sábado, 25 de fevereiro de 2012

RITUAL DAS CINZAS DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS - PENITÊNCIA E CURA






Sempre gostei de rituais em minha oração pessoal. Antes, fazia-os por inspiração, depois aprendi como é útil preparar um ritual de oração, principalmente, após estudar um pouco sobre Magia e Wicca.

Li e estudei muito sobre Magia, Wicca, Ocultismo, Espiritismo, Parapsicologia, mas no fim de tudo, nada me foi mais atraente e seguro quanto a doutrina da Santa Igreja Católica.

Mas lendo sobre esses cultos, entendi um pouco mais o valor do ritual e da liturgia, esquecendo é claro as superstições , pois quem crê em Deus sabe que só Ele basta.

Também fui Franciscano por um tempo, mas a vocação franciscana não era muito minha praia, apesar de ter aprendido muito sobre esse carisma.

Um dos elementos rituais que gosto muito de fazer é o uso das cinzas na oração.

Na outra postagem, coloquei as citações bíblicas sobre esse uso.

E para que haja cinzas é necessário uma fogueira. Um ritual que volta e meia faço: preparo uma pequena fogueira a consagro e a acendo, oferecendo incenso enquanto ela queima, ou queimando ervas aromáticas enquanto rezo. As cinzas uso em rituais de penitência e cura.

Quando preciso dizer a Deus: "Senhor, reconheço que sou, apenas pó e cinza, por isso,  tenha piedade de mim e me livre de todo mal!"





RITUAL DAS CINZAS ( para penitência e cura)


Lembrando um ritual feito por São Francisco aqui deixo o que costumo fazer:

1 -Traço um círculo com as cinzas ( que podem ser de um fogueira de São João, que costumo sempre guardar as cinzas para essas ocasiões ou de outra feita em oração).

2- Coloco um pouco sobre a testa em forma de cruz ou sobre a cabeça em penitência.

3- Medito ajoelhado ou deitado sobre minha pequenez diante de Deus, em silêncio.

4- Recito o Salmo 50 de penitência.

5- Lavo-me com água benta rezando o "Confesso a Deus Todo- Poderoso".

( Pode ser feito para pedir a cura de uma doença, sempre fazendo orações que lhe venha a cabeça, pedindo por suas intenções e o perdão de seus pecados)



SÃO FRANCISCO E O A PREGAÇÃO DAS CINZAS
Agora examinemos o episódio da pregação das cinzas:








 No Memorial do desejo da alma ( esse o título exato da fonte biográfica conhecida como 2  Celano) se diz que a presença de Francisco se tornava menos intensa junto das irmãs, Numa determinada ocasião, ele aparece no mosteiro.

Celano afirma que Francisco recebe o pedido de seu vigário para que explicasse a Palavra de Deus às irmãs. Vencido pela insistência ele concedeu. Segundo o biógrafo foi Frei Elias que insistiu no pedido.

 No decorrer do relato, Tomás de Celano lembra que Francisco havia decidido ganhar certa distância dos mosteiros femininos. Mas o hagiógrafo faz questão de mostrar que o relacionamento da ordem minorítica com São Damião era diferente.

 O relacionamento de Francisco com as irmãs de São Damião não se limita a uma mera visita, mas o da oferta do dom da alimentação espiritual que caracteriza a mútua ajuda.

"Tendo-se reunido as senhoras, como de costume para ouvir a palavra de Deus ( cf. Jo 8,47), mas também não menos para ver o pai, ele, depois de ter elevado os olhos ao céu, onde sempre tinha o coração, começou a rezar a Cristo.

Depois, manda que seja trazida cinza, com a qual fez um círculo no pavimento ao seu redor, impondo o resto sobre a própria cabeça.

 Ao verem elas, o bem-aventurado pai dentro do círculo de cinza permanecer em silêncio, brota não pequena estupefação nos corações delas.







De repente, o santo se levanta, e estando elas atônitas recita no lugar de sermão o Miserere mei Deus (cf. Sl 50,3). Tendo-o terminando dirigiu-se imediatamente para fora " (2Celano 207).





O texto nos leva a compreender que Francisco, no começo não queria fazer pregação para as irmãs e depois é voto vencido, mas se limita a improvisar uma muda exortação.

 Essa atitude do Poverello está em plena sintonia com sua típicas atitudes: o de representar com gestos, com a mímica de toda a pessoa, a mensagem a ser transmitida.

O episódio se apresenta, pois, com todas as características de autenticidade. Queremos olhar com atenção as considerações do Celanense. Estamos diante de uma dramatização essencial da vida de penitência: ponto de partida para o caminho dos irmãos e das irmãs e que deveria continuar atuante em toda a existência terrena.

Francisco parece carregar cinza, elemento fácil de ser encontrado no caminho porque as comidas eram cozinhadas pelo fogo vivo improvisado ao longo das estradas.

Espalha cinzas em sua própria cabeça como se costuma fazer no começo da quaresma. Esse gesto estava em total consonância com o caminho dos irmãos e das irmãs que queriam fazer penitência. Francisco tem consciência de ser pecador. Nada tinha de próprio a não ser os vícios e os pecados, como dizia.

O silêncio que se seguiu à aspersão das cinzas não foi um espaço vazio ou embaraçante, como parece deixar transparecer Celano, mas momento de interiorização.

Através desse modo de mimar, Francisco torna palpável o abaixamento de Cristo, de sua vida que culminou na cruz. Assim, Clara viu o seu esposo no agir do Poverello e com admirável síntese haverá de exprimi-lo no Testamento: “O Filho de Deus fez-se para nós o Caminho, que nosso bem-aventurado pai Francisco, que o amou e seguiu de verdade, nos mostrou e ensinou por palavra e exemplo” ( Test. Clara 5).


 Francisco conclui sua pregação muda com a recitação do salmo 50.

 Sabemos que o salmo em questão é privilegiadamente usado pela liturgia penitencial, e constitui uma pérola do saltério. Canta a misericórdia de Deus dada a quem confessa seu pecado, até o dom do coração novo e de um espírito generoso, capaz de anunciar aos irmãos e às irmãs o nome de Deus, as maravilhas de seu amor, através da própria vida.

Para sororidade de São Damião este era um alimento sólido que manava da linfa pura do evangelho, que pode e deve ser procurado ao longo de toda a vida


 
 
 
 
 
 
 
 






sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

AS CINZAS NA BÍBLIA - QUARTA FEIRA DE CINZAS - PENITÊNCIA




Na nossa liturgia atual da Quarta-feira de Cinzas,
utilizamos cinzas feitas com os ramos de palmas distribuídos no ano anterior no Domingo de Ramos.

Lembrando que a Quarta de Cinzas existe como preparação para a Semana Santa ( abrindo os quarenta dias de penitência e purificação até a Páscoa) e não como arrependimento dos pecados do Carnaval como alguns pensam.

Vejamos alguns trechos bíblicos sobre o uso das cinzas na oração  como penitência, arrependimento, sinal de luto, dor ou purificação. 



Abraão continuou: “Não leveis a mal, se ainda ouso falar ao meu Senhor, embora seja eu pó e cinza.
GEN 18,27




9. Um homem puro recolherá a cinza da vaca e a deporá em um lugar puro fora do acampamento, onde será guardada pela assembléia dos israelitas para a água lustral. Este é um sacrifício pelo pecado.
(...)
11. Quem tocar o cadáver de um homem qualquer será impuro sete dias; 12. purificar-se-á com esta água ao terceiro e ao sétimo dia, e será puro; mas se ele não se purificar ao terceiro e ao sétimo dia, não será puro.
(...)
Para quem se tiver assim manchado, tomar-se-á da cinza da vítima queimada pelo pecado, e se deitará por cima dela, dentro de um vaso, água viva. 18. Em seguida, um homem puro, depois de ter molhado nela um hissopo, aspergirá com ele a tenda, todo o seu mobiliário, todas as pessoas que aí se encontram, bem como a pessoa que tocou nos ossos, ou no homem assassinado, ou no cadáver, ou no sepulcro.
NUM, 19,9; 11-12;17-18





É por isso que me retrato, e arrependo-me no pó e na cinza.
Jò 42,6





2. no primeiro ano do reinado, (digo), eu, Daniel, lendo as Escrituras, tive minha atenção despertada para o fato de que o número de anos a passar-se, segundo a palavra do Senhor ao profeta Jeremias, sobre a desolação de Jerusalém, seria de setenta anos. 3. Volvi-me para o Senhor Deus a fim de dirigir-lhe uma oração de súplica, jejuando e me impondo o cilício e a cinza.
DAN 9,2-3



5. Os ninivitas creram (nessa mensagem) de Deus, e proclamaram um jejum, vestindo-se de sacos desde o maior até o menor. 6. A notícia chegou ao conhecimento do rei de Nínive; ele levantou-se do seu trono, tirou o manto, cobriu-se de saco e sentou-se sobre a cinza.
JON 3, 5-6

 




1. Ouvindo isso, os israelitas de Judá ficaram muito alarmados com a aproximação (de Holofernes). 2. O medo e o terror apoderaram-se deles, temendo que ele fizesse a Jerusalém e ao templo do Senhor o mesmo que ele fizera às outras cidades e aos seus templos.
(...)
Com tais exortações, os israelitas puseram-se a orar diante do Senhor; 16. mesmo aqueles que ofereciam holocaustos ao Senhor, faziam-no revestidos de sacos e com a cabeça coberta de cinzas. 17. E todos rogavam a Deus, de todo o seu coração, que visitasse o seu povo de Israel.
JUDITE 1-2; 15-17

 




Tendo eles partido, Judite entrou em seu oratório, pôs o seu cilício, cobriu a cabeça com cinzas e, prostrando-se diante do Senhor, orou dizendo:
(Judite 9,1)




Ó filha de meu povo, veste o saco, revolve-te nas cinzas. Cobre-te de luto como se fora por um filho único, e ecoem teus amargos gemidos, porquanto vai cair de repente sobre nós o devastador. (Jeremias 6,26)







1. Quando Mardoqueu soube o que se tinha passado, rasgou suas vestes, cobriu-se de saco e cinza, e percorreu a cidade, dando gritos de dor. 2. Veio desse modo até diante da porta do rei, pela qual ninguém tinha o direito de passar com vestes de luto.
ESTER 4, 1-2


 

Por sua parte, a rainha Ester, tomada de uma angústia mortal, recorreu ao Senhor. 2. Depôs suas vestes suntuosas e vestiu roupas de aflição e de pesar. Em lugar de essências preciosas, cobriu a cabeça de cinza e de lama; afligiu duramente seu corpo e por todos os lugares onde costumava alegrar-se espalhou os cabelos que se arrancava. 3. Dirigiu esta prece ao Senhor, Deus de Israel: Meu Senhor, nosso único rei, assisti-me no meu desamparo, porque não tenho outro socorro senão vós,
ESTER 14,1-3


 

21. Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e a cinza
MAT 11,21





Pois se o sangue de carneiros e de touros e a cinza de uma vaca, com que se aspergem os impuros, santificam e purificam pelo menos os corpos, 14. quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu como vítima sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência das obras mortas para o serviço do Deus vivo?
HEB 9, 13-14







Através da Penitência alcançamos curas , milagres, castigos são aplacados , pestes dizimadas, fenômenos da natureza podem ser parados.
Por isso , Nossa Senhora em Lourdes e em Fàtima
 pediu oração e penitência. 









PENITÊNCIA!
PENITÊNCIA!
PENITÊNCIA!



















domingo, 19 de fevereiro de 2012

FAMÍLIA SAGRADA NA FUGA PARA O EGITO - A LENDA DA PALMEIRA QUE SE INCLINOU PARA ALIMENTAR O SALVADOR



Lenda descrita em Evangelhos apócrifos.






Um dia a Sagrada Família, fatigada pela longa viagem, parou à sombra de uma palmeira a fim de descansar um pouco.







Apertada pela fome, e notando os cocos dourados que pendiam da palmeira, Maria sentiu que não estavam ao alcance da sua mão. Jesus viu o desejo de sua mãe e comoveu-se.






Dirigindo-se à palmeira, disse: “Curva-te, bela palmeira, e alimenta minha terna mãe com tuas frutas”.






A estas palavras, a árvore reconheceu a voz do seu Criador e inclinou-se, e Maria colheu tantas frutas quantas desejava.


Após nova ordem do divino Menino a palmeira se ergueu de novo, e muito altaneira.

 Mas tão bela ação não podia ficar sem recompensa.


 Jesus continuou:

De agora em diante, quero que a palma seja o símbolo da vitória e brilhe eternamente nas mãos de todos aqueles que triunfarem sobre a terra, nos santos combates da virtude”.






 
Em seguida veio um anjo, que cortou uma folha da generosa palmeira e a levou logo para o Céu.






Por um novo prodígio deste Menino divino, uma fonte brotou ao pé da palmeira, a fim de refrescar os viajantes.
 















SELO RETRATANDO O MILAGRE DO TRIGO
OUTRA LENDA EGÍPCIA




FONTE: 
 



sábado, 18 de fevereiro de 2012

LENDA DA FUGA PARA O EGITO - A CURA DO BOM LADRÃO MENINO




“Depois de sua partida, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar. José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito.”


(São Mateus, 2 – 13:14)



Na tradição popular encontramos um conto muito interessante, basado em relatos de evangelhos apócrifos:



Quando Nossa Senhora fugiu com a Sagrada Família para o Egito, durante o caminho teve que parar várias vezes.











 Numa dessas paradas, numa região muito pobre, quis Nossa Senhora dar um banho no Menino Jesus.



São José bateu numa casa e explicou que estava de viajem e que precisava dar banho no menino.



A dona da casa abriu a porta olhou bem para eles e pediu para entrarem.



Nossa Senhora lavou o Menino Jesus numa bacia, renovando a água por duas vezes.


A mulher observava atentamente Nossa Senhora e o cuidado que Ela tinha com o Menino Jesus. Fazia perguntas: de onde eram, quem eram… Nossa Senhora explicava para aquela pobre mulher a grandeza das coisas santas e falava de Nosso Senhor.




Imaginem Nossa Senhora fazendo apostolado… Nossa Senhora falando das coisas do céu…

 


Ora, a conversa com Nossa Senhora deixou a mulher extasiada.

Sentindo uma alegria muito grande dentro de si, a mulher acabou confessando que seu marido era um ladrão e moravam ali na mais extrema pobreza. Também falou que seu filho que tinha mais um menos a idade do Menino Jesus andava doente há dias e não havia meio de ser curado.



 
Então, na hora de irem embora, Nossa Senhora agradeceu a mulher e disse:



- Dê banho no seu filho com a mesma água que banhei Meu Filho e ele ficará curado.



Grande Milagre. A mulher fez o que Nossa Senhora tinha pedido, e seu filho ficou curado imediatamente. Saiu na rua a procura daquela Santa Família, correu por todos os lados, mas já era tarde e a Sagrada Família não estava mais lá… seguia seu caminho protegida por miríades de anjos.




 

A notícia correu por aquela região desértica, mas ninguém sabia onde Nossa Senhora estava. O tempo foi passando e o filho, pelo mau exemplo do pai, acabou sendo um ladrão também. E o milagre acabou caindo no esquecimento.



Mas de que vale curar o corpo se a alma está doente? Que fruto colheria esse menino dessa graça tão grande a ele concedida?

 

Anos mais tarde, esse menino que havia crescido, acabou sendo preso e condenado à morte.






Como era costume na época, foi mandado para ser crucificado juntamente com dois outros condenados. De repente a graça toca-lhe o coração e, sem saber, estava sendo crucificado ao lado d’Aquele que quando menino lhe salvara a vida e agora iria lhe salvar a alma. Sim, era Dimas tocado pela graça e arrependido de seus pecados que disse: “Senhor, lembrai de mim quando entrares em seu Reino.”

 

A passagem é muito bonita. Transcrevo o que está nas sagradas escrituras, pois esse menino acabou sendo conhecido no futuro como “o bom ladrão”.



“A multidão conservava-se lá e observava. Os príncipes dos sacerdotes escarneciam de Jesus, dizendo: Salvou a outros, que se salve a si próprio, se é o Cristo, o escolhido de Deus!

Do mesmo modo zombavam dele os soldados. Aproximavam-se dele, ofereciam-lhe vinagre e diziam:
Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo.

Por cima de sua cabeça pendia esta inscrição: Este é o rei dos judeus.

Um dos malfeitores, ali crucificados, blasfemava contra ele:

Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós!




Mas o outro o repreendeu:

Nem sequer temes a Deus, tu que sofres no mesmo suplício? Para nós isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum.

 
E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino!

Jesus respondeu-lhe: Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso.

Era quase à hora sexta e em toda a terra houve trevas até a hora nona.

Escureceu-se o sol e o véu do templo rasgou-se pelo meio.

Jesus deu então um grande brado e disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, dizendo isso, expirou.

 
Vendo o centurião o que acontecia, deu glória a Deus e disse: Na verdade, este homem era um justo. E toda a multidão dos que assistiam a este espetáculo e viam o que se passava, voltou batendo no peito.”

(São Lucas, 23, 35:48)




São Dimas, bom ladrão arrependido,
orai por nós!








FONTE:
http://www.adf.org.br/home/2011/02/uma-lenda-interessante-do-egito-ao-calvario/

AS TRÊS PRINCIPAIS LENDAS DA FAMÍLIA SAGRADA NO EGITO - A FUGA PARA O EGITO





















A fúria de Herodes, em Belém, depois de falar com os Reis Magos, ficou lograda, quando soube que eles o tinham enganado, voltando às suas terras por outros caminhos.




Mais enfurecido ainda resolveu mandar matar todas as crianças de dois anos para baixo, na intenção de matar também o Menino Jesus.





 

Daí nasceu a Fuga para o Egipto como nos conta S. Mateus :



- Depois de partirem, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, e disse-lhe:

' "Levanta-te, toma ao Menino e Sua Mãe, foge para o Egipto e fica lá até que eu te avise, pois Herodes procurará o Menino para O matar".

E ele levantou-se, de noite, tomou o Menino e Sua Mãe e partiu para o Egipto, permanecendo ali até à morte de Herodes.

Assim se cumpriu o que o Senhor anunciou pelo profeta: "Do Egipto chamei Meu Filho".
(Mt.2,13-15).



Nada se sabe da vida de Jesus em terras do Egipto, nem sequer onde permaneceu a Sagrada Família durante esse tempo.



Para se poder dizer que a Sagrada Família foi para o Egipto, bastava que ela fosse viver para além das fronteiras de Israel em qualquer lugar do deserto.



A profecia de Oseias (Os. 11,1), citada por Mateus referia-se, antes de mais, a Israel, isto é, ao povo do Antigo Testamento, muitas vezes chamado filho de Deus.



Mateus, aplicando a profecia a Jesus, revela-nos que Ele é o novo Israel de Deus.



A Sagrada Família, guiada pelo anjo, emigrou de harmonia com os costumes judeus em tempos de fome, para o Egipto onde, desde muitos séculos antes, tinha sido lugar de refúgio, por causa das margens férteis do vale do Nilo.



Temos como exemplo José e toda a família de Jacob que foram ao Egipto no tempo dos sete anos de fome e depois se mudaram todos para lá a formar a futura comunidade hebraica.



Séculos depois, nos tempos da conquista da Babilónia, um grande grupo de judeus, incluindo o profeta Jeremias, emigrou para o Egipto.



Depois do primeiro século da nossa era, mais de um milhão de judeus vivia no Egipto.



Estavam concentrados em Alexandria, mas havia mais grupos espalhados por todo o país.



Eles deram uma importante participação à vida económica do Egipto, apesar da oposição dos gregos e apesar dos seus altos impostos.



José partiu, portanto de Belém, em direcção às margens do mar Mediterrâneo, por onde seguiu até aos desertos do Egipto.



Toda esta história da Fuga para o Egipto, talvez por falta de factos históricos, deu origem a várias lendas que permanecem no coração dos Egípcios, tanto cristãos como muçulmanos.



Na região do Cairo, há três lendas que se baseiam no facto narrado por Mateus sobre a Fuga para o Egipto.



Qualquer delas nos impressiona pela sua simplicidade, pela sua sensibilidade e pela riqueza dos pormenores.



1)- Em Heliópolis, existiu uma antiga escola (e todos aceitam que Moisés teria lá recebido a sua educação), e que hoje é um santuário nos subúrbios da cidade do Cairo que assinala o lugar onde existia a árvore e o poço da Virgem.









Árvore de Santa Maria - Matariyah, Cairo
Árvore de Santa Maria



 

Segundo esta lenda, Maria descansou debaixo desta árvore, durante a sua longa viagem para o Egipto.



Depois de ter lavado as roupinhas do Menino nas águas do poço ali ao lado, quando ia tirando peça por peça, algumas gotas de água caíram no deserto e, nas areias desses lugares desertos brotaram alguns balsameiros...



E desde séculos atrás até agora, os peregrinos ficam muito impressionados com os maravilhosos balsameiros que crescem em volta do dito poço.



Também alguns acrescentam que Jesus teria criado as águas desse poço.



Presentemente, este lugar é preservado dos ruídos da cidade por uma parede protectora.



Os guardas deste santuário são pessoas muito atenciosas, cuja simplicidade de vida lembra o que foram os seus predecessores do primeiro século.



2)- Outra lenda diz que, depois de uma longa viagem da Sagrada Família, José procurou refugio para Maria e Jesus numa gruta cavada na rocha.








Escadas que levam para a gruta, embaixo da Igreja de São Ségio e São Baco.
Acredita-se que a Família Sagrada morou aqui por um tempo enquanto esteve no Egito.






 

O fresco da gruta deu algum alívio à Sagrada Família, cansada pelo árduo caminhar e pelo calor das areias escaldantes.



No século VII foi reconstruída uma Igreja, dedicada ao monge Egípcio Sergius sobre a gruta onde primeiro tinha sido erigida uma Igreja romana, quase destruída durante as invasões árabes do ano 642.



Hoje há uma Igreja cóptica com uma escadaria descendo para as águas correntes do Nilo.



3)- Outra lenda diz que certa noite a Sagrada Família parou num templo perto do rio Nilo na cidade de Maadi.



Segundo esta lenda, Jesus teria falado, dizendo que, naquele lugar deveria ser construído um santuário dedicado a Maria para lembrar o seu nome para sempre.







Virgem Maria Igreja - Maadi.

Igreja da Virgem Maria ,em Maadi, Egito.



 

Hoje existe nesse lugar o Mosteiro da Santíssima Virgem.



A partir da Igreja desse santuário há uma escadaria para o rio, para o lugar donde as pessoas crêem que embarcou a Sagrada Família, quando deixou aquela cidade e se dirigiu para uma maior segurança na parte Norte do Egipto.







Os antigos degraus de pedra - Virgem Maria da igreja, Maadi

Escadas de pedra, que acredita-se terem sido usadas pela sagrada Família. Ela é acessível aos peregrinos através do pátio da Igreja.



 


Nos dias de hoje há um imponente cortejo anual para comemorar este acontecimento, em que o principal da cidade vai num barco através do rio Nilo.


E são estas as três principais lendas que nasceram do facto histórico da Fuga para o Egipto.



Na segunda metade do Primeiro século, depois de Jesus ter enviado os seus discípulo a evangelizar e baptizar todo o mundo, Marcos, o autor de segundo Evangelho, levou a sua evangelização até ao país dos cópticos ( coptíc significa Egípcio).



Fundou a primeira Sé Patriarcal na cidade de Alexandria, que no seu tempo era a mais importante depois da de Roma.



E o mais importante é que se crê que Marcos, discípulo de Pedro e de Paulo, foi martirizado em Alexandria no ano 63 e que os seus restos mortais se encontram na Catedral de S. Marcos do Cairo.



Em virtude de todas estas coisas, nós podemos supor e aceitar que uma família de judeus seria bem aceite no Egipto.



S. José teria tido a mesma profissão de carpinteiro ou teria sido um simples operário.



Com o passar do tempo José e Maria teriam já saudades da sua terra natal, dos seus familiares e amigos, dos seus costumes, e por aí nós podemos imaginar o que teria sido para eles este tempo de exílio.



De harmonia com algumas revelações privadas, Nossa Senhora disse à Venerável Madre Maria de Agreda :



- "Minha filha, eu fui para o Egipto, onde eu não tinha família nem amigos, uma terra de uma religião diferente, onde eu não tive, nem casa, nem protecção nem assistência para meu filho e meu marido.



Facilmente se pode compreender quantas tribulações eu sofri.



Mas tudo recebi com resignação. Sofri por ver meu marido em tanta necessidade, mas, ao mesmo tempo, dei graças ao Senhor por as poder sofrer por Ele...



Depois da morte de Herodes, no ano 4 a.C.,(de harmonia com o calendário corrigido), José voltou com a sua família para a Galileia :



- Morto Herodes, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egipto, e disse-lhe : "Levanta-se, toma o Menino e Sua Mãe e vai para a terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra a vida do Menino".



Levantando-se, tomou o Menino e Sua Mãe e voltou para a terra de Israel. Porém, tendo ouvido dizer que Arquelau reinava na Judeia, em Lugar de Herodes, seu pai, teve medo de ir para lá. Advertido em sonhos, retirou-se para a região da Galileia e foi morar numa cidade chamada Nazaré; assim se cumpriu o que foi anunciado pelos profetas: "Ele será chamado Nazareno". (Mt.2,19-23).



Assim, mais uma vez a Sagrada Família atravessou os desertos de Sinai e de Negev, mas desta vez, evitando o caminho de Jerusalém e seguindo pelas margens do Mediterrâneo, a caminho de Nazaré, na província da Galileia.











Wells em Al Mosteiro Garnous - MaghaghaWells em Al Mosteiro Garnous - Maghagha
Poço do Mosteiro de Arganos (GARNOUS AL - MAGHAGHA)
Acredita-se que a água do poço surgiu para suprir as necessidades da Família Sagrada.














Abaixo um mapa com o percurso feito pela Sagrada Família no Egito segundo as crenças e lendas da Igreja Copta:


The Route of the Holy Family in Egypt









FONTES: