quarta-feira, 3 de outubro de 2012

REZA DO ROSÁRIO E A BÍBLIA


 


 




 A piedade medieval do Ocidente desenvolveu a oração do Rosário como alternativa popular à Oração das Horas (Oração dos Padres, Freiras e Monges, composta de 150 salmos bíblicos). 

O rosário é uma oração vocal, resumo do Evangelho, pois medita toda a vida de Jesus e Maria, seus mistérios gozosos, dolorosos, luminosos e gloriosos.

Rezar o rosário é rezar a Bíblia, pois ele é composto, quase que completamente de orações evangélicas o Pai-nosso (Mt 6,9-13), a Ave Maria ( Lc 1,28. 42.) e o Glória ao Pai (Lc 2, 14).
 

Ao rezar, cada Pai-nosso, as 10 Ave-Marias e  o Glória deve-se dar a cada um deles uma intenção, um pensamento, desejo e meditação diferente do outro, levando em conta os textos bíblicos do mistério rezado .


 

Rezar , do latim recitare, que também deu em português recitar

Já em latim, os verbos orare e recitare têm sentidos muito próximos:


 o primeiro significa “pronunciar uma fórmula ritual, uma oração, uma defesa em juízo”; o segundo, “ler em voz alta e clara” (portanto, o mesmo que em português recitar).


 Entretanto, para orare prevaleceu na latinidade e nas línguas românicas o sentido de rezar, isto é, dizer ou fazer uma oração ou súplica religiosa (cfr. A. Ernout–A. Meillet, Dictionnaire étymologique de la langue latine — Histoire des mots, Klincksieck, Paris, 4ª ed., 1979, p. 469).

 

Nós, católicos, damos ao verbo rezar um sentido bastante amplo e genérico, e reservamos a palavra oração mais especialmente — mas não exclusivamente — para os diversos gêneros de oração mental, como a meditação, a contemplação etc. Não há razão, portanto, para fazer dessa ligeira diferença, comum nos sinônimos, um tema de disputas.









 Alguns não católicos dizem que “não devemos orar repetidas vezes”, e apelam para a Bíblia, a passagem do  Evangelho de São Mateus (6,7):

 “Nas vossas orações, não queirais usar muitas palavras, como os pagãos, pois julgam que, pelo seu muito falar, serão ouvidos”.
  
A interpretação deste texto de São Mateus não é entretanto a que os protestantes lhe dão. 



Ele significa simplesmente que a eficácia da oração não decorre da loquacidade ( palavras bonitas para convenver a Deus), mas sobretudo das boas disposições do coração.

 As disposições sendo boas, em princípio, quanto mais se reza, melhor! 
 

Até porque rezar é repetir uma fórmula, mas o que muda é o porque se reza, como se reza, com que intenção, com que desejo, com que pensamento.



Isaías no capítulo 6, versículo 3, ao falar de uma visão que teve dos serafins no céu, descreve que esses anjos, oravam repetindo uma mesma fórmula, ou seja, rezavam repetidas vezes clamando uns aos outros:



"Suas vozes se revezavam e diziam: Santo, santo, santo é o Senhor 


Deus do universo! A terra inteira proclama a sua glória!"

(Is 6,3)




Além do mais, como judeu, Jesus aprendeu a rezar muitos salmos (Mt 26,30), e participou de muitas cerimônias judáicas e no Evangelho não consta que Ele fosse contra elas, muito pelo o contrário ele mesmo frequentava o Templo de Jerusalém.

Os próprios não católicos quando cantam um hino , estão rezando, pois ninguém inventa uma canção do nada.









E o próprio Jesus Cristo, Nosso Senhor, deu o exemplo de uma oração longa e repetitiva no Horto das Oliveiras, quando, prostrado com o rosto em terra, rezou por mais de uma hora, dizendo:  

"Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice; mas não se faça a minha vontade, e sim a vossa."
 ( Mt 26, 39-44; Lc 22, 41-45)

 
Jesus orou por três vezes com as memas palavras, usando uma fórmula, porém o que contava era a intensidade com que ele dizia essas palavras:

"Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras ." (Mt 26,44)


 
Quanto à necessidade da insistência na oração, no Evangelho de São Lucas (11, 5-8) se lê a impressionante lição do Divino Mestre:

 “Se algum de vós tiver um amigo, e for ter com ele à meia-noite, e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães, porque um meu amigo acaba de chegar a minha casa de viagem, e não tenho nada que lhe dar; e ele, respondendo lá de dentro, disser: Não me sejas importuno, a porta já está fechada, e os meus filhos estão deitados comigo; não me posso levantar para te dar coisa alguma. E, se o outro perseverar em bater, digo-vos que, ainda que ele se não levantasse a dar-lhos por ser seu amigo, certamente pela sua importunação se levantará, e lhe dará quantos pães precisar”.


A reiteração de nossos pedidos a Deus deve pois chegar a esse ponto da importunação, segundo o conselho do mesmo Nosso Senhor.



  Maria é a Orante perfeita, figura da Igreja (Apoc 12).

 Quando rezamos a ela, aderimos com ela ao plano do Pai  (Lc 1,38), que envia seu Filho para salvar todos os homens. 

Como o discípulo bem-amado, acolhemos em nossa casa a Mãe de Jesus (Jo 19,27), que se tornou a mãe de todos os vivos, pois se em Eva, somos filhos do pecado ( Gn 3,20), (Rm 5,12), em Cristo, recebemos vida nova ( Rm 5,19) e Maria é a mãe dessa nova geração de redimidos ( Apoc 12,17).


Podemos rezar com ela e a ela.

 A oração da Igreja é acompanhada pela oração de Maria, que lhe está unida na esperança.
  Por isso, em todas as aparições marianas, Maria pediu aos fiéis que rezassem o rosário, o terço. 















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