praga é uma famosa estátua de Jesus menino venerada na Igreja de Nossa Senhora Vitoriosa, em Praga, República Checa.








igreja de Nossa Senhora da Vitória em Praga





Acredita-se que a imagem tenha sido esculpida no século XVI na Espanha, em um mosteiro entre Córdoba e Sevilha, como uma cópia de uma outra estátua do local.

Ali foi adquirida por Doña Isabela Manrique de Lara y Mendoza, que a deu como presente de casamento à sua filha Maria Manrique de Lara, quando esta desposou o nobre checo Vojtech de Pernstejn.

Mais tarde a imagem foi transmitida à geração seguinte também como dote de casamento, quando sua filha Polyxena casou-se em primeiras núpcias com Vilem de Rozumberk.

Permaneceu na posse de Polyxena até sua morte, quando foi doada aos Carmelitas Descalços de Praga, sendo instalada no oratório do seu mosteiro, onde recebia homenagens especiais duas vezes ao dia.
Com a eclosão da Guerra dos Trinta Anos as devoções foram suspensas, e em 15 de novembro de 1631 as tropas de Gustavo Adolfo da Suécia tomaram as igrejas da cidade.

O mosteiro foi saqueado pelos soldados protestantes e a imagem do Menino Jesus foi lançada em um monte de entulho detrás do altar.

Ali permaneceu até ser reencontrada em 1637, com os braços quebrados.

Depois de seu restauro foi reentronizada e voltou a receber a devoção dos fiéis, sendo coroada pelo Bispo de Praga em 1655, evento que é relembrado anualmente por uma missa festiva no dia da Ascensão.










A estatueta tem 47 cm de altura e é feita de cera, com um núcleo de madeira.

Os devotos têm ao longo do tempo ofertado muitos vestidos ricamente bordados, que são trocados ocasionalmente.

 Sua fama de produtora de milagres data desde quando ainda pertencia à família espanhola, e os prodígios que opera não cessaram de se multiplicar até o presente, tornando-se uma devoção extremamente popular não só na cidade, mas se espalhando por todo o mundo católico.

A imagem vem sendo disseminada largamente através de réplicas e folhetos impressos.

Anualmente milhares de peregrinos vão a Praga prestar suas homenagens a Jesus sob esta invocação, pedir graças e agradecer outras já recebidas, e em muitos lugares foram fundados debaixo de sua proteção templos e grupos de oração.













DETALHES DA HISTÓRIA E DA LENDA DO MENINO JESUS DE PRAGA

Fernando II, imperador da Alemanha, para expressar sua gratidão a Nosso Senhor pela insigne vitória alcançada em uma batalha, construiu em 1620, na cidade de Praga, um convento de Padres Carmelitas.

A Boêmia passava por momentos muito difíceis, assolada por guerras sangrentas.

 A cidade de Praga era vítima das mais indizíveis calamidades.

Neste contexto, chegam estes excelentes religiosos, cujo mosteiro carecia até do indispensável para sua sobrevivência.

 Nessa época, vivia em Praga a piedosa princesa Policena Lobkowitz.

Sofrendo na alma as prementes necessidades dos Carmelitas, presenteou-lhes com uma pequena estátua de cera, de 48 cm., que representava um formoso Menino Deus, de pé, com a mão direita erguida em atitude de bênção.

A mão esquerda segurava um globo dourado.

 Seu rosto era muito amável e gracioso.

A túnica e o manto tinham sido confeccionados pela própria princesa.

Esta, ao dar a estátua aos religiosos carmelitas, disse-lhes:

"Meus padres, entrego-lhes o maior tesouro que possuo neste mundo. Prestem muitas honras a este Menino Jesus e nada lhes faltará."

Os Carmelitas, muito agradecidos, receberam a estátua. Colocaram-na no oratório interno do convento, passando a ser venerada por aqueles bons religiosos, especialmente pelo Padre Cirilo.

Sem dúvida, este homem poderia receber o título de "Apóstolo do Divino Menino Jesus de Praga".












A profecia da piedosa princesa cumpriu-se literalmente.

Não tardaram a se manifestar os efeitos maravilhosos da proteção do Divino Menino.

Muito rapidamente, e em várias ocasiões, verificaram-se inúmeros prodígios e as necessidades do mosteiro foram milagrosamente socorridas.

Mais uma vez explode a guerra na Boêmia.

Em 1631, o exército da Saxônia se apodera da cidade de Praga.

Os Padres Carmelitas, prudentemente, acharam por bem transferir-se para Munique. Durante essa época tão desastrosa, especialmente para Praga, a devoção ao Menino Jesus caiu no esquecimento.

Os hereges destruíram a Igreja, saquearam o mosteiro, entraram no oratório interno, zombaram da estátua do Menino Jesus e lhe quebraram as mãos, jogando-a com desprezo atrás do altar.

No ano seguinte, com a retirada dos inimigos de Praga, os religiosos puderam retornar ao seu convento.

Mas ninguém se lembrou da preciosa estátua.

Por isto, sem dúvida, o mosteiro viu-se reduzido à miséria, como o resto da população.

Os religiosos careciam de alimentos e dos recursos necessários para a restauração de sua casa.

Em 1637, após sete anos de desolação, o Padre Cirilo retornou a Praga.

A Boêmia, cercada de inimigos por todas os lados, corria o risco de sucumbir e, quem sabe, até de perder o dom inestimável da fé.

Em meio a tais agruras, enquanto o Padre Guardião exortava aos religiosos para que insistissem junto a Deus para colocar fim a tantos males, o Padre Cirilo aproveita para falar-lhe da inesquecível imagem do Divino Menino.

Obtém licença para buscá-la e a encontra, finalmente, entre os escombros detrás do altar.

Limpou-a e a cobriu de beijos e lágrimas. Estando ainda intacto o rosto da imagem, ele a expôs no coro para que os religiosos a venerassem.

Estes, confiantes em sua proteção, se ajoelharam diante do Divino Infante, implorando para que fosse seu refúgio, fortaleza e amparo em todos os sentidos.

A partir do momento em que a imagem foi colocada em seu lugar de honra, o inimigo bateu em retirada e o convento foi reabastecido de tudo que os religiosos necessitavam.





papa bento rezando diante do altar a imagem do menino jesus







Certo dia, o Pe. Cirilo orava diante da imagem, quando ouviu claramente estas palavras:

"Tende piedade de mim e eu terei piedade de Vós. Devolvei minhas mãos e eu vos devolverei a paz. Quanto mais me honrardes, tanto mais vos abençoarei".

Realmente a imagem estava sem as mãos, detalhe para o qual o Pe. Cirilo não atentara, de tão alegre que estava.

Surpreso, o bom Padre correu imediatamente à cela do Padre Superior e lhe contou o fato, pedindo-lhe para mandar reparar a imagem.

O Superior se negou a atendê-lo, alegando a extrema pobreza do convento.

 O humilde devoto de Jesus foi chamado a atender um moribundo, Benedito Maskoning, que lhe deu 100 florins de esmola. Pe. Cirilo levou o dinheiro ao Superior, convicto de que poderia usá-lo para consertar a imagem.

Mas o Superior achou melhor comprar outra imagem, ainda mais bela. E assim foi feito.

O Senhor não demorou a manifestar seu desagrado.

 No mesmo dia da inauguração da nova efígie, um candelabro que estava bem fixo e seguro na parede se soltou e caiu sobre a imagem, despedaçando-a .

O Padre Superior adoeceu e não pôde terminar seu mandato. Foi eleito um novo Superior.

Pe. Cirilo volta a suplicar-lhe para consertar a imagem. Mais uma vez seu pedido foi rejeitado.

Sem desanimar, o Pe. Cirilo recorreu a Nossa Senhora. Mal terminara sua oração, chamam-no à igreja.

Aproxima-se dele uma senhora de aspecto venerável, que lhe entrega uma vultosa esmola.

Esta senhora desaparece sem que ninguém a tivesse visto entrar nem sair da igreja.

 Cheio de alegria, o padre foi contar ao Superior o que se passara, mas este só lhe deu meio florim (25 centavos).

Sendo tal soma insuficiente para restaurar a imagem, tudo voltou à estaca zero.

Novas calamidades recaíram sobre o convento. Os religiosos não podiam pagar as despesas de uma propriedade improdutiva que haviam arrendado. Os rebanhos morreram, a peste devastou a cidade.

Muitos carmelitas, inclusive o Superior, foram açoitados.

Todos recorreram ao Menino Jesus. O Superior se penitenciou e prometeu celebrar 10 missas diante da estátua e propagar seu culto.

A situação melhorou consideravelmente, mas como a imagem continuava no mesmo estado, o Pe. Cirilo não se cansava de se lamentar diante de seu generoso protetor, quando ouviu de seus divinos lábios estas palavras:

"Coloca-me na entrada da sacristia e encontrarás quem se compadeça de mim".

Com efeito, apareceu um desconhecido que, notando o belo Menino desprovido de mãos, ofereceu-se espontaneamente para colocá-las, não demorando a ser recompensado: em poucos dias ganhou uma causa quase perdida, com a qual salvou sua honra e sua fortuna.

Os inúmeros benefícios alcançados por intermédio do milagroso Menino multiplicavam dia a dia o número de seus devotos.

Por isto os carmelitas desejavam construir-lhe uma capela pública, considerando que o lugar onde deveriam levantá-la já fora indicado pela Santíssima Virgem ao Pe. Cirilo.

Porém, faltavam os recursos e, além do mais, tinham medo de iniciar esta nova construção num tempo em que os calvinistas estavam arrasando todas as igrejas.

Contentaram-se em colocar a imagem na Capela exterior, sobre o altar-mor, até 1642, quando a princesa Lobkowitz mandou construir um novo santuário, inaugurado em 1644, no dia da festa do Santíssimo Nome de Jesus.

Vinham pessoas de todas as partes para prostrar-se diante do milagroso Menino: pobres, ricos, enfermos, toda espécie de pessoas referiam-se a Ele como remédio para todas as suas tribulações.

papa bento rezando diante da coroa do menino












Em 1655, o Conde Martinitz, Grão Marquês da Boêmia, brindou a imagem com uma preciosa coroa de ouro cravejada de pérolas e diamantes.

O Reverendo D. José de Corte colocou-a no Menino em uma solene cerimônia de coroação.










Graças e maravilhas incontáveis atribuídas ao "pequeno Grande" (assim chamam na Alemanha o Menino Jesus de Praga), divulgaram-se nas regiões mais longínquas, o que fez seu culto se espalhar até os nossos dias de uma maneira prodigiosa.

A devoção ao Menino Jesus de Praga foi acolhida com amor em todas as nações.

Mosteiros, colégios, escolas e famílias têm-lhe dedicado magníficos tronos. Numerosas paróquias possuem a estátua real e, em todos os lugares em que o honram, o Menino Jesus de Praga derrama inestimáveis favores sobre seus devotos.

O Divino Menino deseja cumulá-los de graças. Veneremo-lo, tornemo-lo conhecido e amado, e ele nos abrirá os tesouros de sua bondade.












As práticas de piedade estabelecidas em honra do Menino Jesus de Praga são inumeráveis, mas aquelas pelas quais ele tem revelado sua especial complacência são: a Ladainha do Nome de Jesus; a recitação de 5 pai nossos, ave marias e glórias, seguidos da jaculatória:

"Bendito seja o Nome do Senhor agora e por todos os séculos dos séculos", que também deve ser repetida 5 vezes;

a oração eficaz do Padre Cirilo; a oração do Rosário do Menino Jesus; e, finalmente, a celebração de sua festa, que é a festa de Seu Santíssimo Nome, no Segundo Domingo após a Epifania.

A leitura da história do milagroso Menino Jesus de Praga leva-nos a perceber que, freqüentemente, as graças solicitadas são concedidas após uma novena de súplicas e orações rezadas em sua honra.

Também se nota que graças especiais são facilmente obtidas nas seguintes situações: quando se mandam celebrar missas, doam-se esmolas aos pobres em seu nome e quando os devotos se propõem a participar dos sacramentos e a publicar as graças recebidas.

Por meio desta nova e simpática manifestação do amor divino, Jesus deseja por fim a uma calamidade atual que se generalizou pelo mundo inteiro: a perdição da infância causada pela educação anticristã.











Nosso Senhor Jesus Cristo, que sempre demonstrou um amor de predileção às crianças, manifesta claramente, através desta devoção, o seu grande desejo de ser honrado de forma especial como Rei e Salvador da infância, e quer, por isto, transmitir ao mundo inteiro, especialmente às crianças, os méritos das humilhações sofridas em sua divina infância.

Dediquemo-nos, pois, a honrar este amabilíssimo Menino, já que, tão abundantemente podemos obter suas bênçãos.

Particularmente vocês, crianças inocentes, que têm a graça de ser os preferidos do coração desse amoroso Menino Jesus, devem professar uma fervorosa devoção ao Deus que se fez Menino como vocês e para vocês. Imitem suas virtudes.

Tendo-o como exemplo, sejam obedientes, castos, amáveis, caridosos e piedosos. Recorram a Ele com total confiança em todas as suas necessidades e lhe confiem todos os sofrimentos do coração de vocês. Rezem muito por vocês mesmos, pela Igreja, por seus pais, familiares, mestres e amigos.

Amem-no sinceramente e em nada o desagradem. Entreguem-se a Ele o máximo que puderem.

Dêem-lhe sua alma, seu corpo e coração, para que os conservem puros e inocentes.

Para merecerem sua constante proteção, carreguem com amor sua medalha, beijem com respeito sua imagem. De vez em quando pratiquem em sua honra alguma mortificação.

Façam-lhe diariamente alguma oração que vocês conheçam e deste modo vocês experimentarão como é bom e generoso o Menino Jesus de Praga, o Menino Rei, o Deus enamorado das crianças.











FONTES:










segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

MENINO JESUS DE ARA COELI

 Bambino Gesù Santo





Um dos lugares favoritos para muitos  peregrinos  na Cidade Eterna, Roma,  é a Basílica de Santa Maria em Aracoeli em vista  do Bambino Gesù Santo.











Aracoeli significa "Altar dos Céus".

A basílica tem um altar construído para o glorioso Infante, visto pelo imperador Otávio Augusto, em uma visão profética.

É o lugar onde o Templo de Juno ficava no Capitólio.

No século 6, houve um mosteiro bizantino nesse lugar.

Os beneditinos estavam aqui desde o século 9 até o século 13 e os franciscanos construíram o prédio atual no início do século 14. 












HISTÓRIA DA ESTÁTUA

A estátua do Menino Jesus remonta ao século XV.

É, segundo a tradição, a obra de um frade franciscano que esculpiu a partir da madeira de oliveira de Gethsemani.

 De acordo com a lenda, a estátua foi pintada milagrosamente mo século 15 em Jerusalém, por um anjo enquanto o seu criador franciscano dormia.

 A imagem foi transportada para Roma após a ordens da Cúria Franciscana, com sede na Igreja de Santa Maria em Ara Coeli.

 Durante a viagem para a Europa, a estátua de madeira foi atirada ao mar, por causa de uma tempestasde. 

Atravessando o mar tempestuoso (evitando até mesmo piratas) e, finalmente, caindo nos pés do monge franciscano que estava esperando ansiosamente na praia. 



HONRAS AO MENINO E SEU ALTAR









 Ao longo dos séculos, os fiéis têm honrado essa imagem sagrada do Menino Jesus, com vestes ricas, com coroas, e os presentes de ouro e pedras preciosas.

E assim continua a procissão dos dons começada pelos Três Reis Magos.

 
Todos os anos, crianças de todas as idades endereçam cartas de petição ao Santo Bambino .

Elas escrevem para ele como para seu rei, confiante na bondade misericordiosa de seu coração.

O Bambino recebe cartas de todo o mundo. Existem cestas delas em ambos os lados do seu altar particular.

Depois de um certo tempo, são queimados, sem serem abertas. 













 Durante o Tempo do Natal, as crianças de Roma visitam o presépio do Menino Santo na Basílica de Santa Maria in Aracoeli, para pregar sermões, para recitar poemas e cantar para ele.

A estátua foi roubada em fevereiro de 1994, e nunca se recuperou.
 

Agora, um exemplar está em exposição na igreja, alojada em sua própria capela com sacristia.


Na missa da meia-noite na véspera de Natal a imagem é colocada em um trono diante do altar-mor e revelada durante o canto do Glória.


Até Epifania o Bambino fica exposto no presépio na nave esquerda.











O ÓLEO DO SANTO BAMBINO


No dia 25 de cada mês é costume de abençoar o óleo retirado da lâmpada que arde diante do Santo Bambino .

O óleo é distribuído em pequenas garrafas e é usado para se orar pelos enfermos.

 
O Menino Jesus é Sumo Sacerdote eterno e Rei do Universo.

 Já nos mistérios de sua infância, Ele tomou sobre si as fraquezas e os pontos fracos de todos os homens.












Mesmo como uma criança, Nosso Senhor se apresentou diante do Pai como um sacerdote oferecendo-se, o imaculado Cordeiro.

O Nome de Jesus é, em si, um óleo derramado para a cura de almas e corpos.





JESUS MENINO, TENDE PIEDADE DE NÓS!
JESUS MEINO, OUVI-NOS!
JESUS MENINO, ATENDEI-NOS!



















SANTA GENOVEVA - 03 DE JANEIRO- PADROEIRA DE PARIS, FRANÇA









RESUMO:


De pai franco e mãe galo-romana, dedicou-se muito jovem (pelo menos, pelo que se alega, desde os 6 anos) ao serviço divino e logo despertou a atenção de São Germano de Auxerre e São Loup de Troyes, que passaram por Nanterre em 429, quando da viagem deles pela Bretanha.

De acordo com a tradição, em 451, graças a sua "força de caráter", Genoveva "convenceu os habitantes de Paris" a não entregar a cidade aos hunos e "aplacou" a ira de Átila com suas preces (e também graças às sólidas muralhas da cidade).

Especula-se também que ela poderia ter informado ao invasor sobre uma epidemia de cólera que então grassava na região.






 Finalmente, pelos vínculos que Átila possuía com os francos, integrados ao estado romano, ela poderia saber que os hunos desejavam originalmente atacar os visigodos na Aquitânia, e não desejariam perder tempo sitiando Paris.

Ela fez construir uma igreja no sítio da tumba de São Dinis, primeiro bispo da Lutécia.

















DETALHES:

Santa Genoveva, a gloriosa virgem, célebre por seus milagres, nasceu em 422, em Nanterre próximo de Paris.

Dos pais, Sebero e Gerôncia, recebeu uma educação esmerada, fundamento sólido de sua futura santidade.









 Contava sete ou oito anos, quando por Nanterre passaram os dois bispos Germano de Auxerre e Lupo de Troyes, em demanda da Inglaterra, país ainda pagão, onde iam dedicar-se à obra da propaganda da fé.

Grande multidão do povo aglomerou-se em redor dos dois apóstolos, pedindo-lhes sua bênção. Estavam presentes também Genoveva e seus pais.

São Germano, por inspiração Divina, conheceu a menina e, dirigindo-se a Severo e Gerôncia, disse-lhes:

"Felizes de vós, de possuirdes esta menina. Ela será grande diante de Deus e atraídos pela sua virtude, muitos pecadores abandonarão a senda do pecado e seguirão Jesus Cristo".

 A Genoveva, deu o conselho de fugir da vaidade do mundo e procurar a felicidade na prática das virtudes.

Em seguida deu-lhe uma medalha de cobre, que trazia a imagem da cruz e disse-lhe:

"Leva esta medalha, como lembrança minha. Não ponhas nunca ouro, prata ou pedrarias, nem no pescoço, nem nos dedos, porque se não desprezares o enfeite mundano, jamais alcançarás a beleza eterna".









Genoveva com os anos progrediu em virtude e santidade.

Diferente das outras crianças, fugia dos divertimentos profanos e das vaidades; o desejo de ver, de ser vista, aliás tão próprio de seu sexo, e finalmente a conveniência ou familiaridade com pessoas de outro sexo, a isca perniciosa do pecado, eram para Genoveva coisas completamente desconhecidas.









Tinha por único prazer visitar a igreja. Quando uma vez, em dia de festa, a mãe de Genoveva, indo à Igreja, não quis que a filha a acompanhasse, esta disse, chorando:

"Com a graça de Deus quero cumprir a palavra que dei a São Germano; irei à igreja, para merecer a honra que ele me prometeu".

Gerôncia, num acesso de cólera bateu no rosto da filha. Por castigo veio-lhe a cegueira, que durou 21 meses.

Passado este tempo recuperou a vista, lavando os olhos três vezes com a água que Genoveva tirara da fonte e benzera com o sinal da cruz.
Aos quinze anos, Genoveva fez o voto de castidade, nas mãos do bispo de Paris, e recebeu o véu sagrado.









 Desde esse dia, penitências e mortificações lhe ocupavam grande parte do tempo, pois muito bem sabia que a flor delicadíssima da pureza do coração não pode desenvolver o seu encanto numa vida ociosa e de comodidades.

Tinha por alimento pão de cevada, por bebida água da fonte, por leito o chão.

Apesar de sua vida santa e retraída, não logrou fugir da língua bífida da calúnia e maledicência.

Genoveva não se perturbou; antes se encheu de satisfação por poder sofrer alguma coisa pelo nome de Jesus.

Passado pelo crisol do sofrimento, ainda mais esplendorosa lhe brilhava a santidade.

Deus envergonhou os caluniadores pelos grandes milagres que fez por intermédio de sua humilde serva.

 O fantasma da fome, que dizimava a população de Paris, retrocedeu em face das orações de Santa Genoveva.









Tremiam os parisienses, na expectativa de ver a cidade arrasada pelo ímpeto irresistível das hordas de Átila.

Genoveva tranqüilizou-os, predizendo uma mudança nos planos do temido "flagelo de Deus".

De fato, Átila viu-se obrigado a sacrificar grandes vantagens e desviar as ondas devastadoras de seu exército.

Estes e outros fatos de interesse público fizeram com que todos enxergassem em Genoveva uma grande alma, privilegiada por Deus.









O próprio rei Childerico tinha-a em grande conta.

A pedido da Santa, muitas vezes, anistiou a réus, condenados à morte.

Clovis, à iniciativa de Genoveva, construiu uma Igreja, dedicada a São Pedro e São Paulo.

Genoveva entretinha uma devoção terníssima à Santíssima Virgem e aos Santos Martinho e Dionísio.

Mandou construir um templo no lugar onde São Dionísio derramara o sangue, em testemunho da fé.

Genoveva morreu aos 89 anos.

A cidade de Paris venera-a como padroeira.

Em tempos bem críticos, a capital da França tem experimentado a valiosa proteção de sua defensora.








 Em 1130 apareceu uma epidemia denominada "o fogo", que transformou a cidade em grande hospital e causou muitas mortes.

O povo apavorado fez preces públicas suplicando ao céu misericórdia.

Já existiam aproximadamente 1.400 doentes em Paris, quando a população resolveu organizar uma grande procissão, na qual foram levadas as relíquias de Santa Genoveva.

A procissão realizou-se e a epidemia extinguiu-se como por encanto.

Muitas relíquias da Santa foram queimadas no ano de 1793 por conta da revolução francesa e sua igreja transformada em panteão.


                                                               Igreja de Saint Étienne du Mont.




 


Na arte litúrgica da Igreja ela é representada como uma pastora, segurando uma vela e as vezes confrontando com o demônio e restaurando a visão de uma mulher.



Atualmente seu relicário está depositado na Igreja de Saint Étienne du Mont.







É também invocada nas grandes calamidades e especialmente para obter chuva em tempos de seca.









sábado, 1 de janeiro de 2011

SANTA MARIA MÃE DE DEUS - 01 DE JANEIRO










Solenidade da Santa María, Mãe de Deus

A Solenidade da Santa Maria Mãe de Deus é a primeira Festa Mariana que apareceu na Igreja Ocidental, sua celebração se começou a dar em Roma para o século VI, provavelmente junto com a dedicação –em 1º de janeiro– do templo “Santa Maria Antiga” no Foro Romano, uma das primeiras Iglesias marianas de Roma.

A antigüidade da celebração Mariana se constata nas pinturas com o nome de Maria, Mãe de Deus” (Theotókos) que foram encontradas nas Catacumbas ou antiqüíssimos subterrâneos que estão cavados debaixo da cidade de Roma, onde se reuniam os primeiros cristãos para celebrar a Missa em tempos das perseguições.
Mais adiante, o rito romano celebrava em 1º de janeiro a oitava de Natal, comemorando a circuncisão do Menino Jesus.

Depois de desaparecer a antiga festa Mariana, em 1931, o Papa Pio XI, com ocasião do XV centenário do concílio de Éfeso (431), instituiu a Festa Mariana para em 11 de outubro, em lembrança deste Concílio, onde se proclamou solenemente Santa Maria como verdadeira Mãe de Cristo, que é verdadeiro Filho de Deus; mas na última reforma do calendário –após o Concílio Vaticano II– se transladou a festa para 1º de janeiro, com a máxima categoria litúrgica, de solenidade, e com título da Santa Maria, Mãe de Deus.

Desta maneira, esta Festa Mariana encontra um marco litúrgico mais adequado no tempo do Natal do Senhor; e ao mesmo tempo, todos os católicos começam o ano pedindo o amparo da Santíssima Virgem Maria.

O Concílio de Éfeso






No ano de 431, o herege Nestorio se atreveu a dizer que Maria não era Mãe de Deus, afirmando:

“Então Deus tem uma mãe? Pois então não condenemos a mitologia grega, que lhes atribui uma mãe aos deuses”.








Ante isso, reuniram-se os 200 bispos do mundo em Éfeso –a cidade onde a Santíssima Virgem passou seus últimos anos– e iluminados pelo Espírito Santo declararam:

“A Virgem Maria sim é Mãe de Deus porque seu Filho, Cristo, é Deus”.

E acompanhados por toda a multidão da cidade que os rodeava levando tochas acesas, fizeram uma grande procissão cantando:

"Santa Maria, Mãe de Deus, roga por nós pecadores agora e na hora de nossa morte. Amém".


 

Do mesmo modo, São Cirilo da Alexandria ressaltou:

 “Será dito: a Virgem é mãe da divindade?

 A isso respondemos: o Verbo vivente, subsistente, foi engendrado pela mesma substância de Deus Pai, existe desde toda a eternidade... Mas no tempo ele se fez carne, por isso se pode dizer que nasceu de mulher”.

Mãe do Menino Deus







"Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo sua palavra"

É desde esse Fiat, faça-se que Santa Maria respondeu firme e amorosamente ao Plano de Deus; graças a sua entrega generosa Deus mesmo se pôde encarnar para nos trazer a Reconciliação, que nos libera das feridas do pecado.

A donzela de Nazaré, a cheia de graça, ao assumir em seu ventre ao Menino Jesus, a Segunda Pessoa da Trindade, converte-se na Mãe de Deus, dando tudo de si para seu Filho; vemos porque tudo nela aponta a seu Filho Jesus.

É por isso, que Maria é modelo para todo cristão que busca dia a dia alcançar sua santificação. Em nossa Mãe Santa Maria encontramos a guia segura que nos introduz na vida do Senhor Jesus, nos ajudando a nos conformar com Ele e poder dizer como o Apóstolo “vivo eu mais não eu, é Cristo quem vive em mim”.



Provas da Santa Escritura

Para iluminar com um raio divino esta verdade tão bela e fundamental, recorramos à Sagrada Escritura, mostrando como ali tudo proclama este título da Virgem Imaculada.

Maria é verdadeiramente Mãe de Deus.

Ela gerou um homem hipostaticamente unido à divindade; Deus nasceu verdadeiramente dela, revestido de um corpo mortal, formado do seu virginal e puríssimo sangue.

Embora, no Evangelho, Ela não seja chamada expressamente "Mãe de Cristo" ou "Mãe de Deus", esta dignidade deduz-se, com todo o rigor, do texto sagrado.

O Arcanjo Gabriel, dizendo à Maria: "O santo que há de nascer de ti será chamado Filho de Deus" (Lc 1, 35), exprime claramente que ela será Mãe de Deus.

O Arcanjo diz que o Santo que nascerá de Maria será chamado o Filho de Deus. Se o Filho de Maria é o Filho de Deus, é absolutamente certo que Maria é a Mãe de Deus.

Repleta do Espírito Santo, Santa Isabel exclama: "Donde me vem a dita que a Mãe de meu Senhor venha visitar-me?" (Lc 1, 43).

Que quer dizer isso senão que Maria é a Mãe de Deus? Mãe do Senhor ou "Mãe de Deus" são expressões idênticas.

S. Paulo diz que Deus enviou seu Filho, feito da mulher, feito sob a lei (Galat. 4, 4).

O profeta Isaías predisse que a Virgem conceberia e daria à luz um Filho que seria chamado Emanuel ou Deus conosco (Is 7, 14). Qual é este Deus? É necessariamente Aquele que, segundo o testemunho de S. Pedro, não é nem Jeremias, nem Elias, nem qualquer outro profeta, mas, sim, o Cristo, o Filho de Deus vivo.

É aquele que, conforme a confissão dos demônios, é: o Santo de Deus.

Tal é o Cristo que Maria deu à luz.

Ela gerou, pois, um Deus-homem. Logo, é Mãe de Deus por ser Mãe de um homem que é Deus e que, sendo Deus, Redimiu o gênero humano.

A Doutrina dos Santos Padres, a Tradição:







Tal é a doutrina claramente expressa no Evangelho, e sempre seguida na Igreja Católica.

Os Santos Padres, desde os tempos Apostólicos até hoje, foram sempre unânimes a respeito desta questão; seria uma página sublime se pudéssemos reproduzir as numerosas sentenças que eles nos legaram.

Citemos pelo menos uns textos dos principais Apóstolos, tirados de suas "liturgias" e transmitidas por escritores dos primeiros séculos.

Santo André diz: "Maria é Mãe de Deus, resplandecente de tanta pureza, e radiante de tanta beleza, que, abaixo de Deus, é impossível imaginar maior, na terra ou no céu." (Sto Andreas Apost. in transitu B. V., apud Amad.).

São João diz: "Maria é verdadeiramente Mãe de Deus, pois concebeu e gerou um verdadeiro Deus, deu à luz, não um simples homem como as outras mães, mas Deus unido à carne humana." (S. João Apost. Ibid).

S. Tiago: "Maria é a Santíssima, a Imaculada, a gloriosíssima Mãe de Deus" (S. Jac. in Liturgia).

S. Dionísio Areopagita: "Maria é feita Mãe de Deus, para a salvação dos infelizes." (S. Dion. in revel. S. Brigit.)

Orígenes (Sec. II) escreve: "Maria é Mãe de Deus, unigênito do Rei e criador de tudo o que existe" (Orig. Hom. I, in divers.)

Santo Atanásio diz: "Maria é Mãe de Deus, completamente intacta e impoluta." (Sto. Ath. Or. in pur. B.V.).

Santo Efrém: "Maria é Mãe de Deus sem culpa" (S. Ephre. in Thren. B.V.).

S. Jerônimo: "Maria é verdadeiramente Mãe de Deus". (S. Jerôn. in Serm. Ass. B. V.).

Santo Agostinho: "Maria é Mãe de Deus, feita pela mão de Deus". (S. Agost. in orat. ad heres.).

E assim por diante.

Todos os Santos Padres rivalizaram em amor e veneração, proclamando Maria: Santa e Imaculada Mãe de Deus.

Terminemos estas citações, que podíamos prolongar por páginas afora, pela citação do argumento com que S. Cirilo refutou Nestório:

"Maria Santíssima, diz o grande polemista, é Mãe de Cristo e Mãe de Deus. A carne de Cristo não foi primeiro concebida, depois animada, e enfim assumida pelo Verbo; mas no mesmo momento foi concebida e unida à alma do Verbo. Não houve, pois, intervalo de tempo entre o instante da Conceição da carne, que permitiria chamar Maria "Mãe de um homem", e a vinda da majestade divina. No mesmo instante a carne de Cristo foi concebida e unida à alma e ao Verbo".

Vê-se, através destas citações, que nenhuma dúvida, nenhuma hesitação existe sobre este ponto no espírito dos Santos Padres. É uma verdade Evangélica, tradicional, universal, que todos aceitam e professam.




SANTA MARIA , MÃE DE DEUS,
ROGAI POR NÓS PECADORES
AGORA E NA HORA DE NOSSA MORTE.
AMÉM